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"Temos que formar mais gente", entrevista com João Lúcio de Azevedo
10/05/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70731
Aumentar o número de pesquisadores é necessário para integrar a pesquisa básica à aplicada e incentivar a inovação tecnológica, defende o agrônomo e geneticista João Lúcio de Azevedo<BR><BR>
<P>O agrônomo e geneticista João Lúcio de Azevedo, professor aposentado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, já formou 170 mestres e doutores, mas tem certeza de que o Brasil precisa de mais. Lembrando que o número de pesquisadores por habitante no país ainda é baixo, Azevedo vaticina: "vamos ter que formar mais gente". Isso é necessário para vencer o maior desafio da ciência brasileira atualmente, segundo Azevedo: integrar a pesquisa básica à aplicada e incentivar a inovação tecnológica.</P>
<P>Na avaliação de Azevedo, dois aspectos são fundamentais na formação de um pesquisador: boa base no ensino médio e a orientação de profissionais experientes. Em entrevista ao "JC", o geneticista conta que começou a pesquisar por incentivo de um professor do ensino médio. Por isso, para ele, é "preciso melhorar o ensino médio também", caso o Brasil queira fomentar a inovação tecnológica.</P>
<P>Formado na Esalq/USP, com Ph.D na Inglaterra, e especializado em genética de micro-organismos aplicada à agricultura, Azevedo foi recentemente agraciado com o título de pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele reconhece os avanços do sistema nacional de C&T, sobretudo com o desenvolvimento da pós-graduação, destacando que o intercâmbio com o exterior, por meio de pós-doutorados, continua importante.</P>
<P>Hoje, Azevedo segue orientando na Esalq/USP e é coordenador de Microbiologia do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), instituição de pesquisa operada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). "A gente não pode parar. Tem que continuar", diz o pesquisador, que tem passagens, além da USP, pelas universidades Estadual de Campinas (Unicamp), de Brasília (UnB), de Mogi das Cruzes (UMC), Federal de Goiás (UFG), de Caxias do Sul (UCS). Entre 1983 e 1985, foi membro da diretoria da SBPC, durante a presidência de Crodowaldo Pavan.</P>
<P>Leia trechos da entrevista concedida por Azevedo:</P>
<P>Formação</P>
<P>"Estudei em São Paulo, na capital, no Colégio São Luís, e havia um professor de genética que era muito bom. Ele tinha ascendência alemã: professor Tarbor. Ele incentivou muito o pessoal a fazer genética. Aí eu disse: "bom, eu quero fazer genética agora". Ele falou: "O melhor lugar para fazer genética atualmente é Piracicaba". Quando foi criada a USP, eles trouxeram um professor da Alemanha, que ele conhecia, evidentemente, que era o professor [Friederich Gustav] Brieger. E ele era um discípulo de um redescobridor das leis de [Gregor] Mendel.</P>
<P>Aí, eu fui fazer faculdade em Piracicaba (SP). Fiz o vestibular e passei. Isso foi em 1958. Esse professor de genética em Piracicaba tinha uma verba grande para bolsas de iniciação científica. Eu me inscrevi, passei e comecei a fazer genética. Esse foi o início. Ele me incentivou a fazer uma genética que não existia praticamente no Brasil, que era genética de micro-organismos. Então fiz meu doutorado aqui na USP e depois ele me incentivou a ir para a Inglaterra, onde eu fiz outro doutorado, um Ph.D. Voltei e comecei a carreira científica na universidade."</P>
<P>Formação na atualidade</P>
<P>"O ensino médio era melhor. Os alunos que entravam na universidade tinham uma formação melhor do que têm atualmente. Hoje, o pessoal é bem mais despreparado, em média. Mas, em compensação, tem outro ponto que foi muito importante para o Brasil: hoje tem informática, a comunicação é muito fácil. Antigamente, o pessoal vinha preparado, mas não tinha condição de ter acesso às revistas, aos trabalhos da época. Era tudo demorado, as revistas não existiam todas aqui no Brasil. Isso mudou muito e para melhor. Antigamente, um trabalho em uma revista como a "Nature"<EM> </EM>levava uns seis meses para chegar aqui. Ao passo que hoje, no dia seguinte, já conhecemos tudo."</P>
<P>Formação no exterior</P>
<P>"Temos que dar um voto de louvor para a formação de pós-graduação no Brasil. Isso foi a Capes. Não tínhamos pós-graduação no Brasil. Ela começou nos anos 1960. Hoje, já são milhares de programas de pós-graduação no país inteiro. Em praticamente todas as áreas do conhecimento dá para dar uma formação muito boa de pesquisadores aqui no Brasil mesmo. Agora, o contato [com o exterior] continua sendo extremamente importante. O que é importante é o pessoal fazer pós-doutorado, que pode ser de um ano, seis meses, até dois anos, no máximo, que também não tira a raiz da pessoa.</P>
<P>Uma coisa que acontecia antigamente é que a pessoa saía para fazer doutorado e aí fazia um problema lá do exterior. E voltava e não sabia o que fazer depois aqui. Hoje não. Fazendo o doutorado, sabe-se exatamente quais são os problemas que existem no Brasil."</P>
<P>Intercâmbio</P>
<P>"Além de fazer o pós-doutorado no exterior, é muito importante também a vinda do pesquisador estrangeiro. Não precisa ficar muito tempo. Hoje, diminuiu muito esse intercâmbio. É preciso fortalecer. Mesmo porque, naquele tempo, vinha um professor de genética, um professor de botânica. Hoje, são diversas especialidades dentro da genética - molecular, genética de micro-organismos, a quantitativa, de populações. Então complicou. O pessoal ficou mais especializado, de modo que precisa vir mais gente. Não é preciso ficar a vida inteira. Mas o importante é ter esse contato, por alguns meses, um ano.</P>
<P>Quando comecei, a ida de um brasileiro para o exterior era uma dificuldade. Os mais velhos falavam: "olha, consegui para você uma vaga lá na Inglaterra, lá nos Estados Unidos". Isso mudou. Hoje, eles [no exterior] é que querem. O brasileiro hoje é mão de obra especializada, de bom nível, e ainda leva o dinheiro."</P>
<P>Campo de pesquisa</P>
<P>"Quando nós começamos a fazer genética de micro-organismos, ela era praticamente zero. Esse professor Brieger tinha uma visão grande. Ela dizia: "olha, você vai fazer micro-organismo, porque não existe no Brasil e micro-organismo se reproduz fácil" [o que facilita a pesquisa em genética]. Ele trouxe, primeiro, um pesquisador americano [Milislav Deme-rec, de origem croata], que veio e deu um curso [em 1960]. Isso foi muito importante. Três pessoas fizeram esse curso. Eu fui uma delas. As outras foram o professor Luiz Hildebrando Pereira da Silva e a professora, já falecida, [Rahme] Nelly Neder. Nós começamos a fazer micro-organismos.</P>
<P>Aí, eu pensei no seguinte: "o número de pesquisadores em genética de micro-organismos é zero. Então, vamos começar a formar gente". E a minha função, nestes 40 anos, foi formar gente. Mestres e doutores. No fim, foram 170 mestres e doutores que formei; 172 hoje. E isso se espalhou pelo Brasil inteiro.</P>
<P>Junto com isso, nós fizemos também uma reunião, que hoje já está na 25ª edição, a Reunião de Genética de Micro-organismos. Essa reunião começou com 11 pessoas, em 1973. Hoje, são mais de 400 que se reúnem, porque outros grupos também se uniram. Esses grupos começaram a se desenvolver também, a formar mais gente. Pode aumentar muito mais? Claro que pode. Mas, por outro lado, de um [pesquisador] passamos para centenas."</P>
<P>Inovação<STRONG> </STRONG></P>
<P><STRONG>"</STRONG>Publicamos 2% das publicações do mundo. Então o Brasil não está mal, está lá, entre o décimo e o vigésimo lugar. Mas tem uma falha imensa, que é patente, a parte de integração universidade-empresa, de inovação tecnológica. Aí nós estamos ruins. Donde se conclui que são muitas publicações que não geram alguma coisa útil para a sociedade. Podem até gerar no futuro, mas atualmente não estão gerando. Então o que realmente falta ao Brasil é essa integração maior entre o básico e o aplicado."</P>
<P>Ambiente científico</P>
<P>"Avançou, mas a população brasileira também aumentou. Se você pensar em termos de quantidade de pesquisadores por número de habitantes, nós estamos mal ainda. Então, vamos ter que formar mais gente. Agora, será preciso melhorar o ensino médio também. Porque também não adianta: se nós não tivermos material humano para trabalhar, dificilmente vamos chegar lá.</P>
<P>Se pegar o tempo em que eu comecei a trabalhar e hoje, nós temos mais verba para pesquisa. Há verbas estaduais, verba federal, tem CNPq, Capes, Finep. Um bom pesquisador consegue verba. Agora, não é também um negócio de louco. Tem que aumentar muito mais o dinheiro investido e aí entram as empresas."</P>
<P>Pesquisa e ensino</P>
<P>"Antigamente, os pesquisadores que se destacavam continuavam na universidade, faziam outras coisas, saíam de uma universidade e iam para outra, tinham alta mobilidade, e iam formando gente e fazendo pesquisa o tempo todo. Hoje, a tendência não é bem assim. A tendência é, ao dar os 30, 35, 40 anos [necessários para aposentar], ir embora mesmo. Isso está acontecendo muito na universidade. E também nos institutos de pesquisa. O pessoal não vai muito longe.</P>
<P>Mas existem os instrumentos [para continuar trabalhando]. A gente não pode parar. Tem que continuar. Eu gosto. Faço isso por <EM>hobby </EM>mesmo. Fazer pesquisa é quase diversão. Para quem gosta, é. E conheço muita gente que faz isso porque gosta."</P>
<P><FONT size=1>(Vinicius Neder, do Jornal da Ciência)</FONT></P>
<P>Nota da redação: Esta entrevista foi publicada na edição 665 do "Jornal da Ciência", que tem conteúdo exclusivo. Informações sobre como assinar a edição impressa pelo fone (21) 2295-5284 ou e-mail <A href="mailto:jciencia@jornaldaciencia.org.br">jciencia@jornaldaciencia.org.br</A></P>
<P>O agrônomo e geneticista João Lúcio de Azevedo, professor aposentado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, já formou 170 mestres e doutores, mas tem certeza de que o Brasil precisa de mais. Lembrando que o número de pesquisadores por habitante no país ainda é baixo, Azevedo vaticina: "vamos ter que formar mais gente". Isso é necessário para vencer o maior desafio da ciência brasileira atualmente, segundo Azevedo: integrar a pesquisa básica à aplicada e incentivar a inovação tecnológica.</P>
<P>Na avaliação de Azevedo, dois aspectos são fundamentais na formação de um pesquisador: boa base no ensino médio e a orientação de profissionais experientes. Em entrevista ao "JC", o geneticista conta que começou a pesquisar por incentivo de um professor do ensino médio. Por isso, para ele, é "preciso melhorar o ensino médio também", caso o Brasil queira fomentar a inovação tecnológica.</P>
<P>Formado na Esalq/USP, com Ph.D na Inglaterra, e especializado em genética de micro-organismos aplicada à agricultura, Azevedo foi recentemente agraciado com o título de pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele reconhece os avanços do sistema nacional de C&T, sobretudo com o desenvolvimento da pós-graduação, destacando que o intercâmbio com o exterior, por meio de pós-doutorados, continua importante.</P>
<P>Hoje, Azevedo segue orientando na Esalq/USP e é coordenador de Microbiologia do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), instituição de pesquisa operada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). "A gente não pode parar. Tem que continuar", diz o pesquisador, que tem passagens, além da USP, pelas universidades Estadual de Campinas (Unicamp), de Brasília (UnB), de Mogi das Cruzes (UMC), Federal de Goiás (UFG), de Caxias do Sul (UCS). Entre 1983 e 1985, foi membro da diretoria da SBPC, durante a presidência de Crodowaldo Pavan.</P>
<P>Leia trechos da entrevista concedida por Azevedo:</P>
<P>Formação</P>
<P>"Estudei em São Paulo, na capital, no Colégio São Luís, e havia um professor de genética que era muito bom. Ele tinha ascendência alemã: professor Tarbor. Ele incentivou muito o pessoal a fazer genética. Aí eu disse: "bom, eu quero fazer genética agora". Ele falou: "O melhor lugar para fazer genética atualmente é Piracicaba". Quando foi criada a USP, eles trouxeram um professor da Alemanha, que ele conhecia, evidentemente, que era o professor [Friederich Gustav] Brieger. E ele era um discípulo de um redescobridor das leis de [Gregor] Mendel.</P>
<P>Aí, eu fui fazer faculdade em Piracicaba (SP). Fiz o vestibular e passei. Isso foi em 1958. Esse professor de genética em Piracicaba tinha uma verba grande para bolsas de iniciação científica. Eu me inscrevi, passei e comecei a fazer genética. Esse foi o início. Ele me incentivou a fazer uma genética que não existia praticamente no Brasil, que era genética de micro-organismos. Então fiz meu doutorado aqui na USP e depois ele me incentivou a ir para a Inglaterra, onde eu fiz outro doutorado, um Ph.D. Voltei e comecei a carreira científica na universidade."</P>
<P>Formação na atualidade</P>
<P>"O ensino médio era melhor. Os alunos que entravam na universidade tinham uma formação melhor do que têm atualmente. Hoje, o pessoal é bem mais despreparado, em média. Mas, em compensação, tem outro ponto que foi muito importante para o Brasil: hoje tem informática, a comunicação é muito fácil. Antigamente, o pessoal vinha preparado, mas não tinha condição de ter acesso às revistas, aos trabalhos da época. Era tudo demorado, as revistas não existiam todas aqui no Brasil. Isso mudou muito e para melhor. Antigamente, um trabalho em uma revista como a "Nature"<EM> </EM>levava uns seis meses para chegar aqui. Ao passo que hoje, no dia seguinte, já conhecemos tudo."</P>
<P>Formação no exterior</P>
<P>"Temos que dar um voto de louvor para a formação de pós-graduação no Brasil. Isso foi a Capes. Não tínhamos pós-graduação no Brasil. Ela começou nos anos 1960. Hoje, já são milhares de programas de pós-graduação no país inteiro. Em praticamente todas as áreas do conhecimento dá para dar uma formação muito boa de pesquisadores aqui no Brasil mesmo. Agora, o contato [com o exterior] continua sendo extremamente importante. O que é importante é o pessoal fazer pós-doutorado, que pode ser de um ano, seis meses, até dois anos, no máximo, que também não tira a raiz da pessoa.</P>
<P>Uma coisa que acontecia antigamente é que a pessoa saía para fazer doutorado e aí fazia um problema lá do exterior. E voltava e não sabia o que fazer depois aqui. Hoje não. Fazendo o doutorado, sabe-se exatamente quais são os problemas que existem no Brasil."</P>
<P>Intercâmbio</P>
<P>"Além de fazer o pós-doutorado no exterior, é muito importante também a vinda do pesquisador estrangeiro. Não precisa ficar muito tempo. Hoje, diminuiu muito esse intercâmbio. É preciso fortalecer. Mesmo porque, naquele tempo, vinha um professor de genética, um professor de botânica. Hoje, são diversas especialidades dentro da genética - molecular, genética de micro-organismos, a quantitativa, de populações. Então complicou. O pessoal ficou mais especializado, de modo que precisa vir mais gente. Não é preciso ficar a vida inteira. Mas o importante é ter esse contato, por alguns meses, um ano.</P>
<P>Quando comecei, a ida de um brasileiro para o exterior era uma dificuldade. Os mais velhos falavam: "olha, consegui para você uma vaga lá na Inglaterra, lá nos Estados Unidos". Isso mudou. Hoje, eles [no exterior] é que querem. O brasileiro hoje é mão de obra especializada, de bom nível, e ainda leva o dinheiro."</P>
<P>Campo de pesquisa</P>
<P>"Quando nós começamos a fazer genética de micro-organismos, ela era praticamente zero. Esse professor Brieger tinha uma visão grande. Ela dizia: "olha, você vai fazer micro-organismo, porque não existe no Brasil e micro-organismo se reproduz fácil" [o que facilita a pesquisa em genética]. Ele trouxe, primeiro, um pesquisador americano [Milislav Deme-rec, de origem croata], que veio e deu um curso [em 1960]. Isso foi muito importante. Três pessoas fizeram esse curso. Eu fui uma delas. As outras foram o professor Luiz Hildebrando Pereira da Silva e a professora, já falecida, [Rahme] Nelly Neder. Nós começamos a fazer micro-organismos.</P>
<P>Aí, eu pensei no seguinte: "o número de pesquisadores em genética de micro-organismos é zero. Então, vamos começar a formar gente". E a minha função, nestes 40 anos, foi formar gente. Mestres e doutores. No fim, foram 170 mestres e doutores que formei; 172 hoje. E isso se espalhou pelo Brasil inteiro.</P>
<P>Junto com isso, nós fizemos também uma reunião, que hoje já está na 25ª edição, a Reunião de Genética de Micro-organismos. Essa reunião começou com 11 pessoas, em 1973. Hoje, são mais de 400 que se reúnem, porque outros grupos também se uniram. Esses grupos começaram a se desenvolver também, a formar mais gente. Pode aumentar muito mais? Claro que pode. Mas, por outro lado, de um [pesquisador] passamos para centenas."</P>
<P>Inovação<STRONG> </STRONG></P>
<P><STRONG>"</STRONG>Publicamos 2% das publicações do mundo. Então o Brasil não está mal, está lá, entre o décimo e o vigésimo lugar. Mas tem uma falha imensa, que é patente, a parte de integração universidade-empresa, de inovação tecnológica. Aí nós estamos ruins. Donde se conclui que são muitas publicações que não geram alguma coisa útil para a sociedade. Podem até gerar no futuro, mas atualmente não estão gerando. Então o que realmente falta ao Brasil é essa integração maior entre o básico e o aplicado."</P>
<P>Ambiente científico</P>
<P>"Avançou, mas a população brasileira também aumentou. Se você pensar em termos de quantidade de pesquisadores por número de habitantes, nós estamos mal ainda. Então, vamos ter que formar mais gente. Agora, será preciso melhorar o ensino médio também. Porque também não adianta: se nós não tivermos material humano para trabalhar, dificilmente vamos chegar lá.</P>
<P>Se pegar o tempo em que eu comecei a trabalhar e hoje, nós temos mais verba para pesquisa. Há verbas estaduais, verba federal, tem CNPq, Capes, Finep. Um bom pesquisador consegue verba. Agora, não é também um negócio de louco. Tem que aumentar muito mais o dinheiro investido e aí entram as empresas."</P>
<P>Pesquisa e ensino</P>
<P>"Antigamente, os pesquisadores que se destacavam continuavam na universidade, faziam outras coisas, saíam de uma universidade e iam para outra, tinham alta mobilidade, e iam formando gente e fazendo pesquisa o tempo todo. Hoje, a tendência não é bem assim. A tendência é, ao dar os 30, 35, 40 anos [necessários para aposentar], ir embora mesmo. Isso está acontecendo muito na universidade. E também nos institutos de pesquisa. O pessoal não vai muito longe.</P>
<P>Mas existem os instrumentos [para continuar trabalhando]. A gente não pode parar. Tem que continuar. Eu gosto. Faço isso por <EM>hobby </EM>mesmo. Fazer pesquisa é quase diversão. Para quem gosta, é. E conheço muita gente que faz isso porque gosta."</P>
<P><FONT size=1>(Vinicius Neder, do Jornal da Ciência)</FONT></P>
<P>Nota da redação: Esta entrevista foi publicada na edição 665 do "Jornal da Ciência", que tem conteúdo exclusivo. Informações sobre como assinar a edição impressa pelo fone (21) 2295-5284 ou e-mail <A href="mailto:jciencia@jornaldaciencia.org.br">jciencia@jornaldaciencia.org.br</A></P>