Voltar para Notícias

Setor privado quer ampliar o debate sobre biodiversidade no Brasil

09/08/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72657
Um grupo de empresas lançou na quinta-feira (5/8) um movimento para apresentar uma proposta conjunta ao governo brasileiro sobre os compromissos do setor privado com a conservação da biodiversidade, a exemplo do que foi feito no ano passado em relação ao clima <BR><BR>
<P>As companhias que iniciaram a mobilização são a Alcoa, a CPFL, a Natura, a Philips, a Vale e o Walmart, mas elas esperam agregar mais participantes até setembro, quando apresentarão uma carta à administração federal com uma agenda de ações para a conservação da biodiversidade.</P>
<P>Diferentemente do debate sobre o clima, em que era possível estabelecer metas de redução de poluentes, nesse caso o que as empresas pretendem é lançar o debate para que seja possível mensurar os impactos econômicos da preservação da biodiversidade. "É um movimento que coloca em pauta o tema e, dessa forma, pretende mobilizar a sociedade. Hoje, é um assunto que está abaixo do clima nas discussões", diz Alessandro Carlucci, presidente da Natura.</P>
<P>O tema foi escolhido, porque a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2010 como o ano internacional da biodiversidade. O compromissos sinalizado pelas empresas é de incorporar em suas estratégias os princípios definidos pela Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas, além de assegurar que em toda a cadeia de abastecimento não haja perda de biodiversidade.</P>
<P>As empresas também se comprometem a privilegiar a manutenção e recuperação dos biomas e a recompensar as comunidades indígenas, quando houver comercialização de produtos a partir da sua contribuição. E, por último, há a disposição de participar de um debate com governo e população sobre um marco legal de reconhecimento da importância da biodiversidade.</P>
<P>A intenção das companhias é entregar a carta ao governo federal a tempo de influenciar o posicionamento brasileiro na 10 ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-10), que ocorrerá em outubro na cidade de Nagoya, no Japão.</P>
<P>Segundo Vânia Somavilla, diretora de desenvolvimento sustentável da Vale, o prazo que as empresas têm é curto, mas a experiência do ano passado em relação ao clima mostrou que vale a pena mostrar a posição do setor privado ao governo. "O Brasil precisa ter um papel de liderança em relação a esse tema", diz a executiva.</P>
<P>Apesar do debate ainda ser embrionário, as empresas dizem que já trabalham hoje com políticas sustentáveis que visam preservar o ambiente, como a recuperação de áreas de exploração de minérios pela Vale e pela Alcoa, e o rastreamento da carne no Walmart. "Temos que recuperar os lugares onde fazemos a mineração e deixar melhor do que antes", diz Nemércio Nogueira, diretor de assuntos institucionais da Alcoa.</P>
<P>Para Daniela De Fiori, vice-presidente de sustentabilidade do Walmart Brasil, os varejistas devem agir como catalisadores do processo de ação sustentável ao exigir a responsabilidade de seus fornecedores. "Um exemplo é o programa de carne rastreada. Hoje, se você for numa unidade nossa e ver a marca Campero, verá que ela tem o registro de sua origem. É um trabalho gigantesco, mas é a única maneira de garantir que a carne não está sendo produzida em áreas ilegais", explica a executiva.</P>
<P>O problema maior é a falta de informações que existe sobre qual é a biodiversidade no país e seus impactos sobre os negócios. Para Carlucci, da Natura, um ponto positivo é a disposição do governo em investir em estudos sobre o tema. "As pessoas precisam ver o que é biodiversidade", diz.</P>
<P>Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, presente na cerimônia de lançamento da mobilização empresarial na quinta-feira em São Paulo, explica que a intenção é desenvolver estudos científicos sobre biodiversidade no Brasil atrelados ao desenvolvimento do IPBES - Plataforma Intergovernamental para Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos - órgão que deverá ser um equivalente do IPCC para o clima.</P>
<P>"É preciso haver estudos para mostrar o que significa o uso sustentável da biodiversidade, o que dará uma visão do quanto as empresas são dependentes dela e como ela contribui para os negócios", diz a ministra. O governo brasileiro reivindica a instalação da sede do IPBES no país. O órgão tem como objetivo produzir um inventário sobre a situação da biodiversidade no mundo.</P>
<P>Nogueira, diretor da Alcoa, diz que a partir de medições é possível entender melhor a realidade do ambiente e sua relação com os negócios. Dessa forma, seria possível discutir ações concretas. "Precisamos de mais informações, pois o problema do clima é mensurável, já a biodiversidade é um universo gigante", diz.</P>
<P>(Samantha Maia)</P>
<P>(Valor Econômico, 6/8)</P>
<P>&nbsp;</P>
Menu Principal

Minha Conta

Seu Carrinho

0 item(s)

Faça login para ver seu carrinho.

Entrar
Subtotal R$ 0,00

Frete e descontos calculados no checkout.

Finalizar Compra