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Acordo para ensino de espanhol é criticado
18/08/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65419
Parceria do MEC com instituto é alvo de manifesto de professores<BR><BR>
<P>Simone Iwasso escreve para "O Estado de SP":</P>
<P>Professores de universidades públicas do País fizeram um manifesto conjunto em que criticam um acordo assinado entre o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Cervantes para o ensino de espanhol na rede pública, idioma obrigatório no ensino médio e facultativo no fundamental a partir do ano que vem. O argumento deles é de que o Cervantes não é uma instituição de ensino regular no Brasil e o curso a ser implantado teria currículo precário, preparado sem levar em conta as pesquisas desenvolvidas pelas maiores instituições de ensino.</P>
<P>O acordo, assinado no início do mês, prevê a aplicação piloto dos programas Hola Amigos e AVE, disponibilizados pelo instituto. Serão capacitados 30 professores, de todos os Estados, para trabalhar como tutores a distância na formação de 600 alunos - 400 do ensino fundamental e 200 do médio. O objetivo é fazer um teste de metodologia e tecnologia de ensino para, caso sejam bem sucedidas, poder ampliá-las.</P>
<P>"Não entendemos por que usar metodologia baseada nos princípios de ensino de idiomas da União Europeia, que não tem nada a ver com a realidade do Brasil. Temos muitas pesquisas sobre ensino de espanhol em nossas universidades", afirma Adrián Pablo Fanjul, professor de espanhol da Universidade de São Paulo (USP) e vice-presidente da Associação de Professores de Espanhol do Estado de São Paulo.</P>
<P>"O que está acontecendo é que se pensou uma lei sem analisar as formas de implementação dela. Agora, ninguém sabe o que fazer", diz Fernanda Castelano Rodrigues, professora de espanhol da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).</P>
<P>Procurado pela reportagem, o Instituto Cervantes, não se pronunciou.Na avaliação do ministério, a polêmica é fruto de uma confusão das entidades. "Creio que houve um mal-entendido. Reconhecemos que as universidades brasileiras são as responsáveis pela formação dos professores. Mas o acordo não trata disso", explica Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC. "O Cervantes está oferecendo material e vamos aplicá-lo para testar a metodologia."</P>
<P>Segundo Bielschowsky, a metodologia será disponibilizada para uso das redes como ferramenta adicional para o ensino da língua, assim como já são disponibilizados alguns recursos educacionais de multimídia. Além disso, o MEC também deverá utilizar ferramentas de outras instituições.</P>
<P>Em 2006, polêmica semelhante ocorreu em São Paulo. À época, a Secretaria de Estado da Educação assinou convênio com o Cervantes. A então secretária da Educação Maria Lúcia Vasconcelos disse que o objetivo era ensinar espanhol aos professores, e não habilitá-los para dar aulas. Houve críticas das universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp) e o projeto chegou a ser suspenso. Em 2008, foi reformulado e retomado em parceria com a Universidade de Brasília.</P>
<P>Oferta da disciplina será obrigatória em 2010, mas há falta de professores</P>
<P>A seis meses de sua implementação total, a Lei Federal nº 11.161, sancionada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encontra poucas possibilidades de ser colocada em prática em todas as redes de ensino do País.</P>
<P>Ela obriga que as escolas ofereçam aulas de espanhol, com matrícula facultativa, para os alunos do ensino médio. Para os estudantes de 5ª a 8ª séries do fundamental, é facultativa a oferta das aulas.</P>
<P>Nas redes públicas, o ensino deverá ser no horário regular de aula. O processo de implantação foi gradativo desde 2005, mas deve estar disponível em todas as redes a partir de 2010.</P>
<P>Segundo dados do próprio Ministério da Educação, apenas 15% dos alunos do ensino médio têm aulas do idioma atualmente. Entre estudantes das escolas particulares, o índice fica em 51%. Nas escolas públicas, são 11%.</P>
<P> </P>
<P>Déficit</P>
<P>Não há professores de espanhol formados em número suficiente para atender a demanda e os Estados ainda não criaram políticas de formação nem abriram concursos públicos.</P>
<P>Além disso, muitas redes ainda têm dúvidas sobre a oferta do idioma. O Ministério da Educação elaborou um documento que esclarece o tema. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê o ensino de um idioma estrangeiro no ensino básico. Em praticamente todas as escolas, acabou sendo o inglês esse idioma.</P>
<P>Com a Lei 11.161, o espanhol se tornou uma segunda língua estrangeira obrigatória. Na prática, escolas que já oferecem inglês, devem oferecer espanhol de maneira facultativa.</P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 17/8)</FONT></P>
<P>Simone Iwasso escreve para "O Estado de SP":</P>
<P>Professores de universidades públicas do País fizeram um manifesto conjunto em que criticam um acordo assinado entre o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Cervantes para o ensino de espanhol na rede pública, idioma obrigatório no ensino médio e facultativo no fundamental a partir do ano que vem. O argumento deles é de que o Cervantes não é uma instituição de ensino regular no Brasil e o curso a ser implantado teria currículo precário, preparado sem levar em conta as pesquisas desenvolvidas pelas maiores instituições de ensino.</P>
<P>O acordo, assinado no início do mês, prevê a aplicação piloto dos programas Hola Amigos e AVE, disponibilizados pelo instituto. Serão capacitados 30 professores, de todos os Estados, para trabalhar como tutores a distância na formação de 600 alunos - 400 do ensino fundamental e 200 do médio. O objetivo é fazer um teste de metodologia e tecnologia de ensino para, caso sejam bem sucedidas, poder ampliá-las.</P>
<P>"Não entendemos por que usar metodologia baseada nos princípios de ensino de idiomas da União Europeia, que não tem nada a ver com a realidade do Brasil. Temos muitas pesquisas sobre ensino de espanhol em nossas universidades", afirma Adrián Pablo Fanjul, professor de espanhol da Universidade de São Paulo (USP) e vice-presidente da Associação de Professores de Espanhol do Estado de São Paulo.</P>
<P>"O que está acontecendo é que se pensou uma lei sem analisar as formas de implementação dela. Agora, ninguém sabe o que fazer", diz Fernanda Castelano Rodrigues, professora de espanhol da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).</P>
<P>Procurado pela reportagem, o Instituto Cervantes, não se pronunciou.Na avaliação do ministério, a polêmica é fruto de uma confusão das entidades. "Creio que houve um mal-entendido. Reconhecemos que as universidades brasileiras são as responsáveis pela formação dos professores. Mas o acordo não trata disso", explica Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC. "O Cervantes está oferecendo material e vamos aplicá-lo para testar a metodologia."</P>
<P>Segundo Bielschowsky, a metodologia será disponibilizada para uso das redes como ferramenta adicional para o ensino da língua, assim como já são disponibilizados alguns recursos educacionais de multimídia. Além disso, o MEC também deverá utilizar ferramentas de outras instituições.</P>
<P>Em 2006, polêmica semelhante ocorreu em São Paulo. À época, a Secretaria de Estado da Educação assinou convênio com o Cervantes. A então secretária da Educação Maria Lúcia Vasconcelos disse que o objetivo era ensinar espanhol aos professores, e não habilitá-los para dar aulas. Houve críticas das universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp) e o projeto chegou a ser suspenso. Em 2008, foi reformulado e retomado em parceria com a Universidade de Brasília.</P>
<P>Oferta da disciplina será obrigatória em 2010, mas há falta de professores</P>
<P>A seis meses de sua implementação total, a Lei Federal nº 11.161, sancionada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encontra poucas possibilidades de ser colocada em prática em todas as redes de ensino do País.</P>
<P>Ela obriga que as escolas ofereçam aulas de espanhol, com matrícula facultativa, para os alunos do ensino médio. Para os estudantes de 5ª a 8ª séries do fundamental, é facultativa a oferta das aulas.</P>
<P>Nas redes públicas, o ensino deverá ser no horário regular de aula. O processo de implantação foi gradativo desde 2005, mas deve estar disponível em todas as redes a partir de 2010.</P>
<P>Segundo dados do próprio Ministério da Educação, apenas 15% dos alunos do ensino médio têm aulas do idioma atualmente. Entre estudantes das escolas particulares, o índice fica em 51%. Nas escolas públicas, são 11%.</P>
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<P>Déficit</P>
<P>Não há professores de espanhol formados em número suficiente para atender a demanda e os Estados ainda não criaram políticas de formação nem abriram concursos públicos.</P>
<P>Além disso, muitas redes ainda têm dúvidas sobre a oferta do idioma. O Ministério da Educação elaborou um documento que esclarece o tema. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê o ensino de um idioma estrangeiro no ensino básico. Em praticamente todas as escolas, acabou sendo o inglês esse idioma.</P>
<P>Com a Lei 11.161, o espanhol se tornou uma segunda língua estrangeira obrigatória. Na prática, escolas que já oferecem inglês, devem oferecer espanhol de maneira facultativa.</P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 17/8)</FONT></P>