Voltar para Notícias

Brasil suporta bem a crise e poderá sair fortalecido, diz Coutinho

03/09/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65776
Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, destaca a importância das políticas de desenvolvimento regional para aproveitar projetos de investimento em curso ou em planejamento<BR><BR>
<P>Vinicius Neder escreve para o "JC e-mail":</P>
<P>Cerca de um ano após o agravamento máximo da crise econômica global - o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers faliu em 15 de setembro de 2008 -, o Brasil parece ter suportado bem a turbulência e deverá sair dela fortalecido. A avaliação é do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.</P>
<P>Para ele, é preciso agora planejar boas políticas públicas para aproveitar as oportunidades da retomada, com atenção especial ao desenvolvimento regional e local e ao apoio à inovação tecnológica, para melhorar a qualidade do tecido industrial dos "clusters" Brasil afora.</P>
<P>Segundo Coutinho, os indicadores gerais da economia global apontam para este terceiro semestre como um ponto de inflexão na crise, com as economias mais desenvolvidas saindo da recessão. No caso brasileiro, já é possível verificar a volta do crescimento nas margens da economia e, principalmente, projetar a retomada para os próximos anos.</P>
<P>"Ao sair de outras crises, o Brasil melhorava, mas não tinha horizonte. Desta vez, é possível enxergar um horizonte para a economia nacional", afirmou Coutinho nesta terça-feira, dia 1º, na palestra de abertura do seminário "Crise mundial e desenvolvimento regional: desafios e oportunidades para o Brasil". Alto nível de reservas internacionais, bons indicadores macroeconômicos e estabilidade garantem a visão de horizonte, permitindo prever crescimento econômico para 2010, 2011 e 2012.</P>
<P>Embora o ponto de inflexão da crise econômica global pareça ter chegado, as incertezas ainda imperam, destacou Coutinho. Se as economias mais desenvolvidas podem sair da recessão neste trimestre, não é possível avaliar com precisão perspectivas de volta do crescimento.</P>
<P>Tampouco é possível avaliar com clareza quais os impactos futuros das medidas emergenciais adotadas. Redução de impostos, socorro a empresas falimentares e redução radical de taxas de juros que já eram baixas poderão ter impactos nefastos nas dívidas públicas dos países de economia madura.</P>
<P>O fato é que as economias mais desenvolvidas estão sem capacidade de endividamento também no setor privado (famílias e empresas), reduzindo a capacidade de investimento. Por isso, segundo Coutinho, os próximos passos do crescimento da economia global dependerão da reação dos mercados emergentes, especialmente do grupo conhecido como Bric - Brasil, Rússia, Índia e China.</P>
<P>"No Brasil, níveis relativamente pequenos de incentivos fiscais e aumento do crédito fornecido por instituições públicas foram suficientes para recuperar a economia", avaliou Coutinho. A isso somaram-se a solidez do sistema financeiro nacional e o nível de endividamento relativamente baixo do setor privado, tornando a recessão brasileira mais amena e a recuperação, provavelmente, mais rápida do que nos países centrais.</P>
<P>Desenvolvimento regional</P>
<P>Ademais dessas características conjunturais, cinco vetores de desenvolvimento econômico colocam-se como oportunidades para o Brasil: a extração de petróleo e gás da camada pré-sal, o investimento em energia (com destaque para grandes projetos de hidrelétricas), a recuperação da infraestrutura logística, a expansão do agronegócio e o desabrochar da construção civil para o setor habitacional (diante da perspectiva de redução de juros).</P>
<P>Os investimentos nesses cinco vetores oferecerão a possibilidade de desenvolver cadeias produtivas de importância estratégica. Contudo, segundo Coutinho, sem políticas adequadas para levar esse desenvolvimento para diferentes polos econômicos do país e para incentivar a formação de conteúdo tecnológico nacional, a concentração de renda seguirá prevalecendo sobre a prosperidade regional.</P>
<P>Por isso, completou o presidente do BNDES, é hora de o Brasil voltar a ter planejamento de longo prazo. "Mais do que nunca, o Brasil pode olhar para um ciclo de crescimento numa perspectiva mais ampla", constatou Coutinho. A ideia é aproveitar essa conjuntura para voltar a pensar no longo prazo.</P>
<P>Nessa perspectiva, a utopia de longo prazo do economista e professor Clélio Campolina, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é transformar o Brasil num país policêntrico. Para isso, aos 11 macropolos já existentes e centrados nas maiores cidades do país, somar-se-iam, numa política de desenvolvimento regional, outros sete polos com as mesmas características e 22 novos subpolos.</P>
<P>Aí se inclui um "colar urbano" na Amazônia. "Esse colar urbano deveria ser objeto de estudos técnico-científicos para buscarmos um novo padrão de desenvolvimento sustentável, diferente das formas de ocupação existentes", afirmou Campolina, em mesa-redonda sobre perspectivas conceituais do desenvolvimento regional.</P>
<P>Além do professor da UFMG, falaram o professor Carlos Brandão, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Niemeyer Almeida Filho, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); e Jair do Amaral Filho, da Universidade Federal do Ceará (UFC), como debatedor. Coordenou os trabalhos Henrique Villa, secretário de Políticas de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional, um dos organizadores do seminário, ao lado do Ipea e do BNDES, anfitrião do evento, que segue até esta quinta-feira, dia 3.</P>
Menu Principal

Minha Conta

Seu Carrinho

0 item(s)

Faça login para ver seu carrinho.

Entrar
Subtotal R$ 0,00

Frete e descontos calculados no checkout.

Finalizar Compra