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Fraude no Enem: Após cancelamento, prova deve ser aplicada na 1ª quinzena de novembro

05/10/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=66407
Exame foi cancelado na madrugada de quinta-feira, dia 1º, após exame ter vazado para o jornal "O Estado de SP"<BR><BR>
<P>A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi remarcada para a primeira quinzena de novembro, mas sem dia específico. O exame, que estava agendado para amanhã e domingo, foi cancelado na madrugada de ontem após a reportagem do Estado alertar o Ministério da Educação (MEC) para o vazamento das provas já impressas. Os técnicos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) comprovaram a quebra de sigilo.</P>
<P>A pedido do ministro Fernando Haddad (Educação), que conversou ontem de manhã com o colega da Justiça, Tarso Genro, a Polícia Federal abriu uma investigação para saber quem são os responsáveis pelo vazamento das provas e onde foi que, ao longo de todo o processo de confecção das perguntas do exame, de produção gráfica, impressão e logística de distribuição aconteceu a violação. Ontem à noite, o ministro fez um pronunciamento em emissoras de TV. O MEC colocou na internet a íntegra da prova.</P>
<P>Haddad ordenou ao Inep que o instituto dê "prioridade máxima" à preparação da nova prova. A meta é tentar antecipar ao máximo a realização do exame e, segundo um assessor do ministro, realizar a prova nos dias 7 e 8 de novembro, logo depois do feriado de Finados.</P>
<P>Desse jeito, o MEC tenta garantir que o Enem seja usado como exame seletivo para ingresso nas universidades. Em sua 12ª edição, a prova do Enem deste ano terá novo formato. Ela funciona também como vestibular unificado - 24 universidades federais aboliram os processos seletivos para adotar o exame, que será feito em 1.828 municípios. Dos 4,1 milhões de inscritos, o maior número de candidatos está concentrado em São Paulo - 234.173 alunos.</P>
<P><STRONG>O vazamento</STRONG></P>
<P>O Estado foi procurado na tarde de anteontem por um homem que, pelo telefone, disse ter cópias da provas que seriam aplicadas amanhã e domingo. O homem propôs vender a prova por R$ 500 mil - o Estado rejeitou a proposta, mas viu trechos do exame que depois foram confirmados pelo MEC como oficiais.</P>
<P>O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, disse que a nova versão da prova deverá ser desenvolvida por um sistema de segurança mais rígido do que a prova cancelada. "Não há como esperarmos o fim das investigações para iniciar preparativos para novo exame. Temos de fazer a prova e vamos colocar todos os elementos de segurança disponíveis em alerta máximo", disse.</P>
<P>O Inep tem um banco com cerca de 2 mil questões que podem ser usadas em novas versões da prova. Mas, mesmo com esse banco, é preciso um tempo para a seleção, montagem e impressão da nova versão.</P>
<P>Haddad estima que, mesmo com um mês de atraso na realização do exame, será possível divulgar os resultados em uma data próxima da que havia sido estabelecida antes do vazamento. O ministro também afirmou que o Inep deverá fazer uma avaliação preliminar para analisar as lacunas de segurança. Para ele, a medida pode afastar eventuais questionamentos sobre a inviolabilidade da versão da prova que agora começa a ser preparada. Não está definido quem vai arcar com o custo da nova impressão, estimado em R$ 30 milhões.</P>
<P>Maioria das universidades vai manter datas de seleção</P>
<P>Consultadas pela reportagem do Estado, a maior parte das universidades que aderiram ao Enem como forma de seleção para o vestibular informou ontem que o cancelamento da prova, a princípio, não altera o calendário de exames. As instituições aguardam posicionamento do Ministério da Educação (MEC) sobre a nova edição do exame nacional.</P>
<P>As principais universidades públicas paulistas, USP, Unicamp, Unesp e Unifesp não preveem alterações até agora e prometem avisar aos alunos com antecedência sobre eventuais mudanças no cronograma. No entanto, a Fundação Getulio Vargas pretende alterar o calendário do vestibular na próxima semana.</P>
<P>No Rio, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) chegou a suspender as inscrições para o Acesso aos Cursos de Graduação para 2010, mas reabriu o prazo nesta sexta-feira. A reitoria não quis se manifestar sobre o assunto. Segundo o ministério, 24 universidades federais aderiram à prova como forma única de seleção.</P>
<P>De um total de 21 universidades que responderam questionamentos da reportagem ontem, apenas 5, a Universidade Federal do Amazonas, a Universidade Tecnológica do Paraná, a Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade Federal de Rio Grande e a UFRJ já confirmaram ontem alterações nos calendários. A Universidade Federal de Goiás anunciou que pretende cancelar o uso do exame.</P>
<P>Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) informou que os processos seletivos das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) serão realizados "com a qualidade e segurança tradicionais." "A Andifes advoga também a completa apuração dos fatos, visando a segurança e idoneidade dos processos seletivos", ressaltou a nota.</P>
<P>Discussões</P>
<P>Parte das universidades, no entanto, discute soluções, antes mesmo da decisão do MEC sobre um novo exame. Na hipótese de ocorrer uma incompatibilidade de datas do vestibular com o Enem, a Unesp, que utiliza 10% da pontuação do exame, pretende alterar todo o seu calendário com o objetivo de aproveitar a nota da prova nacional.</P>
<P>A Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), da Unicamp, informou que a pontuação obtida pelo candidato no exame nacional só será aproveitada no vestibular se o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgar a pontuação dos candidatos até o dia 30 do mesmo mês.</P>
<P>A Universidade Federal Fluminense (UFF) considera a possibilidade de utilizar apenas as notas de seu próprio vestibular para a seleção dos novos alunos. "A segunda fase está prevista para 20 de dezembro e vai permanecer. Em último caso, o que acho que não será necessário, nós poderemos utilizar integralmente a nota da nossa primeira fase", explicou o reitor Roberto de Souza Salles.</P>
<P>A pró-reitoria de direção e gestão do desenvolvimento acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) convocou para a manhã de hoje uma reunião de emergência para tratar dos rumos de seu vestibular a partir do cancelamento da prova do Enem. "Fomos pegos de surpresa. O calendário, agora ficou comprometido", afirmou o diretor de desenvolvimento acadêmico Carlos José Pinto.</P>
<P>PF mira impressão e distribuição das provas</P>
<P>A primeira hipótese a ser investigada pela Polícia Federal (PF), com base nos elementos preliminares levantados pelo MEC, é a de que o vazamento tenha ocorrido entre a etapa de impressão das provas, na gráfica Plural, em São Paulo, e a da distribuição dos kits por todo o país.</P>
<P>A PF não descarta nenhuma pista e vai começar a investigação pelo rastreamento de cada etapa do Enem, desde a confecção das provas, o que inclui tomar depoimento de servidores em Brasília ligados ao programa, até a distribuição dos exames, aplicados em mais de 10 mil pontos de 1.828 municípios.</P>
<P>Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, os primeiros elementos de prova podem estar nas fitas de vídeo que monitoram 24 horas tanto a gráfica como a sala de segurança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Brasília, onde está guardado o material digitalizado com os exames.</P>
<P>De acordo com o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, o controle na gráfica é tão rigoroso que chega a exigir que os seus funcionários troquem de roupa ao entrar e sair do local.</P>
<P>O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, disse ontem ao ministro Haddad que o superintendente da PF em São Paulo, Leandro Coimbra, vai indicar o delegado responsável pelo inquérito o mais rápido possível. Mas já está definido que a investigação ficará a cargo da Polícia Fazendária.</P>
<P>Ao todo, existem 40 funcionários da Diretoria de Logística do Enem, vinculados ao Inep, que em tese tiveram algum contato com a confecção das provas. Eles serão ouvidos nos próximos dias. Na gráfica Plural, pelo menos 20 funcionários tiveram algum tipo de contato direto com o material e também devem ser intimados a depor.</P>
<P>O problema maior está na ponta de distribuição, porque são vários motoristas e operários que participam do processo, que inclui embalagem do material, carregamento nos caminhões e a distribuição propriamente dita. Além disso, parte das escolas já havia recebido as provas.</P>
<P>Mas a chave da solução mais rápida do caso está no depoimento dos dois personagens que tentaram vender a prova ao Estado. Haddad fez um apelo para que o jornal e a população ajudem as autoridades a localizar os suspeitos.</P>
<P><STRONG>Provas entregues</STRONG></P>
<P>Fernandes, acredita que, no momento do vazamento, mais de 90% dos kits de provas já haviam sido entregues nos locais ou estavam a caminho. O cronograma de distribuição do exame na capital paulista indica que as escolas começaram a receber as provas na terça-feira, um dia antes de o Estado constatar o vazamento. O lote que faltava era destinado às penitenciárias.</P>
<P>Para Fernandes, são remotas as possibilidades de alguém do MEC estar envolvido no vazamento. "Ninguém aqui viu a prova, até porque no Inep não existe a versão impressa, e o exemplar que vazou certamente passou por uma gráfica."</P>
<P>Segundo o Inep, dos R$ 110 milhões previstos em contrato para o gasto com o Enem deste ano, cerca de R$ 33 milhões (30%) correspondem aos custos de impressão.</P>
<P>(Lígia Formenti e Vannildo Mendes, com a colaboração de Tânia Monteiro e Fábio Mazzitelli)</P>
<P>Gráfica nega envolvimento e ajudará na investigação</P>
<P>A Plural Indústria Gráfica Ltda. informou ontem, por meio de nota, que "não teve qualquer responsabilidade" no episódio do vazamento da prova do Enem. A empresa também se comprometeu a colaborar com as autoridades para esclarecer o ocorrido e vai entregar 122 DVDs com imagens da operação de produção da prova em suas diversas fases.</P>
<P>Durante o dia de ontem, funcionários da gráfica evitaram falar com jornalistas que ficaram do lado de fora da empresa. Por volta das 17h20, um carro da Força Tática da Polícia Militar chegou ao local. Mas os policiais, que disseram ter sido chamados por um vigilante da área, ficaram menos de meia hora no local.</P>
<P>Na nota, a gráfica ainda diz que "cumpriu suas obrigações relacionadas à segurança" e "as áreas de equipamentos de impressão e acabamento foram isoladas, com acesso restrito e utilização de detector de metais". Todos os profissionais envolvidos na operação assinaram termo de responsabilidade de sigilo.</P>
<P><FONT size=1>(Mariana Mandelli)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 2/10)</FONT></P>
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