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Pobreza ainda é obstáculo para melhoria da educação na América Latina, diz relator da ONU

10/08/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65235
No mundo todo há cerca de 100 milhões de crianças e quase 800 milhões de jovens e adultos fora do sistema educacional<BR>
<P>A informação é do relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo direito à educação, o costa-riquenho Vernor Muñoz Villalobos. Para ele, a adoção de medidas contra essa exclusão é o maior desafio a ser enfrentado pelas mais diversas sociedades.</P>
<P>"[O combate à] discriminação de grupos que têm sido, historicamente, excluídos da educação, continua sendo um desafio importante", declarou. Villalobos participou, em São Paulo, do seminário Pela Não Discriminação na Educação, da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade), realizado na sede da organização Ação Educativa.</P>
<P>Ele avalia que a situação de desigualdade econômica é mais crítica na América Latina, o que provoca carências nas oportunidades de ensino. No caso do Brasil, ele considera que o maior entrave a ser vencido é o de traçar metas de educação de forma dirigida às populações negra e indígena, reconhecendo que a questão é complexa por causa da diversidade cultural desses povos.</P>
<P>Na análise do relator da ONU, a adoção de cotas que permitem a reserva de vagas nas universidades brasileiras para afrodescendentes "é uma excelente medida". "É uma ação afirmativa no sentido de combater a exclusão e a discriminação histórica que os afrodescendentes sofrem."</P>
<P>Ele observa, no entanto, que as discriminações estão presentes no mundo todo e não se restringem a essas populações. "É um problema sentido pelas minorias étnicas, pelas mulheres, pelos menos capacitados, entre outros", aponta.</P>
<P>Villalobos afirma também que é fundamental o combate à pobreza para permitir o ingresso de um maior número de pessoas no sistema de ensino, que deve ser gratuito e oferecido para todos os níveis de ensino, inclusive o universitário. "Se as famílias têm de escolher entre enviar os seus filhos para a escola ou comer, certamente, a opção é comer", pondera ele, complementando que esse é um desafio a ser enfrentado não apenas pelo Brasil, mas em todo o continente.</P>
<P>Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que embora o Brasil tenha avançado nessa área nos últimos 15 anos, o país ainda registra 2,4% do universo de crianças em idade escolar - de 7 a 14 anos - fora da escola. Isso significa a exclusão de 680 mil brasileiros.</P>
<P><FONT size=1>(Marli Moreira, da Agência Brasil)</FONT></P>
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