Voltar para Notícias
Empresas se comprometem com corte nas emissões de gases-estufa
21/08/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65510
Compromisso dos empresários será levado ao ministro Carlos Minc na terça-feira<BR><BR>
<P>Daniela Chiaretti escreve para o "Valor Econômico":</P>
<P>Executivos que comandam empresas de ponta no Brasil vão se comprometer com cortes na emissão de gases-estufa. Os compromissos têm como base reduzir as emissões por tonelada de produção ou por unidade de faturamento. A atitude pioneira, que será apresentada ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na terça-feira, indica não só a preocupação dos empresários com o aquecimento, mas com a encruzilhada entre as negociações de um tratado climático internacional e o comércio global.</P>
<P>Uma carta assinada pelos presidentes da Braskem e Vale, Suzano, VCP-Aracruz, Light e CPFL, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e OAS, Natura, Cosan e outras, sinalizará as contribuições do empresariado para que o Brasil caminhe rumo à economia de baixo carbono.</P>
<P>Um dos itens mais importantes é o compromisso de reduzir as emissões de gases-estufa e conseguir um "balanço líquido de emissões de CO2". Isto aconteceria através da redução na operação, na captura e sequestro de carbono ou no apoio à diminuição do desmatamento.</P>
<P>"Cada empresa pode dar a sua contribuição buscando reduzir a intensidade de suas emissões, ou seja, diminuindo o volume de emissões de gases-estufa por unidade de produto", diz Bernardo Gradin, presidente da Braskem. "Para um país em crescimento como o Brasil, isso significa que em valores absolutos as empresas poderão emitir mais", continua.</P>
<P>Soa como um paradoxo, mas a lógica é a do princípio das responsabilidades comuns, que o governo brasileiro defende nas negociações internacionais do clima - os países industrializados, que emitiram mais e por mais tempo, têm mais responsabilidade sobre o aumento da temperatura da Terra que os outros. "Esse crescimento, contudo, deve ser sustentável, ou seja, cada nova produção deve ser cada vez mais limpa", continua Gradin.</P>
<P>A Braskem emitiu 7,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2008, a um valor 8% menor que em 2006. A intensidade de emissões da empresa - um conceito novo que pode sinalizar, por exemplo, eficiência energética - foi de 0,796 tonelada de CO2 equivalente por tonelada de produto, um valor 2% menor que o de 2006. Há, aí, a sinalização de melhoria no processo produtivo.</P>
<P>Segundo Gradin, a estratégia da Braskem é trabalhar com mais matérias-primas renováveis. Esta é a rota da inauguração, na Bahia, de uma fábrica de aditivo de gasolina que utiliza álcool ou o investimento em uma unidade que vai produzir polietileno "verde" em 2010.</P>
<P>Há também um estímulo menos verde e mais econômico no discurso destes empresários. O debate climático nos EUA, com a lei Waxman-Markey tramitando no Congresso e a possibilidade de a importação de produtos que emitem muito carbono serem taxados no futuro, acende uma luz amarela no comércio mundial.</P>
<P>Uma súmula recente da Organização Mundial do Comércio dá recado similar, registra Luiz Claudio Castro, diretor de meio ambiente e desenvolvimento da Vale. "A riqueza do Brasil ainda é muito ligada aos movimentos de exportação", lembra. "Nesta iniciativa, o capital privado brasileiro quer dar certo conforto ao governo nas negociações internacionais do tratado do clima", prossegue. "O Brasil tem que dar um passo à frente no sentido de ter compromissos mais fortes de redução."</P>
<P>Estas discussões entre empresas e governo no tema da mudança climática serão o eixo do seminário realizado pelo Valor e GloboNews, com apoio do Instituto Ethos, Fórum Amazônia Sustentável e Vale na terça-feira, dia 25.</P>
<P>"A cada dia tem mais compradores perguntando sobre a cadeia de produção, se os produtos são certificados, se temos ISO", diz Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose. "Isso aí é bom para a Suzano porque estamos do lado certo."</P>
<P>Na crise, o consumo de papel no mundo caiu entre 10% e 30%, dependendo do país. "Nós continuamos vendendo toda a nossa produção. Os clientes deram preferência - pelo mesmo preço, claro - para quem tem floresta plantada e certificação".</P>
<P>"O Brasil tem tudo para se firmar como potência ambiental", continua, "mas a diplomacia brasileira tem que jogar no ataque". Ele lembra que a China está com belas cartas na mão e, mesmo se emite muito, investe pesado em energias alternativas. O Brasil precisa atualizar logo o inventário de emissões do país e ter metas claras de redução. "Tem que sinalizar uma posição de super compromisso."</P>
<P>Desde as negociações do Protocolo de Kyoto o setor de papel e celulose procura influenciar as posições do governo em relação à inclusão de florestas no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o MDL. O lobby para conseguir créditos de carbono continua forte. O balanço de sequestro de carbono entre plantio e corte é positivo, garantem os empresários, mas os créditos são temporários.</P>
<P>O temor é que a floresta que gerou créditos (e que permitiu a alguém emitir porque ela sequestraria carbono) não esteja mais lá no futuro. "Mas para uma empresa que está queimando carvão e passa a queimar gás natural, vale. E quem garante que ela não voltará para o carvão se o preço baixar muito? É a mesma coisa", reage o empresário.</P>
<P>(Valor Econômico, 20/8)</P>
<P>Daniela Chiaretti escreve para o "Valor Econômico":</P>
<P>Executivos que comandam empresas de ponta no Brasil vão se comprometer com cortes na emissão de gases-estufa. Os compromissos têm como base reduzir as emissões por tonelada de produção ou por unidade de faturamento. A atitude pioneira, que será apresentada ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na terça-feira, indica não só a preocupação dos empresários com o aquecimento, mas com a encruzilhada entre as negociações de um tratado climático internacional e o comércio global.</P>
<P>Uma carta assinada pelos presidentes da Braskem e Vale, Suzano, VCP-Aracruz, Light e CPFL, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e OAS, Natura, Cosan e outras, sinalizará as contribuições do empresariado para que o Brasil caminhe rumo à economia de baixo carbono.</P>
<P>Um dos itens mais importantes é o compromisso de reduzir as emissões de gases-estufa e conseguir um "balanço líquido de emissões de CO2". Isto aconteceria através da redução na operação, na captura e sequestro de carbono ou no apoio à diminuição do desmatamento.</P>
<P>"Cada empresa pode dar a sua contribuição buscando reduzir a intensidade de suas emissões, ou seja, diminuindo o volume de emissões de gases-estufa por unidade de produto", diz Bernardo Gradin, presidente da Braskem. "Para um país em crescimento como o Brasil, isso significa que em valores absolutos as empresas poderão emitir mais", continua.</P>
<P>Soa como um paradoxo, mas a lógica é a do princípio das responsabilidades comuns, que o governo brasileiro defende nas negociações internacionais do clima - os países industrializados, que emitiram mais e por mais tempo, têm mais responsabilidade sobre o aumento da temperatura da Terra que os outros. "Esse crescimento, contudo, deve ser sustentável, ou seja, cada nova produção deve ser cada vez mais limpa", continua Gradin.</P>
<P>A Braskem emitiu 7,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2008, a um valor 8% menor que em 2006. A intensidade de emissões da empresa - um conceito novo que pode sinalizar, por exemplo, eficiência energética - foi de 0,796 tonelada de CO2 equivalente por tonelada de produto, um valor 2% menor que o de 2006. Há, aí, a sinalização de melhoria no processo produtivo.</P>
<P>Segundo Gradin, a estratégia da Braskem é trabalhar com mais matérias-primas renováveis. Esta é a rota da inauguração, na Bahia, de uma fábrica de aditivo de gasolina que utiliza álcool ou o investimento em uma unidade que vai produzir polietileno "verde" em 2010.</P>
<P>Há também um estímulo menos verde e mais econômico no discurso destes empresários. O debate climático nos EUA, com a lei Waxman-Markey tramitando no Congresso e a possibilidade de a importação de produtos que emitem muito carbono serem taxados no futuro, acende uma luz amarela no comércio mundial.</P>
<P>Uma súmula recente da Organização Mundial do Comércio dá recado similar, registra Luiz Claudio Castro, diretor de meio ambiente e desenvolvimento da Vale. "A riqueza do Brasil ainda é muito ligada aos movimentos de exportação", lembra. "Nesta iniciativa, o capital privado brasileiro quer dar certo conforto ao governo nas negociações internacionais do tratado do clima", prossegue. "O Brasil tem que dar um passo à frente no sentido de ter compromissos mais fortes de redução."</P>
<P>Estas discussões entre empresas e governo no tema da mudança climática serão o eixo do seminário realizado pelo Valor e GloboNews, com apoio do Instituto Ethos, Fórum Amazônia Sustentável e Vale na terça-feira, dia 25.</P>
<P>"A cada dia tem mais compradores perguntando sobre a cadeia de produção, se os produtos são certificados, se temos ISO", diz Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose. "Isso aí é bom para a Suzano porque estamos do lado certo."</P>
<P>Na crise, o consumo de papel no mundo caiu entre 10% e 30%, dependendo do país. "Nós continuamos vendendo toda a nossa produção. Os clientes deram preferência - pelo mesmo preço, claro - para quem tem floresta plantada e certificação".</P>
<P>"O Brasil tem tudo para se firmar como potência ambiental", continua, "mas a diplomacia brasileira tem que jogar no ataque". Ele lembra que a China está com belas cartas na mão e, mesmo se emite muito, investe pesado em energias alternativas. O Brasil precisa atualizar logo o inventário de emissões do país e ter metas claras de redução. "Tem que sinalizar uma posição de super compromisso."</P>
<P>Desde as negociações do Protocolo de Kyoto o setor de papel e celulose procura influenciar as posições do governo em relação à inclusão de florestas no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o MDL. O lobby para conseguir créditos de carbono continua forte. O balanço de sequestro de carbono entre plantio e corte é positivo, garantem os empresários, mas os créditos são temporários.</P>
<P>O temor é que a floresta que gerou créditos (e que permitiu a alguém emitir porque ela sequestraria carbono) não esteja mais lá no futuro. "Mas para uma empresa que está queimando carvão e passa a queimar gás natural, vale. E quem garante que ela não voltará para o carvão se o preço baixar muito? É a mesma coisa", reage o empresário.</P>
<P>(Valor Econômico, 20/8)</P>