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Em busca de um protagonismo internacional

08/04/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70099
País precisa fortalecer a cooperação com outros países e aumentar a inserção em grandes projetos de ciência, alertaram especialistas em seminário preparatório para a 4ª CNCTI<BR><BR>
<P>A participação internacional da ciência brasileira tem crescido nos últimos anos, principalmente em termos quantitativos - o país ocupa atualmente o 13º lugar no ranking da produção científica mundial.</P>
<P>No entanto, o impacto da produção nacional ainda é pequeno em relação à média dos países desenvolvidos. Além disso, no grupo dos BRIC, China e Índia avançam nesse quesito em velocidade muito superior à do Brasil. Ao mesmo tempo, a cooperação com esses países ainda é pequena, assim como a participação brasileira em grandes projetos internacionais.</P>
<P>Diante desse contexto, o que fazer para fortalecer a cooperação com outros países e garantir um protagonismo internacional? Essa foi uma das questões discutidas na sessão "Internacionalização da ciência brasileira", parte do primeiro seminário temático preparatório para a 4ª Conferência Nacional de CT&amp;I (4ª CNCTI), realizado na segunda-feira (5/4), na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro.</P>
<P>O presidente da ABC e coordenador da sessão, Jacob Palis, propôs o aumento do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) investido em C&amp;T dos atuais 1,3% para 3%, num horizonte de 10 a 12 anos. "A Índia, por exemplo, está longe desse patamar, mas tem um crescimento muito veloz. Precisamos de uma ação contundente para sermos protagonistas da ciência mundial", avaliou.</P>
<P>Segundo Palis, o Brasil já é competitivo, em termos de remuneração e condições de trabalho, nos estágios iniciais da carreira em algumas áreas. Ele citou como exemplo uma bolsa para pesquisador oferecida recentemente pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), que atraiu 70 candidatos - todos estrangeiros.</P>
<P>Em níveis de maior excelência, no entanto, o país ainda precisa avançar. Um indicador disso é a pouca participação brasileira em grandes projetos internacionais nas áreas de ponta. Na astronomia, por exemplo, o país aparece ainda de forma marginal nas ações de colaboração, lamenta Beatriz Barbuy, pesquisadora da USP e vice-presidente da União Astronômica Internacional.</P>
<P>"O Brasil precisa de recursos para entrar em grandes projetos internacionais. Atualmente ficamos com migalhas, entrando apenas como colaboradores nos consórcios, ou submetendo projetos sem pagar", observa Barbuy.</P>
<P>A pesquisadora citou o projeto de construção de três telescópios gigantes, dois no Chile e um no Havaí, cada um deles orçado em 100 milhões de dólares. "Participar de um dos três telescópios é um objetivo que temos. São projetos caros, mas quando o Brasil poderá entrar com uma porcentagem?", questiona.</P>
<P>Ricardo Galvão, diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), concorda: "Se não participamos desses grandes projetos, podemos ser relegados a uma situação que inviabiliza completamente o desenvolvimento de determinadas áreas no país. Temos que priorizar colaborações internacionais em grandes laboratórios, que levem a uma contribuição científica destacada. Temos que ambicionar uma posição de liderança."</P>
<P>Em termos gerais, há pouco esforço de articulação entre os grupos existentes no país. No Centro Europeu de Energia Nuclear (Cern, na sigla em inglês), por exemplo, o Brasil tem entre 60 e 70 pesquisadores, de diferentes instituições, distribuídos por vários projetos.</P>
<P>O diretor do CBPF ressaltou que países como China e Índia concentram suas atividades de colaboração em um único projeto, não em iniciativas individuais. Esses países, segundo Galvão, possuem uma instância superior que decide as prioridades e não permite a apresentação de projetos individuais, como acontece no Brasil.</P>
<P><FONT size=1>(Daniela Oliveira, do Jornal da Ciência)</FONT></P>
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