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De olho na visibilidade externa, MEC promove fusão de sete federais

06/08/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72627
Modelo de superuniversidade pode ser repetido no Rio Grande do Sul e no Paraná, diz ministro<BR><BR>
<P>O modelo de consolidação setorial chegou ao ensino superior público. Na terça-feira, dia 10, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai oficializar a unificação de sete universidades federais das regiões sul e sudeste de Minas Gerais, criando uma única instituição, que passará a figurar entre as cinco maiores do país já a partir do ano que vem.</P>
<P>A superuniversidade terá a figura jurídica de um consórcio composto pelas federais de Alfenas (Unifal), Itajubá (Unifei), Juiz de Fora (UFJF), Lavras (Ufla), São João del-Rei (UFSJ), Ouro Preto (Ufop) e Viçosa (UFV) e já nasce com 46,3 mil alunos em mais de 400 cursos de graduação e programas de pós-graduação, 3,5 mil professores e 4 mil funcionários da área técnica e administrativa.</P>
<P>Inédita no setor público, a fusão foi inspirada em exemplos da França e dos Estados Unidos e prevê dar mais visibilidade internacional ao Brasil na área acadêmica, contou ao Valor o ministro da Educação, Fernando Haddad.</P>
<P>"O país tem uma característica singular: é o 13º do mundo em produção científica, mas poucas universidades públicas aparecem como importantes por causa do caráter de excessiva fragmentação do sistema federal."</P>
<P>Haddad refere-se às três universidades estaduais de São Paulo - USP, Unicamp e Unesp - e às federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Rio Grande do Sul (UFRGS), que aparecem em rankings mundiais de excelência.</P>
<P>As sete federais mineiras envolvidas no processo de unificação têm notas elevadas no sistema de avaliação de qualidade do MEC, o que aumenta as chances de reconhecimento internacional. Arquitetura e Urbanismo na UFV e Biologia na Ufla estão entre os três mais bem avaliados pelo ministério. Por outro lado, há cursos com péssimo desempenho: ciências da computação na Ufla está em 666ª posição no ranking do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).</P>
<P>O formato de superuniversidade também traz ganhos de escala à instituição, que passa a ter maior capacidade de atrair investimentos - para pesquisa e novos laboratórios, por exemplo -, simplificar processos e gestão racional de recursos. Um colégio de reitores, com presidência rotativa, responderá pela administração do consórcio.</P>
<P>Para o reitor da Universidade Federal de Viçosa, Luiz Cláudio Costa, os alunos sairão ganhando com a integração acadêmica. "O estudante em Lavras poderá transferir créditos e fazer uma disciplina no campus de Viçosa ou Ouro Preto ou ampliar seu campo de pesquisa, com acesso a uma estrutura muito maior de professores e laboratórios", prevê.</P>
<P>A localização geográfica também pesou na decisão de aglutinar as universidades mineiras, que estão instaladas em 17 cidades situadas em um raio de 200 a 300 quilômetros de distância. Segundo Haddad, o modelo de superuniversidade tem espaço para ser copiado no interior do Rio Grande do Sul e Paraná, onde funcionam pelo menos oito instituições de ensino federais.</P>
<P>No momento, os reitores das sete federais elaboram o plano de desenvolvimento institucional (PDI) do consórcio, que orienta a atuação pedagógica de todo estabelecimento de ensino superior em operação no país. O documento, que será apresentado ao MEC em 15 de outubro, vai enfatizar a integração acadêmica, reforçando as principais atividades de cada federal.</P>
<P>Viçosa e Lavras se destacam nas ciências agrárias, Alfenas foca o setor da saúde, com seus cursos de medicina e enfermagem, e Itajubá é reconhecida pela cobertura da área de tecnologia. "No consórcio, essas áreas serão abrangidas de modo complementar, o todo será maior que as partes", explica Costa.</P>
<P><FONT size=1>(Valor Econômico, 5/8)</FONT></P>
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