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Jogo de empurra: ninguém cede sobre clima

10/11/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=67130
Países responsabilizam uns aos outros e nenhum acordo concreto é negociado na reunião de Barcelona<BR><BR>
<P>Catarina Alencastro escreve para "O Globo":</P>
<P>A última etapa oficial de negociação para a Cúpula do Clima terminou ontem (6/11) em Barcelona exatamente como começou: na estaca zero. Nenhum acordo concreto foi acertado, no que a ONU e ambientalistas classificaram como desastroso exemplo de má vontade política por parte de governos de países ricos e em desenvolvimento.</P>
<P>Embora não exista mais qualquer dúvida da gravidade das mudanças climáticas, nenhum país se dispõe a aceitar metas específicas.</P>
<P>- Pouco progresso foi feito (esta semana) em temas chaves como definição de metas de emissão e financiamento, que permitirá aos países em desenvolvimento limitarem seus lançamentos para se adaptarem às mudanças climáticas - afirmou Yvo de Boer, coordenador do evento. - Sem essas duas peças do quebra-cabeças no lugar, não teremos acordo algum.</P>
<P>Países ricos e emergentes deixaram a reunião trocando cobranças. Ontem, os europeus convocaram os países em desenvolvimento a apresentarem números específicos sobre a intenção de redução de emissão de CO2.</P>
<P>Mas confirmaram a contrapartida de cortarem suas próprias emissões em 30%, se isso acontecer.</P>
<P>- A União Europeia pede que países desenvolvidos se comprometam com uma média de redução de 30% de suas emissões e que os países em desenvolvimento desviem sua curva de emissões tendenciais entre 15% e 30% - disse Anders Turesson, em seu discurso de encerramento, em nome da União Europeia.</P>
<P>A resposta veio em seguida, no discurso do chefe da delegação da China, Wei Su: - Vocês não podem mais usar os países em desenvolvimento como desculpa para sua inação. Acordem.</P>
<P>Os países em desenvolvimento chegaram a ameaçar não participar do encontro de dezembro se as nações ricas não se comprometerem com metas mais ambiciosas de cortes nas emissões de gases-estufa e de transferência de tecnologia limpa.</P>
<P>&nbsp;- Se não houver metas ambiciosas e prazos já nos primeiros dias (de Copenhague), haverá, definitivamente, uma reação - afirmou Lumumba Di-Aping, líder do G-77.</P>
<P>EUA foram duramente criticados Os Estados Unidos, os maiores emissores históricos do planeta, foram duramente criticados por continuarem se recusando a apresentar uma meta.</P>
<P>O chefe dos negociadores americanos, Jonathan Pershing, no entanto, negou que o fato de o país não apresentar um número esteja atrapalhando as negociações.</P>
<P>- Se vamos apresentar uma meta de redução de 17% ou de 20% não faz diferença para as negociações - afirmou.</P>
<P>A Lei do Clima dos EUA - que ampliaria a meta de redução de emissões de 17% para 20% - se encontra no Senado e dificilmente será aprovada antes de dezembro. A quatro semanas da cúpula da ONU, um resultado significativo parece algo difícil de ser alcançado.</P>
<P>- Um acordo forte em Copenhague parece algo irreal. O principal obstáculo é a ausência de confiança (entre os países) - resumiu a negociadora da Noruega, um dos poucos países desenvolvidos a apresentar uma meta de redução ambiciosa (40%).</P>
<P>A ONU anunciou que mais de 40 chefes de Estado já confirmaram presença da cúpula de dezembro, entre eles Gordon Brown, e outros da Europa, África e América do Sul.</P>
<P>Na análise de especialistas, trata-se de um reconhecimento de que a única maneira de se criar um acordo forte será com o envolvimento de governantes.</P>
<P>(O Globo, 7/11)</P>
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