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Formação de engenheiro não atende a indústria brasileira
27/08/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=73073
Especialistas apontam trabalho conjunto de universidades, empresas e governos como solução para o problema<BR><BR>
<P>Além de formar menos da metade dos engenheiros de que precisa a cada ano, o Brasil tem ainda de enfrentar a disparidade entre a qualificação obtida nas universidades e as necessidades das empresas que procuram um profissional. O meio de resolver o problema é o trabalho conjunto de universidades, empresas e governos.</P>
<P>Essa foi a conclusão do seminário Tecnologia e Inovação: Desafios na Formação de Profissionais de Engenharia para o Século XXI, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira, 25 de agosto, em São Paulo.</P>
<P>"Talvez precisemos ter uma alteração de currículo nas engenharias. A gestão de projetos, por exemplo, que nas empresas é de suma importância, não recebe a devida atenção nas universidades", afirmou Jorge Ramos, diretor de desenvolvimento tecnológico da fabricante de aviões Embraer. "Um engenheiro que chega à Embraer vindo da universidade tem de ser treinado por nós em gestão de projetos", revelou.</P>
<P>O Brasil não tem plano de qualificação dos engenheiros, definiu Paulo Luiz Coutinho, diretor de inovação da Ideom, a empresa de tecnologia da petroquímica Braskem. "A convergência tecnológica exige capacitação técnica em diversas ciências e áreas do conhecimento. O profissional precisa de formação de primeira, que não é oferecida nas universidades", disse Coutinho.</P>
<P>Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, que também participou dos debates, o aluno de graduação nas engenharias tem de vivenciar mais a realidade das empresas.</P>
<P>"Por que não aproximar das universidades as pequenas e médias empresas, possibilitando que os alunos tenham noções reais do dia-a-dia da indústria, conheçam seus problemas reais e colaborem na resolução deles? Serão profissionais mais completos ao se formarem", sugeriu.</P>
<P>Os debatedores lembraram que o Brasil forma hoje cerca de 32 mil engenheiros por ano, que correspondem a 4,2% do total de formandos nas universidades anualmente. É muito pouco perto da demanda atual do mercado, de pouco mais de 60 mil profissionais anualmente, concordaram os empresários.</P>
<P>Estimativa da CNI, que executa o programa Inova Engenharia, destinado a incentivar a formação de engenheiros, mostra que, em 2012, o mercado terá um déficit de 150 mil engenheiros.</P>
<P>Inovação</P>
<P>Além da dificuldade de formação dos engenheiros, os debatedores destacaram a importância desses profissionais para a inovação dentro das empresas. "O setor elétrico e eletrônico é um dos mais dinâmicos e tem na inovação um elemento central para sua competitividade. E o engenheiro é mola-propulsora desse processo", avaliou Barbato, da Abinee.</P>
<P>Segundo ele, a cada dia o tempo disponível para compensar o gasto no desenvolvimento dos produtos é menor. Ou seja, o produto tem de dar lucro rápido, sob pena de ficar tecnologicamente ultrapassado e, assim, não dar o retorno esperado. "Por isso, a antecipação da tendência tecnológica é a estratégia das companhias, embora nem sempre a boa inovação seja aquela que terá boa aceitação do mercado. Esse é o desafio das empresas", salientou o presidente da Abinee.</P>
<P>Para Jorge Ramos, da Embraer, é possível aprimorar o fomento à inovação. "Hoje há predominância de políticas horizontais, que são importantes, mas é preciso ter políticas verticais. O governo tem de escolher os setores mais competitivos e fomentar a inovação", propôs.</P>
<P>Na opinião de Ramos, deve-se escolher os setores em que o país tem clara vocação, usar o poder de compra do Estado, tanto para adquirir o produto como a tecnologia, e promover o adensamento das cadeias produtivas.</P>
<P>Indústria brasileira precisa de 60 mil engenheiros por ano</P>
<P>A indústria brasileira precisa de engenheiros para continuar crescendo. Com um ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 5% e 6% ao ano, a demanda do Brasil é de cerca de 60 mil engenheiros por ano. O problema é que o país forma apenas 32 mil profissionais por ano.</P>
<P>"É por isso que hoje a indústria primeiro contrata o engenheiro e depois pergunta o que ele sabe fazer. A disputa é acirrada", constata Paulo Afonso Ferreira, diretor-geral do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).</P>
<P>No mundo globalizado, em que a inovação encurta cada vez mais o tempo de acesso da população aos novos produtos e serviços, o engenheiro é fundamental. O alerta é de Lueny Morell, gerente de programa do Escritório de Estratégia e Inovação da Hewlett-Packard, que também participa do workshop.</P>
<P>Ela lembra que o automóvel demorou 55 anos para ser acessível a 25% da população norte-americana, o telefone levou 35 anos, o rádio 22 anos e o computador pessoal, 16 anos. Mais recentemente, a internet precisou de sete anos para alcançar os mesmos 25% da população daquele país. O Facebook, maior rede de relacionamento do planeta e serviço típico da economia digital, levou apenas 12 meses.</P>
<P>Nesse ambiente de rápida transformação, o Brasil tem de formar cada vez mais engenheiros qualificados. É uma tarefa difícil, uma vez que há apenas 400 escolas de engenharia e 2.200 cursos de graduação na área. O mais grave, no entanto, é que não há demanda para preencher a baixa oferta de vagas nos cursos de engenharia. Das 197 mil vagas anuais oferecidas, 120 mil são ocupadas.</P>
<P>Somente um em cada grupo de 800 alunos do ensino fundamental inicia um curso de engenharia. Além disso, problemas como alto custo das mensalidades, falta de laboratórios e oficinas e escassez de prática, entre outros, desestimulam os estudantes e elevam a evasão. Por isso, o Brasil só forma 32 mil engenheiros por ano.</P>
<P>O país perde feio na comparação com os outros membros do grupo BRICs (Brasil, Rússia, índia e China). A China forma 400 mil engenheiros por ano, enquanto a Índia forma 250 mil e a Rússia, 100 mil. A Coréia do Sul é citada como paradigma para o Brasil, porque promoveu a revolução da educação voltada para a engenharia e a indústria. Hoje o país forma 80 mil engenheiros por ano.</P>
<P>"Não é à toa que o PIB dos países asiáticos representava menos de 20% do total mundial há 30 anos e hoje equivale a 40%. As empresas coreanas disputam mercado de igual para igual no mundo, inclusive no Brasil", aponta Luiz Scavarda, professor da PUC/Rio e membro do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea).</P>
<P><FONT size=1>(Informações do Portal da CNI)</FONT></P>
<P>Além de formar menos da metade dos engenheiros de que precisa a cada ano, o Brasil tem ainda de enfrentar a disparidade entre a qualificação obtida nas universidades e as necessidades das empresas que procuram um profissional. O meio de resolver o problema é o trabalho conjunto de universidades, empresas e governos.</P>
<P>Essa foi a conclusão do seminário Tecnologia e Inovação: Desafios na Formação de Profissionais de Engenharia para o Século XXI, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira, 25 de agosto, em São Paulo.</P>
<P>"Talvez precisemos ter uma alteração de currículo nas engenharias. A gestão de projetos, por exemplo, que nas empresas é de suma importância, não recebe a devida atenção nas universidades", afirmou Jorge Ramos, diretor de desenvolvimento tecnológico da fabricante de aviões Embraer. "Um engenheiro que chega à Embraer vindo da universidade tem de ser treinado por nós em gestão de projetos", revelou.</P>
<P>O Brasil não tem plano de qualificação dos engenheiros, definiu Paulo Luiz Coutinho, diretor de inovação da Ideom, a empresa de tecnologia da petroquímica Braskem. "A convergência tecnológica exige capacitação técnica em diversas ciências e áreas do conhecimento. O profissional precisa de formação de primeira, que não é oferecida nas universidades", disse Coutinho.</P>
<P>Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, que também participou dos debates, o aluno de graduação nas engenharias tem de vivenciar mais a realidade das empresas.</P>
<P>"Por que não aproximar das universidades as pequenas e médias empresas, possibilitando que os alunos tenham noções reais do dia-a-dia da indústria, conheçam seus problemas reais e colaborem na resolução deles? Serão profissionais mais completos ao se formarem", sugeriu.</P>
<P>Os debatedores lembraram que o Brasil forma hoje cerca de 32 mil engenheiros por ano, que correspondem a 4,2% do total de formandos nas universidades anualmente. É muito pouco perto da demanda atual do mercado, de pouco mais de 60 mil profissionais anualmente, concordaram os empresários.</P>
<P>Estimativa da CNI, que executa o programa Inova Engenharia, destinado a incentivar a formação de engenheiros, mostra que, em 2012, o mercado terá um déficit de 150 mil engenheiros.</P>
<P>Inovação</P>
<P>Além da dificuldade de formação dos engenheiros, os debatedores destacaram a importância desses profissionais para a inovação dentro das empresas. "O setor elétrico e eletrônico é um dos mais dinâmicos e tem na inovação um elemento central para sua competitividade. E o engenheiro é mola-propulsora desse processo", avaliou Barbato, da Abinee.</P>
<P>Segundo ele, a cada dia o tempo disponível para compensar o gasto no desenvolvimento dos produtos é menor. Ou seja, o produto tem de dar lucro rápido, sob pena de ficar tecnologicamente ultrapassado e, assim, não dar o retorno esperado. "Por isso, a antecipação da tendência tecnológica é a estratégia das companhias, embora nem sempre a boa inovação seja aquela que terá boa aceitação do mercado. Esse é o desafio das empresas", salientou o presidente da Abinee.</P>
<P>Para Jorge Ramos, da Embraer, é possível aprimorar o fomento à inovação. "Hoje há predominância de políticas horizontais, que são importantes, mas é preciso ter políticas verticais. O governo tem de escolher os setores mais competitivos e fomentar a inovação", propôs.</P>
<P>Na opinião de Ramos, deve-se escolher os setores em que o país tem clara vocação, usar o poder de compra do Estado, tanto para adquirir o produto como a tecnologia, e promover o adensamento das cadeias produtivas.</P>
<P>Indústria brasileira precisa de 60 mil engenheiros por ano</P>
<P>A indústria brasileira precisa de engenheiros para continuar crescendo. Com um ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 5% e 6% ao ano, a demanda do Brasil é de cerca de 60 mil engenheiros por ano. O problema é que o país forma apenas 32 mil profissionais por ano.</P>
<P>"É por isso que hoje a indústria primeiro contrata o engenheiro e depois pergunta o que ele sabe fazer. A disputa é acirrada", constata Paulo Afonso Ferreira, diretor-geral do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).</P>
<P>No mundo globalizado, em que a inovação encurta cada vez mais o tempo de acesso da população aos novos produtos e serviços, o engenheiro é fundamental. O alerta é de Lueny Morell, gerente de programa do Escritório de Estratégia e Inovação da Hewlett-Packard, que também participa do workshop.</P>
<P>Ela lembra que o automóvel demorou 55 anos para ser acessível a 25% da população norte-americana, o telefone levou 35 anos, o rádio 22 anos e o computador pessoal, 16 anos. Mais recentemente, a internet precisou de sete anos para alcançar os mesmos 25% da população daquele país. O Facebook, maior rede de relacionamento do planeta e serviço típico da economia digital, levou apenas 12 meses.</P>
<P>Nesse ambiente de rápida transformação, o Brasil tem de formar cada vez mais engenheiros qualificados. É uma tarefa difícil, uma vez que há apenas 400 escolas de engenharia e 2.200 cursos de graduação na área. O mais grave, no entanto, é que não há demanda para preencher a baixa oferta de vagas nos cursos de engenharia. Das 197 mil vagas anuais oferecidas, 120 mil são ocupadas.</P>
<P>Somente um em cada grupo de 800 alunos do ensino fundamental inicia um curso de engenharia. Além disso, problemas como alto custo das mensalidades, falta de laboratórios e oficinas e escassez de prática, entre outros, desestimulam os estudantes e elevam a evasão. Por isso, o Brasil só forma 32 mil engenheiros por ano.</P>
<P>O país perde feio na comparação com os outros membros do grupo BRICs (Brasil, Rússia, índia e China). A China forma 400 mil engenheiros por ano, enquanto a Índia forma 250 mil e a Rússia, 100 mil. A Coréia do Sul é citada como paradigma para o Brasil, porque promoveu a revolução da educação voltada para a engenharia e a indústria. Hoje o país forma 80 mil engenheiros por ano.</P>
<P>"Não é à toa que o PIB dos países asiáticos representava menos de 20% do total mundial há 30 anos e hoje equivale a 40%. As empresas coreanas disputam mercado de igual para igual no mundo, inclusive no Brasil", aponta Luiz Scavarda, professor da PUC/Rio e membro do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea).</P>
<P><FONT size=1>(Informações do Portal da CNI)</FONT></P>