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Um "Vale do Silício" para o pré-sal
09/03/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=69475
Petrobras e UFRJ trabalham para transformar a Ilha do Fundão, no Rio, no ''Vale do Silício'' das pesquisas de petróleo<BR><BR>
<P>Inspirados no modelo que deu origem ao Vale do Silício, na Califórnia, Petrobras e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) trabalham para transformar a Ilha do Fundão no maior centro global de pesquisa tecnológica do setor de petróleo.</P>
<P>O esforço já conseguiu a proeza de colocar lado a lado os três maiores prestadores de serviço de perfuração de poços do mundo. Ao todo, o projeto do Parque Tecnológico do Rio já atraiu 200 empresas dos mais variados portes e espera fazer do local um polo exportador de conhecimento.</P>
<P>"Isso aqui será um local único no mundo", orgulha-se o diretor do Parque Tecnológico, Maurício Guedes, enquanto mostra as modernas instalações do centro de pesquisa em imagens em 3D e do Laboratório Oceânico, usado para simular as condições marítimas, ambos em operação. Sede do campus principal da UFRJ, a Ilha do Fundão já conta com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes). Além da Coppe, instituto de engenharia que é um dos maiores parceiros da estatal.</P>
<P>Com 350 mil metros quadrados, a área do parque é hoje um imenso canteiro de obras, com a construção de centros de pesquisa de variadas especialidades. A maior parte, porém, tem relação com o setor de petróleo, diante da necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias para a exploração do pré-sal. Ao lado do Laboratório Oceânico, por exemplo, há um canteiro onde serão erguidos os laboratórios da gigante francesa Schlumberger, uma das três maiores prestadoras de serviço de perfuração de poços.</P>
<P>Sua concorrente Baker Hughes, com sede nos Estados Unidos, vai erguer seu centro na quadra vizinha. As duas empresas dividem com a Halliburton o mercado e foram convidadas pela Petrobras para desenvolver ferramentas e materiais compatíveis com o tipo de rocha encontrada abaixo do sal.</P>
<P>"Não há, no mundo, tecnologia para essa rocha. Então resolvemos que a pesquisa deverá ser feita no Brasil, para nacionalizar também o desenvolvimento científico", diz o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella.</P>
<P>A Baker Hughes, por exemplo, vai investir cerca de US$ 50 milhões na construção de seus laboratórios, que devem empregar entre 100 e 110 pessoas, a maioria pesquisadores com alto grau de especialização. A empresa já iniciou a contratação de geólogos, geofísicos e engenheiros, entre outros, que passarão por treinamento em centros de pesquisa da empresa no exterior antes do início das atividades no país, previsto para o início do ano que vem.</P>
<P>A necessidade de reduzir prazos e custos de perfuração e a crescente importância do Brasil, em geral, e da Petrobras, como cliente, motivaram o investimento, diz o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Baker Hughes no Brasil, Maurício Figueiredo. A proximidade com o centro de pesquisas da Petrobras, reconhecido internacionalmente, é outro fator que atrai as companhias à Ilha do Fundão.</P>
<P>"Estar ali, a 500 metros do Cenpes, facilita a troca de informações", comenta o diretor de Pesquisa e Inovação da Usiminas, Darcton Policarpo Damião. Em fevereiro, a companhia assinou convênio com a Coppe para desenvolver aços especiais para o pré-sal com o auxílio do Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem do instituto, um dos mais modernos do mundo. Os trabalhos serão desenvolvidos em um centro de pesquisas que a siderúrgica construirá no Parque Tecnológico.</P>
<P>A fabricante de equipamentos submarinos FMC é outra que já se comprometeu com a abertura de um laboratório no local, que terá ainda laboratórios de desenvolvimento de tecnologias de recuperação de ecossistemas e de automação industrial, entre outros. Segundo Guedes, toda a área do Parque do Rio já está negociada e há planos de ampliação do espaço para receber novas empresas. A expectativa da direção é que, em três a quatro anos, cinco mil pesquisadores trabalhem no local.</P>
<P>Muitos virão de fora do país, admite Figueiredo, da Baker Hughes. Para Guedes, porém, a interação com especialistas de locais diferentes é positiva, por permitir a troca de experiências. "A comunidade científica já trabalha de forma global", aponta. No caso do Parque Tecnológico do Rio, diz, a grande vantagem é trazer as empresas para o convívio com a comunidade. "O problema é que ainda não conseguimos transformar o desenvolvimento científico em riqueza. Acho que agora conseguiremos."</P>
<P>O parque já é sede de um exemplo de como a inovação pode ser transformada em negócio. Resultado de pesquisas no Laboratório de Métodos Computacionais de Engenharia da Coppe, a Virtually comercializa um simulador de operação de caminhões e guindastes de grande porte, como os usados em portos e plataformas petrolíferas. O equipamento, que custa entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão, já está no mercado, inclusive internacional, com duas unidades operando na Itália.</P>
<P>A tecnologia recebeu Atestado de Exclusividade de Produção Nacional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O software pode ser trabalhado para simular a operação em portos brasileiros. "É um exemplo de como a pesquisa pode se transformar em produto e depois retornar em benefício para a universidade", diz Gerson Gomes Cunha, um dos sócios da Virtually. Parte da receita é devolvida ao laboratório, a título de royalties, para ser aplicada em novas pesquisas.</P>
<P>O projeto inicial do parque não tinha foco no petróleo, conta Guedes, mas a demanda por novas tecnologias para o setor alterou a ideia original. Ele destaca que a legislação brasileira, que destina 1% da receita com a produção de óleo e gás para pesquisa, deu impulso extra ao projeto. Só no ano passado, a rubrica rendeu mais de R$ 600 milhões em convênios com universidades no Brasil.</P>
<P>Para as grandes empresas, porém, ainda há questões a serem equacionadas antes que o parque deslanche, notadamente na área de infraestrutura. A Ilha do Fundão é um local de difícil acesso e com problemas de segurança, o que pode afugentar pesquisadores, ressalta o vice-presidente da Baker Hughes. "É preciso de apoio do poder público, com saneamento, iluminação e policiamento", conclui.</P>
<P>Petrobras investe quase R$ 1 bi em centro de pesquisa</P>
<P>Além do papel de atrair empresas para o Parque Tecnológico do Rio, a Petrobras vem investindo na ampliação do próprio centro de pesquisa, reconhecido no mercado internacional pela especialização em águas profundas. O investimento, de R$ 900 milhões, mais do que duplicará a área, passando de 122 mil para 305 mil metros quadrados. Com arquitetura ousada, o edifício terá foco nas atividades do pré-sal e no desenvolvimento de energias renováveis.</P>
<P>Com a ampliação, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes) passará a ter 227 laboratórios. Um dos mais modernos será destinado à visualização em 3D de dados do subsolo e equipamentos. "Lá, o engenheiro poderá entrar na estrutura que estiver projetando", conta o diretor de exploração e produção da estatal, Guilherme Estrella. Toda em estrutura metálica, a obra impressiona quem passa pelo campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</P>
<P>"Não há empresa no mundo investindo em pesquisa como a Petrobras", comenta o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Baker Hughes, Maurício Figueiredo. Os gastos nesse segmento são fruto da necessidade de ampliar a produção de petróleo em condições diferentes das principais bacias produtoras no mundo.</P>
<P>"A Petrobras chegou aqui na década de 60 pensando em pesquisar refino, mas, com a descoberta da Bacia de Campos, precisou focar em tecnologias para águas profundas", destaca o diretor do Parque Tecnológico do Rio, Maurício Guedes.</P>
<P>O Cenpes coleciona alguns prêmios internacionais pelas tecnologias desenvolvidas. Com a descoberta do pré-sal, a importância da pesquisa é ainda maior. Nenhuma região no mundo tem produção marítima em rochas semelhantes às encontradas abaixo do sal na costa brasileira. Além disso, as reservas estão a uma distância de 300 quilômetros da costa e a mais de 5 mil metros de profundidade, o que amplia o desafio.</P>
<P>Para os especialistas entrevistados pelo Estado, uma das grandes vantagens no crescimento dos investimentos em pesquisa petrolífera está na criação de empregos altamente qualificados. São pesquisadores com doutorado, pós-doutorado e cursos no exterior. A busca por esses profissionais, por sinal, é o principal desafio das empresas que querem se instalar no Brasil.</P>
<P>O aumento na circulação desse tipo de profissional já provoca mudanças no dia a dia da universidade. A área do Parque Tecnológico, por exemplo, recebeu o investimento na abertura de uma filial de um restaurante mais sofisticado da zona sul da cidade, que contrasta com os tradicionais trailers que garantem a alimentação da maior parte dos alunos.</P>
<P><FONT size=1>(Nicola Pamplona)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 7/3)</FONT></P>
<P>Inspirados no modelo que deu origem ao Vale do Silício, na Califórnia, Petrobras e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) trabalham para transformar a Ilha do Fundão no maior centro global de pesquisa tecnológica do setor de petróleo.</P>
<P>O esforço já conseguiu a proeza de colocar lado a lado os três maiores prestadores de serviço de perfuração de poços do mundo. Ao todo, o projeto do Parque Tecnológico do Rio já atraiu 200 empresas dos mais variados portes e espera fazer do local um polo exportador de conhecimento.</P>
<P>"Isso aqui será um local único no mundo", orgulha-se o diretor do Parque Tecnológico, Maurício Guedes, enquanto mostra as modernas instalações do centro de pesquisa em imagens em 3D e do Laboratório Oceânico, usado para simular as condições marítimas, ambos em operação. Sede do campus principal da UFRJ, a Ilha do Fundão já conta com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes). Além da Coppe, instituto de engenharia que é um dos maiores parceiros da estatal.</P>
<P>Com 350 mil metros quadrados, a área do parque é hoje um imenso canteiro de obras, com a construção de centros de pesquisa de variadas especialidades. A maior parte, porém, tem relação com o setor de petróleo, diante da necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias para a exploração do pré-sal. Ao lado do Laboratório Oceânico, por exemplo, há um canteiro onde serão erguidos os laboratórios da gigante francesa Schlumberger, uma das três maiores prestadoras de serviço de perfuração de poços.</P>
<P>Sua concorrente Baker Hughes, com sede nos Estados Unidos, vai erguer seu centro na quadra vizinha. As duas empresas dividem com a Halliburton o mercado e foram convidadas pela Petrobras para desenvolver ferramentas e materiais compatíveis com o tipo de rocha encontrada abaixo do sal.</P>
<P>"Não há, no mundo, tecnologia para essa rocha. Então resolvemos que a pesquisa deverá ser feita no Brasil, para nacionalizar também o desenvolvimento científico", diz o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella.</P>
<P>A Baker Hughes, por exemplo, vai investir cerca de US$ 50 milhões na construção de seus laboratórios, que devem empregar entre 100 e 110 pessoas, a maioria pesquisadores com alto grau de especialização. A empresa já iniciou a contratação de geólogos, geofísicos e engenheiros, entre outros, que passarão por treinamento em centros de pesquisa da empresa no exterior antes do início das atividades no país, previsto para o início do ano que vem.</P>
<P>A necessidade de reduzir prazos e custos de perfuração e a crescente importância do Brasil, em geral, e da Petrobras, como cliente, motivaram o investimento, diz o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Baker Hughes no Brasil, Maurício Figueiredo. A proximidade com o centro de pesquisas da Petrobras, reconhecido internacionalmente, é outro fator que atrai as companhias à Ilha do Fundão.</P>
<P>"Estar ali, a 500 metros do Cenpes, facilita a troca de informações", comenta o diretor de Pesquisa e Inovação da Usiminas, Darcton Policarpo Damião. Em fevereiro, a companhia assinou convênio com a Coppe para desenvolver aços especiais para o pré-sal com o auxílio do Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem do instituto, um dos mais modernos do mundo. Os trabalhos serão desenvolvidos em um centro de pesquisas que a siderúrgica construirá no Parque Tecnológico.</P>
<P>A fabricante de equipamentos submarinos FMC é outra que já se comprometeu com a abertura de um laboratório no local, que terá ainda laboratórios de desenvolvimento de tecnologias de recuperação de ecossistemas e de automação industrial, entre outros. Segundo Guedes, toda a área do Parque do Rio já está negociada e há planos de ampliação do espaço para receber novas empresas. A expectativa da direção é que, em três a quatro anos, cinco mil pesquisadores trabalhem no local.</P>
<P>Muitos virão de fora do país, admite Figueiredo, da Baker Hughes. Para Guedes, porém, a interação com especialistas de locais diferentes é positiva, por permitir a troca de experiências. "A comunidade científica já trabalha de forma global", aponta. No caso do Parque Tecnológico do Rio, diz, a grande vantagem é trazer as empresas para o convívio com a comunidade. "O problema é que ainda não conseguimos transformar o desenvolvimento científico em riqueza. Acho que agora conseguiremos."</P>
<P>O parque já é sede de um exemplo de como a inovação pode ser transformada em negócio. Resultado de pesquisas no Laboratório de Métodos Computacionais de Engenharia da Coppe, a Virtually comercializa um simulador de operação de caminhões e guindastes de grande porte, como os usados em portos e plataformas petrolíferas. O equipamento, que custa entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão, já está no mercado, inclusive internacional, com duas unidades operando na Itália.</P>
<P>A tecnologia recebeu Atestado de Exclusividade de Produção Nacional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O software pode ser trabalhado para simular a operação em portos brasileiros. "É um exemplo de como a pesquisa pode se transformar em produto e depois retornar em benefício para a universidade", diz Gerson Gomes Cunha, um dos sócios da Virtually. Parte da receita é devolvida ao laboratório, a título de royalties, para ser aplicada em novas pesquisas.</P>
<P>O projeto inicial do parque não tinha foco no petróleo, conta Guedes, mas a demanda por novas tecnologias para o setor alterou a ideia original. Ele destaca que a legislação brasileira, que destina 1% da receita com a produção de óleo e gás para pesquisa, deu impulso extra ao projeto. Só no ano passado, a rubrica rendeu mais de R$ 600 milhões em convênios com universidades no Brasil.</P>
<P>Para as grandes empresas, porém, ainda há questões a serem equacionadas antes que o parque deslanche, notadamente na área de infraestrutura. A Ilha do Fundão é um local de difícil acesso e com problemas de segurança, o que pode afugentar pesquisadores, ressalta o vice-presidente da Baker Hughes. "É preciso de apoio do poder público, com saneamento, iluminação e policiamento", conclui.</P>
<P>Petrobras investe quase R$ 1 bi em centro de pesquisa</P>
<P>Além do papel de atrair empresas para o Parque Tecnológico do Rio, a Petrobras vem investindo na ampliação do próprio centro de pesquisa, reconhecido no mercado internacional pela especialização em águas profundas. O investimento, de R$ 900 milhões, mais do que duplicará a área, passando de 122 mil para 305 mil metros quadrados. Com arquitetura ousada, o edifício terá foco nas atividades do pré-sal e no desenvolvimento de energias renováveis.</P>
<P>Com a ampliação, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes) passará a ter 227 laboratórios. Um dos mais modernos será destinado à visualização em 3D de dados do subsolo e equipamentos. "Lá, o engenheiro poderá entrar na estrutura que estiver projetando", conta o diretor de exploração e produção da estatal, Guilherme Estrella. Toda em estrutura metálica, a obra impressiona quem passa pelo campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</P>
<P>"Não há empresa no mundo investindo em pesquisa como a Petrobras", comenta o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Baker Hughes, Maurício Figueiredo. Os gastos nesse segmento são fruto da necessidade de ampliar a produção de petróleo em condições diferentes das principais bacias produtoras no mundo.</P>
<P>"A Petrobras chegou aqui na década de 60 pensando em pesquisar refino, mas, com a descoberta da Bacia de Campos, precisou focar em tecnologias para águas profundas", destaca o diretor do Parque Tecnológico do Rio, Maurício Guedes.</P>
<P>O Cenpes coleciona alguns prêmios internacionais pelas tecnologias desenvolvidas. Com a descoberta do pré-sal, a importância da pesquisa é ainda maior. Nenhuma região no mundo tem produção marítima em rochas semelhantes às encontradas abaixo do sal na costa brasileira. Além disso, as reservas estão a uma distância de 300 quilômetros da costa e a mais de 5 mil metros de profundidade, o que amplia o desafio.</P>
<P>Para os especialistas entrevistados pelo Estado, uma das grandes vantagens no crescimento dos investimentos em pesquisa petrolífera está na criação de empregos altamente qualificados. São pesquisadores com doutorado, pós-doutorado e cursos no exterior. A busca por esses profissionais, por sinal, é o principal desafio das empresas que querem se instalar no Brasil.</P>
<P>O aumento na circulação desse tipo de profissional já provoca mudanças no dia a dia da universidade. A área do Parque Tecnológico, por exemplo, recebeu o investimento na abertura de uma filial de um restaurante mais sofisticado da zona sul da cidade, que contrasta com os tradicionais trailers que garantem a alimentação da maior parte dos alunos.</P>
<P><FONT size=1>(Nicola Pamplona)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 7/3)</FONT></P>