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Por crescimento, Casa Civil veta meta ambiental mais ambiciosa
15/10/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=66620
Meio Ambiente faz projeções com base no crescimento do país de 4% ao ano; ministra Dilma quer de 5% a 6%<BR><BR>
<P>A proposta que o Brasil quer levar para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, em dezembro, esbarrou no "desenvolvimentismo" da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e expôs uma divisão no governo sobre a questão ambiental.</P>
<P>Durante reunião ontem entre ministros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as divergências ficaram estampadas. De um lado estava o entusiasmo do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que exibia um projeto prevendo a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020 e o congelamento nas emissões de gás carbônico (CO2) nos padrões de 2005; de outro, a exigência de Dilma para que sejam feitas previsões com cenários de crescimento do país maior do que o utilizado pela equipe de Minc.</P>
<P>O estudo feito pelo MMA prevê crescimento de 4% ao ano. Dilma achou pouco. E encomendou projeções para crescimentos de 5% e 6%. No novo panorama, as metas podem ficar inalteradas, mas as propostas para emissão de CO2 têm de ser recalculadas para patamares menos ambiciosos. Questionada, a assessoria da Casa Civil não soube informar por que a ministra requisitou novos estudos.</P>
<P>Minc, porém, saiu da reunião comemorando consenso em torno da meta de 80%. Disse que o país terá posição propositiva durante a reunião do clima.</P>
<P>Um relato distinto foi feito pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. "É claro que temos de concentrar todos os esforços possíveis para reduzir o ritmo do aquecimento global. Mas as propostas têm de ser pé no chão, não podemos assumir uma atitude de benfeitores da humanidade, sem exigir mudanças também de outros países", ponderou.</P>
<P>Ele diz ser possível manter a proposta de redução do desmatamento em 80% até 2020. "Mas é preciso deixar muito claro que essa meta exige contrapartidas de países desenvolvidos." Em sua avaliação, para isso é preciso muito mais do que os US$ 10 bilhões acenados pela comunidade internacional.</P>
<P>A secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Khan, diz que os cálculos pedidos por Dilma serão aprontados com facilidade. Pelas projeções do ministério, o país apresenta hoje tendência de produzir 2,8 gigatoneladas de CO2 em 2020. A meta era a de que esse valor fosse reduzido até 40%. "Com cenário de crescimento de 5% ou 6%, a expectativa de redução será menor." Mas ela diz ser possível prever políticas de redução de emissões.</P>
<P>As reuniões continuam hoje com os Ministérios do Meio Ambiente, Casa Civil, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Fazenda. A ideia é até o dia 20 ter uma proposta única para ser apresentada a Lula, que pediu ao Itamaraty que tente reunião com os presidentes dos países amazônicos para traçar estratégia conjunta.</P>
<P>(Tânia Monteiro e Lígia Formenti)</P>
<P>Impasse é o mesmo da negociação internacional</P>
<P>A divergência observada no governo brasileiro é a mesma das negociações internacionais. Os países industrializados temem se comprometer com metas fortes de redução das emissões de gases que provocam o aquecimento global pois não querem ter perdas econômicas.</P>
<P>A população teme que haja diminuição do emprego e os EUA, principalmente, tentam colocar como condição para um acordo global que os países em desenvolvimento - China, Índia e Brasil - reduzam a taxa de crescimento de suas emissões.</P>
<P>Já o G-77, grupo do qual o país faz parte, argumenta que a responsabilidade histórica pela emissão de gases-estufa é dos países industrializados e que, assim como as nações do Norte, também tem o direito de se desenvolver. Os países em desenvolvimento não aceitam metas obrigatórias e querem que os industrializados concedam financiamentos para adaptação às mudanças climáticas.</P>
<P>Mas, em Bangcoc, na semana passada, durante reunião preparatória para Copenhague, os ricos evitaram citar números. E tiveram uma ideia que minou a confiança dos países em desenvolvimento: acabar com o Protocolo de Kyoto e fazer um acordo único. Para o G-77, a hipótese é inaceitável.</P>
<P><FONT size=1>(Afra Balazina)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 14/10)</FONT></P>
<P>A proposta que o Brasil quer levar para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, em dezembro, esbarrou no "desenvolvimentismo" da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e expôs uma divisão no governo sobre a questão ambiental.</P>
<P>Durante reunião ontem entre ministros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as divergências ficaram estampadas. De um lado estava o entusiasmo do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que exibia um projeto prevendo a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020 e o congelamento nas emissões de gás carbônico (CO2) nos padrões de 2005; de outro, a exigência de Dilma para que sejam feitas previsões com cenários de crescimento do país maior do que o utilizado pela equipe de Minc.</P>
<P>O estudo feito pelo MMA prevê crescimento de 4% ao ano. Dilma achou pouco. E encomendou projeções para crescimentos de 5% e 6%. No novo panorama, as metas podem ficar inalteradas, mas as propostas para emissão de CO2 têm de ser recalculadas para patamares menos ambiciosos. Questionada, a assessoria da Casa Civil não soube informar por que a ministra requisitou novos estudos.</P>
<P>Minc, porém, saiu da reunião comemorando consenso em torno da meta de 80%. Disse que o país terá posição propositiva durante a reunião do clima.</P>
<P>Um relato distinto foi feito pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. "É claro que temos de concentrar todos os esforços possíveis para reduzir o ritmo do aquecimento global. Mas as propostas têm de ser pé no chão, não podemos assumir uma atitude de benfeitores da humanidade, sem exigir mudanças também de outros países", ponderou.</P>
<P>Ele diz ser possível manter a proposta de redução do desmatamento em 80% até 2020. "Mas é preciso deixar muito claro que essa meta exige contrapartidas de países desenvolvidos." Em sua avaliação, para isso é preciso muito mais do que os US$ 10 bilhões acenados pela comunidade internacional.</P>
<P>A secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Khan, diz que os cálculos pedidos por Dilma serão aprontados com facilidade. Pelas projeções do ministério, o país apresenta hoje tendência de produzir 2,8 gigatoneladas de CO2 em 2020. A meta era a de que esse valor fosse reduzido até 40%. "Com cenário de crescimento de 5% ou 6%, a expectativa de redução será menor." Mas ela diz ser possível prever políticas de redução de emissões.</P>
<P>As reuniões continuam hoje com os Ministérios do Meio Ambiente, Casa Civil, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Fazenda. A ideia é até o dia 20 ter uma proposta única para ser apresentada a Lula, que pediu ao Itamaraty que tente reunião com os presidentes dos países amazônicos para traçar estratégia conjunta.</P>
<P>(Tânia Monteiro e Lígia Formenti)</P>
<P>Impasse é o mesmo da negociação internacional</P>
<P>A divergência observada no governo brasileiro é a mesma das negociações internacionais. Os países industrializados temem se comprometer com metas fortes de redução das emissões de gases que provocam o aquecimento global pois não querem ter perdas econômicas.</P>
<P>A população teme que haja diminuição do emprego e os EUA, principalmente, tentam colocar como condição para um acordo global que os países em desenvolvimento - China, Índia e Brasil - reduzam a taxa de crescimento de suas emissões.</P>
<P>Já o G-77, grupo do qual o país faz parte, argumenta que a responsabilidade histórica pela emissão de gases-estufa é dos países industrializados e que, assim como as nações do Norte, também tem o direito de se desenvolver. Os países em desenvolvimento não aceitam metas obrigatórias e querem que os industrializados concedam financiamentos para adaptação às mudanças climáticas.</P>
<P>Mas, em Bangcoc, na semana passada, durante reunião preparatória para Copenhague, os ricos evitaram citar números. E tiveram uma ideia que minou a confiança dos países em desenvolvimento: acabar com o Protocolo de Kyoto e fazer um acordo único. Para o G-77, a hipótese é inaceitável.</P>
<P><FONT size=1>(Afra Balazina)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 14/10)</FONT></P>