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Meio ambiente acelera pré-sal

09/09/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65870
Busca global por matriz energética mais limpa ditará ritmo de exploração<BR><BR>
<P>O ritmo da exploração das reservas do pré-sal, estimadas entre 50 bilhões e 80 bilhões de barris de petróleo, nas próximas décadas, será influenciado por fatores que não dependem da vontade do governo brasileiro: a demanda internacional, o nível de reservas existentes e a mudança da matriz energética, cada vez mais voltada para energia limpa. Aos poucos, o uso dos hidrocarbonetos (petróleo e gás) como energia está sendo questionado.</P>
<P>Por isso, o consumo de petróleo tende a ter uma queda ao longo das próximas décadas e, assim, a exploração do pré-sal teria que ser acelerada, alertam analistas.</P>
<P>- De maneira geral, a dúvida é se deve guardar o petróleo, porque os preços podem ficar mais altos; ou utilizar agora, porque as energias alternativas vão ganhar cada vez mais espaço - diz o consultor Marco Tavares, da Gas Energy.</P>
<P>Mudanças na matriz energética são fatos históricos. A era do carvão, que pontificou no século XIX e foi determinante para o progresso de Inglaterra e Alemanha, foi destronada pelo petróleo a partir do início do século passado, que impulsionou os Estados Unidos. Tavares alerta para o destaque dado ao aspecto ambiental neste início do século XXI:</P>
<P>- A discussão sobre meio ambiente nunca esteve tão forte como agora.</P>
<P>Em 50 anos, risco de perda de valor</P>
<P>O exemplo mais evidente dessa guinada foi anunciado em maio pelo governo dos Estados Unidos. O presidente americano Barack Obama lançou novos padrões de emissão de gases poluentes para veículos e metas de eficiência no consumo de combustível, para ajudar a livrar os EUA de sua dependência de petróleo. O presidente americano se referiu ao plano como uma virada histórica em direção a uma economia de energia limpa.</P>
<P>Para o consultor legislativo Paulo César Ribeiro Lima, ex-funcionário da Petrobras e especialista no setor, é preciso garantir que a exploração do pré-sal se concentre nos próximos 40 a 50 anos:</P>
<P>- É provável que daqui a 50 anos o petróleo perca valor, pois o planeta dá claros sinais do agravamento do efeito estufa.</P>
<P>Lima lembra que as montadoras de veículos estimam que, em 2025, 30% dos novos carros poderão ser elétricos. Ele alerta que o governo tem de garantir a exploração até 2050, para assegurar que o pré-sal não se transforme em um reservatório sem valor:</P>
<P>- Corre-se o risco de grande parte do petróleo recuperável dessa província nunca ser produzido.</P>
<P>Para o governo, o horizonte não é tão dramático. A aposta é que pelo menos durante 35 anos, e isso a partir de 2015, quando os campos do pré-sal começam a produzir pelo sistema de partilha, o país retire e processe essas riquezas sem problemas.</P>
<P>- Até 2050 temos um bom cenário, porque os custos do pré-sal ficam abaixo de US$ 40 (o barril). Mesmo com as taxações por causa das restrições ambientais, ele ainda será viável economicamente - afirma o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.</P>
<P>O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também é otimista:</P>
<P>- Em 40 anos, as reservas conhecidas devem estar esgotadas e o pré-sal surge como alternativa.</P>
<P>Segundo Tolmasquim, sem novas descobertas, os campos vão secar, levando a produção global em 2030 a 31 milhões de barris por dia. Como a maior demanda, o déficit será suprido com novos campos a serem descobertos, incluindo o pré-sal brasileiro.</P>
<P>(Gustavo Paul e Mônica Tavares)</P>
<P>Analistas criticam pulverização de recursos com Fundo Social do pré-sal</P>
<P>Junto com o marco regulatório do pré-sal, o governo anunciou, no dia 31 de agosto, o Fundo Social, que receberá recursos gerados pela exploração do petróleo em águas ultraprofundas. Assim como outros países que também têm grandes reservas naturais, o fundo tem uma função peculiar: gerar uma espécie de poupança para ser aplicada em áreas consideradas sensíveis, como educação, combate à pobreza e tecnologia, para beneficiar as futuras gerações.</P>
<P>Especialistas ouvidos pelo Globo consideram a iniciativa boa e importante, mas fazem várias críticas, entre as quais o fato de existirem muitos setores beneficiados pelo fundo e de o Brasil ainda ter déficits fiscais nominais. Alertam para o risco de não se conseguir gerar receitas suficientes para bancar gastos e pagamento de juros.</P>
<P>- A nossa situação fiscal está sob controle, mas seria interessante usar os recursos novos do pré-sal para acabar com o déficit - afirmou o analista de finanças públicas da consultoria Tendências, Felipe Salto.</P>
<P>No acumulado do ano, até julho, o saldo estava negativo em R$ 56,671 bilhões, quase quatro vezes mais que no mesmo período de 2008.</P>
<P>Fundo brasileiro se inspirou no modelo norueguês</P>
<P>O Fundo Social terá como objetivo financiar áreas escolhidas a dedo pelo governo: educação, cultura, meio ambiente, combate à pobreza e inovação tecnológica. Será abastecido com recursos levantados pela União com a exploração do petróleo na camada do pré-sal, número este que ainda não chegou a ser calculado, mas deverá ser grande, pois o potencial da área é enorme.</P>
<P>Para o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri, o fundo deveria ter foco em menos áreas: apenas educação e combate à pobreza, temas mais urgentes, em sua avaliação.</P>
<P>- Pulverizar muito os recursos pode não ser uma boa ideia, com mais despesas também. Começam a ser criadas novas "caixinhas", que, na prática, podem criar burocracias e perder o foco - afirmou Neri.</P>
<P>O fundo brasileiro tomou como exemplo os dois fundos criados na Noruega, que também recebem recursos da exploração de petróleo. Além da função social, esse tipo de fundo ajuda a evitar desequilíbrios econômicos, como uma valorização excessiva do câmbio, que prejudicaria outros setores da indústria, uma vez que a tendência é que haja uma enxurrada de dólares com as exportações do petróleo.</P>
<P>No jargão econômico, esse fenômeno é conhecido como "doença holandesa".</P>
<P>- O importante é que o fundo vai na direção correta. O desafio será se haverá sempre boas aplicações - afirmou Júlio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.</P>
<P><FONT size=1>(Patrícia Duarte)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Globo, 8/9)</FONT></P>
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