Voltar para Notícias
Governo promete "ponte" para empresário inovar
20/04/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70345
Setor privado pretende investir 65% mais este ano<BR><BR>
<P>Com R$ 3,2 bilhões previstos no fundo oficial para financiar projetos de inovação, o FNDCT, e algo próximo a R$ 6 bilhões nas linhas do BNDES para a mesma atividade, era de se esperar que pululassem casos como o do recente acordo entre a Vale Soluções em Energia (VSE) e a sueca Scania, para desenvolver produtos inéditos - no caso, motores para geração de energia movidos a etanol.</P>
<P>Em 2010, o setor privado anuncia investir, em inovação, quase 65% mais que no ano passado. Mas, no próprio governo, há quem endosse as queixas de empresários, frustrados pela dificuldade do país em mudar de patamar e chegar à meta de investir 0,65% do PIB em inovação.</P>
<P>"Existe uma ponte entre os recursos abundantes e as empresas, mas essa ponte ainda não é suficientemente firme, e, sobretudo, não é muito sinalizada", reconhece o ex-secretário de Tecnologia do Ministério do Desenvolvimento, Francelino Grando, titular da recém-criada Secretaria de Inovação.</P>
<P>Grando diz que os empresários têm parte de culpa, por "comodismo" ou "timidez" no uso da internacionalização como alavanca para encontrar novas tecnologias.</P>
<P>Mas ele endossa a crítica feita por um dos maiores especialistas na área, Roberto Nicolsky, da Protec, para quem as verbas do governo em inovação são excessivamente voltadas para atividades acadêmicas, e não para aplicações produtivas. "Do lado do governo, o Ministério da Ciência e Tecnologia tornou-se o interlocutor único nesse campo, e há uma defasagem de linguagem que todos reconhecem, até no próprio ministério", comenta. "Há defasagem de tempo, de linguagem, de lógica mesmo; sempre deixou a indústria pouco à vontade. "</P>
<P>Grando discorda de quem vê nessa crítica atrito entre os ministérios do Desenvolvimento e o da Ciência e Tecnologia. Ele tenta mostrar exatamente o contrário: com uma secretaria especialmente para identificar as necessidades do setor privado, e com pessoal especializado no desenvolvimento tecnológico voltado à aplicação prática nas empresas, será possível dar ao Ministério da Ciência e Tecnologia instrumentos para alcançar as metas do governo.</P>
<P>Análise recente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) mostrou que mais de 60% do incentivo fornecido ao governo para inovação se concentra na Lei da Informática, quase uma compensação para as empresas não beneficiadas pelas vantagens fiscais da Zona Franca de Manaus.</P>
<P>Embora 30 mil empresas declarem inovar e 6 mil tenham atividades de pesquisa e desenvolvimento, segundo o IBGE, apenas 800 se beneficiam dos incentivos oficiais para inovação, da Lei do Bem ou da Lei de Informática. Esse pequeno alcance dos instrumentos do governo exige uma aproximação maior com o setor privado, que, diz Francelino Grando, é uma ambição da nova secretaria.</P>
<P>"Há recursos, mas eles precisam ser mais bem focados", comenta Grando. Um dos focos, diz ele, será o "desenvolvimento sustentável"; outro, a internacionalização de empresas, como forma de obter novas tecnologias e produtos.</P>
<P>O caso da VSE, associação entre a Vale e o BNDES, e a Scania é fruto de um acordo do Brasil com o governo sueco. Acordo semelhante foi realizado com a França, e neste mês foram escolhidas quatro empresas brasileiras e quatro francesas para projetos conjuntos em nanotecnologia, saúde, aeronáutica e meio ambiente.</P>
<P>"O Brasil ainda não tem, como Cingapura, Canadá, Malásia, recursos para internacionalização de empresas com foco em inovação", nota o secretário, que quer atrair empresas com as verbas já existentes. "No fim dos anos 90, a França tinha um programa desse tipo, o Delta, e chegou a nós uma lista de empresas, mas não tínhamos o que fazer, não tínhamos recursos", lembra.</P>
<P>Roberto Nicolsky, referência no tema, costuma falar em "apagão tecnológico", a perda de competitividade das indústrias brasileiras de mais alta tecnologia - em entrevista recente a uma revista especializada, ele lembrou que cresce o déficit do Brasil no comércio desse tipo de produtos (de aviões a farmacêuticos): em 2006, o país importava US$ 13 bilhões a mais do que exportava em produtos de média-alta e alta tecnologia; em 2009 a diferença chegou a US$ 45 bilhões, calcula.</P>
<P>No ano passado, enquanto o Brasil registrou 130 patentes no escritório de patentes dos EUA, a China chegou a mais de 1,9 mil.</P>
<P>Grando acredita que a aproximação maior com os empresários pode mudar esse cenário gradualmente. A burocracia, maior queixa do setor privado, vem sendo enfrentada com projetos de formação dos controladores, em secretarias da receita federal e estaduais, fiscais do Trabalho e outros funcionários. "Estamos mostrando que as empresas inovadoras têm de ter tratamento diferenciado", diz Grando. "É uma batalha, mas dá para vencer a guerra."</P>
<P>Outro front é o dos recursos; embora o secretário garanta que o governo cumpre a promessa de não mais contingenciar recursos na área, o orçamento do FNDCT, com a crise, teve retido R$ 804 milhões na reserva de contingência. "Vamos ter zero de contingenciamento, e começamos as liberações a partir de junho", promete o secretário.</P>
<P><FONT size=1>(Sergio Leo)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Valor Econômico, 19/4)</FONT></P>
<P>Com R$ 3,2 bilhões previstos no fundo oficial para financiar projetos de inovação, o FNDCT, e algo próximo a R$ 6 bilhões nas linhas do BNDES para a mesma atividade, era de se esperar que pululassem casos como o do recente acordo entre a Vale Soluções em Energia (VSE) e a sueca Scania, para desenvolver produtos inéditos - no caso, motores para geração de energia movidos a etanol.</P>
<P>Em 2010, o setor privado anuncia investir, em inovação, quase 65% mais que no ano passado. Mas, no próprio governo, há quem endosse as queixas de empresários, frustrados pela dificuldade do país em mudar de patamar e chegar à meta de investir 0,65% do PIB em inovação.</P>
<P>"Existe uma ponte entre os recursos abundantes e as empresas, mas essa ponte ainda não é suficientemente firme, e, sobretudo, não é muito sinalizada", reconhece o ex-secretário de Tecnologia do Ministério do Desenvolvimento, Francelino Grando, titular da recém-criada Secretaria de Inovação.</P>
<P>Grando diz que os empresários têm parte de culpa, por "comodismo" ou "timidez" no uso da internacionalização como alavanca para encontrar novas tecnologias.</P>
<P>Mas ele endossa a crítica feita por um dos maiores especialistas na área, Roberto Nicolsky, da Protec, para quem as verbas do governo em inovação são excessivamente voltadas para atividades acadêmicas, e não para aplicações produtivas. "Do lado do governo, o Ministério da Ciência e Tecnologia tornou-se o interlocutor único nesse campo, e há uma defasagem de linguagem que todos reconhecem, até no próprio ministério", comenta. "Há defasagem de tempo, de linguagem, de lógica mesmo; sempre deixou a indústria pouco à vontade. "</P>
<P>Grando discorda de quem vê nessa crítica atrito entre os ministérios do Desenvolvimento e o da Ciência e Tecnologia. Ele tenta mostrar exatamente o contrário: com uma secretaria especialmente para identificar as necessidades do setor privado, e com pessoal especializado no desenvolvimento tecnológico voltado à aplicação prática nas empresas, será possível dar ao Ministério da Ciência e Tecnologia instrumentos para alcançar as metas do governo.</P>
<P>Análise recente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) mostrou que mais de 60% do incentivo fornecido ao governo para inovação se concentra na Lei da Informática, quase uma compensação para as empresas não beneficiadas pelas vantagens fiscais da Zona Franca de Manaus.</P>
<P>Embora 30 mil empresas declarem inovar e 6 mil tenham atividades de pesquisa e desenvolvimento, segundo o IBGE, apenas 800 se beneficiam dos incentivos oficiais para inovação, da Lei do Bem ou da Lei de Informática. Esse pequeno alcance dos instrumentos do governo exige uma aproximação maior com o setor privado, que, diz Francelino Grando, é uma ambição da nova secretaria.</P>
<P>"Há recursos, mas eles precisam ser mais bem focados", comenta Grando. Um dos focos, diz ele, será o "desenvolvimento sustentável"; outro, a internacionalização de empresas, como forma de obter novas tecnologias e produtos.</P>
<P>O caso da VSE, associação entre a Vale e o BNDES, e a Scania é fruto de um acordo do Brasil com o governo sueco. Acordo semelhante foi realizado com a França, e neste mês foram escolhidas quatro empresas brasileiras e quatro francesas para projetos conjuntos em nanotecnologia, saúde, aeronáutica e meio ambiente.</P>
<P>"O Brasil ainda não tem, como Cingapura, Canadá, Malásia, recursos para internacionalização de empresas com foco em inovação", nota o secretário, que quer atrair empresas com as verbas já existentes. "No fim dos anos 90, a França tinha um programa desse tipo, o Delta, e chegou a nós uma lista de empresas, mas não tínhamos o que fazer, não tínhamos recursos", lembra.</P>
<P>Roberto Nicolsky, referência no tema, costuma falar em "apagão tecnológico", a perda de competitividade das indústrias brasileiras de mais alta tecnologia - em entrevista recente a uma revista especializada, ele lembrou que cresce o déficit do Brasil no comércio desse tipo de produtos (de aviões a farmacêuticos): em 2006, o país importava US$ 13 bilhões a mais do que exportava em produtos de média-alta e alta tecnologia; em 2009 a diferença chegou a US$ 45 bilhões, calcula.</P>
<P>No ano passado, enquanto o Brasil registrou 130 patentes no escritório de patentes dos EUA, a China chegou a mais de 1,9 mil.</P>
<P>Grando acredita que a aproximação maior com os empresários pode mudar esse cenário gradualmente. A burocracia, maior queixa do setor privado, vem sendo enfrentada com projetos de formação dos controladores, em secretarias da receita federal e estaduais, fiscais do Trabalho e outros funcionários. "Estamos mostrando que as empresas inovadoras têm de ter tratamento diferenciado", diz Grando. "É uma batalha, mas dá para vencer a guerra."</P>
<P>Outro front é o dos recursos; embora o secretário garanta que o governo cumpre a promessa de não mais contingenciar recursos na área, o orçamento do FNDCT, com a crise, teve retido R$ 804 milhões na reserva de contingência. "Vamos ter zero de contingenciamento, e começamos as liberações a partir de junho", promete o secretário.</P>
<P><FONT size=1>(Sergio Leo)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Valor Econômico, 19/4)</FONT></P>