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Desafio é identificar soluções para manter jovens motivados
04/02/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=68874
Estudo realizado pela FGV mostra que o desinteresse pelo conteúdo das aulas é o principal motivo do abandono para 40% dos estudantes entre 15 e 17 anos que deixam a escola<BR><BR>
<P>Taboão da Serra, município da Região Metropolitana de São Paulo, atraiu atenção internacional pelos resultados alcançados num dos pontos mais frágeis da sociedade brasileira: a educação.</P>
<P>Medidas simples, como aproximar os professores da realidade doméstica de seus alunos, se traduziram em números expressivos. Um sinal disso pode ser observado na redução de cerca de 40% da evasão escolar, eterna vilã do ensino nacional. Não à toa, programas implantados por lá, entre os quais o Interação Família Escola, serviram de modelo para Sundbyberg, na Suécia.</P>
<P>Em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, notadamente na Escola Estadual Doutor Luiz Pinto de Almeida, a evasão foi zerada ano passado. Também não foi o único feito resultante de um vasto processo de transformação, que ao levar a comunidade para a escola e vice-versa, conseguiu promover o acesso ao ensino profissionalizante, um importante suporte para a economia local.</P>
<P>Embora não exista uma solução única para coibir a desistência, bem mais acentuada no ensino médio, as experiências citadas mostram a diferença que motivar o aprendizado pode fazer na prática.</P>
<P>A pesquisa "Motivos da Evasão Escolar" do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) comprova que o desinteresse pelo conteúdo das aulas é a principal causa do abandono para 40% dos jovens entre 15 e 17 anos que deixam a escola. A necessidade de trabalhar aparece em segundo lugar, com 27% das respostas. Em seguida vem a dificuldade de acesso à escola, com 10,9%. "Para vencer essa batalha é preciso convencer pais e filhos de que estudar vale à pena", diz o economista Marcelo Neri, coordenador do estudo.</P>
<P>Segundo o economista, a taxa de retorno social é alta, embora de longo prazo. "Existem melhoras comprovadas na saúde, observadas a partir de maiores investimentos no ensino e na renda associada", relata o estudo, que explica as causas da evasão a partir de três tipos básicos de motivação.</P>
<P>O primeiro deles é o desconhecimento dos gestores da política pública, restringindo a oferta de serviços educacionais. Outro é a falta de interesse intrínseco dos pais e dos alunos sobre a educação ofertada, seja pela baixa qualidade percebida ou por desconhecimento dos seus impactos sociais. Uma terceira é a operação de restrições de renda e do mercado de crédito que impedem as pessoas de explorar os altos retornos oferecidos pela educação no longo prazo.</P>
<P>Segundo Neri, não basta garantir acesso e criar programas de transferência de renda para amenizar o grave problema que atinge quase 20% de toda a população entre 15 e 17 anos. "A escola precisa ser mais cativante", diz. "E a motivação precisa ser criada a partir de um olhar pelo lado da demanda."</P>
<P>A ampliação dos condicionantes de aprendizagem envolve de fato o conhecimento de experiências que vão além da teoria. Daí a necessidade de trabalhar fatores externos e internos no combate à evasão. "O jovem não vê perspectiva na escola", diz a professora de psicologia Silvia Collelo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "O mercado de trabalho é muito mais atraente em determinado momento da vida porque dá aquela falsa sensação de estabilidade."</P>
<P>Segundo a professora, os valores são deturpados pela própria sociedade para a qual ter é melhor que saber. Por isso, o emprego ainda é tido pela maioria das famílias como fator de qualificação pessoal e realização. Em contrapartida, os valores educacionais pouco são exaltados. "A estratégia de aproximar da família da escola é interessante porque pode provocar reflexões que alterem esse quadro."</P>
<P>A precária infraestrutura escolar é outro fator desestimulante. "Da maneira que funciona atualmente torna-se um mecanismo de expulsão", afirma. "Na maioria dos casos não existe diálogo com a realidade desse jovem para que ele entenda onde está, o que está fazendo e o mais importante, onde pode chegar."</P>
<P>A opinião é compartilhada pelo professor José Marcelino de Rezende Pinto, especialista em políticas educacionais da Universidade de São Paulo (USP). Ele ainda destaca que o nó da evasão só pode ser desatado com uma série de medidas conjuntas, que vão além da gestão e envolvem o financiamento. No pacote está ainda o alto índice de repetência.</P>
<P>"Tratam do problema como se a culpa fosse do aluno e não do meio porque ainda impera a mentalidade de que a nossa escola não é para todo mundo", diz. "A instituição não lida bem com os alunos que não conseguem se adequar ao seu modelo e é um modelo que faz pouco sentido para o jovem."</P>
<P><FONT size=1>(Rachel Cardoso)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Valor Econômico, 3/2)</FONT></P>
<P>Taboão da Serra, município da Região Metropolitana de São Paulo, atraiu atenção internacional pelos resultados alcançados num dos pontos mais frágeis da sociedade brasileira: a educação.</P>
<P>Medidas simples, como aproximar os professores da realidade doméstica de seus alunos, se traduziram em números expressivos. Um sinal disso pode ser observado na redução de cerca de 40% da evasão escolar, eterna vilã do ensino nacional. Não à toa, programas implantados por lá, entre os quais o Interação Família Escola, serviram de modelo para Sundbyberg, na Suécia.</P>
<P>Em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, notadamente na Escola Estadual Doutor Luiz Pinto de Almeida, a evasão foi zerada ano passado. Também não foi o único feito resultante de um vasto processo de transformação, que ao levar a comunidade para a escola e vice-versa, conseguiu promover o acesso ao ensino profissionalizante, um importante suporte para a economia local.</P>
<P>Embora não exista uma solução única para coibir a desistência, bem mais acentuada no ensino médio, as experiências citadas mostram a diferença que motivar o aprendizado pode fazer na prática.</P>
<P>A pesquisa "Motivos da Evasão Escolar" do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) comprova que o desinteresse pelo conteúdo das aulas é a principal causa do abandono para 40% dos jovens entre 15 e 17 anos que deixam a escola. A necessidade de trabalhar aparece em segundo lugar, com 27% das respostas. Em seguida vem a dificuldade de acesso à escola, com 10,9%. "Para vencer essa batalha é preciso convencer pais e filhos de que estudar vale à pena", diz o economista Marcelo Neri, coordenador do estudo.</P>
<P>Segundo o economista, a taxa de retorno social é alta, embora de longo prazo. "Existem melhoras comprovadas na saúde, observadas a partir de maiores investimentos no ensino e na renda associada", relata o estudo, que explica as causas da evasão a partir de três tipos básicos de motivação.</P>
<P>O primeiro deles é o desconhecimento dos gestores da política pública, restringindo a oferta de serviços educacionais. Outro é a falta de interesse intrínseco dos pais e dos alunos sobre a educação ofertada, seja pela baixa qualidade percebida ou por desconhecimento dos seus impactos sociais. Uma terceira é a operação de restrições de renda e do mercado de crédito que impedem as pessoas de explorar os altos retornos oferecidos pela educação no longo prazo.</P>
<P>Segundo Neri, não basta garantir acesso e criar programas de transferência de renda para amenizar o grave problema que atinge quase 20% de toda a população entre 15 e 17 anos. "A escola precisa ser mais cativante", diz. "E a motivação precisa ser criada a partir de um olhar pelo lado da demanda."</P>
<P>A ampliação dos condicionantes de aprendizagem envolve de fato o conhecimento de experiências que vão além da teoria. Daí a necessidade de trabalhar fatores externos e internos no combate à evasão. "O jovem não vê perspectiva na escola", diz a professora de psicologia Silvia Collelo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "O mercado de trabalho é muito mais atraente em determinado momento da vida porque dá aquela falsa sensação de estabilidade."</P>
<P>Segundo a professora, os valores são deturpados pela própria sociedade para a qual ter é melhor que saber. Por isso, o emprego ainda é tido pela maioria das famílias como fator de qualificação pessoal e realização. Em contrapartida, os valores educacionais pouco são exaltados. "A estratégia de aproximar da família da escola é interessante porque pode provocar reflexões que alterem esse quadro."</P>
<P>A precária infraestrutura escolar é outro fator desestimulante. "Da maneira que funciona atualmente torna-se um mecanismo de expulsão", afirma. "Na maioria dos casos não existe diálogo com a realidade desse jovem para que ele entenda onde está, o que está fazendo e o mais importante, onde pode chegar."</P>
<P>A opinião é compartilhada pelo professor José Marcelino de Rezende Pinto, especialista em políticas educacionais da Universidade de São Paulo (USP). Ele ainda destaca que o nó da evasão só pode ser desatado com uma série de medidas conjuntas, que vão além da gestão e envolvem o financiamento. No pacote está ainda o alto índice de repetência.</P>
<P>"Tratam do problema como se a culpa fosse do aluno e não do meio porque ainda impera a mentalidade de que a nossa escola não é para todo mundo", diz. "A instituição não lida bem com os alunos que não conseguem se adequar ao seu modelo e é um modelo que faz pouco sentido para o jovem."</P>
<P><FONT size=1>(Rachel Cardoso)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Valor Econômico, 3/2)</FONT></P>