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“A universidade tem de ser um lugar de experiência humana”, diz António Novoa
14/07/2026
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Confira a entrevista especial de Nelson Pretto, da UFBA, com o professor emérito da Universidade de Lisboa
Em tempos de inteligência artificial, cabe-nos pensar sobre o papel das universidades, especialmente as públicas, e refletir sobre como enfrentar os desafios trazidos pelo produtivismo que assola a ciência em todo o mundo. Foi com esse espírito que me encontrei, mais uma vez, com o colega professor António Nóvoa, emérito da Universidade de Lisboa, da qual foi reitor.
Na longa conversa, realizada no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Nóvoa declarou seu amor pelo Brasil e pela Bahia, falou da sua verdadeira paixão pela educação e pelos enormes desafios colocados à formação dos professores no contexto contemporâneo.
Vivemos, em todo o mundo, uma crise universitária, com muitos apontando o esgotamento do modelo humboldtiano de universidade, pressionado pelo produtivismo acadêmico, pela mercantilização da educação e, agora, pela inteligência artificial. Para Nóvoa, “se a universidade está a fazer a mesma coisa que a inteligência artificial pode fazer, não vale a pena”.
O que precisamos fazer diante desses desafios? Confira a entrevista abaixo.
Você sempre foi um estudioso da profissão docente. Como ela está se transformando ao longo dos tempos?
Julgo que o problema principal hoje da profissão docente é um conjunto de discursos e políticas bastante delirantes, na minha opinião, da ideia de que o futuro vai ser uma educação sem escolas, sem professores, aprendizagem online, tudo personalizado, tudo flexível, que os tutores vão ser motores de inteligência artificial. Há todo um discurso muito forte sobre isso no mundo inteiro, que obviamente traz um desgaste muito grande à profissão docente, uma espécie de receio sobre o futuro.
Portanto, eu creio que é muito importante nós hoje voltarmos à ideia de que, se queremos a escola como bem público, como um bem comum, nós precisamos de professores e precisamos dessa relação humana que existe ao nível dos professores. E creio que isso coloca os professores num lugar muito duro e muito difícil.
Você já se referiu à presença do setor empresarial na educação. Como está isso no mundo e no Brasil?
Essa presença do mercado, através de empresas, através de fundações, que muitas vezes não são verdadeiras fundações, são empresas escondidas, são interesses de mercado etc., está muito forte em todo o mundo. De 30 anos para cá, sobretudo a partir da grande ascensão do movimento neoliberal, o problema é que o privado quer tomar conta da escola pública, quer gerir o espaço público. Já não se trata de ser uma alternativa ao público; trata-se de tomar conta, de governar o público, de influenciar e gerir o público.
Ora, este movimento existe em todo o lado, mas, que eu conheça, não há nenhum lugar do mundo onde ele tenha uma expressão tão forte como no Brasil. Nenhum. E creio que isso é muito preocupante.
Veja o texto na integra: A Tarde
Em tempos de inteligência artificial, cabe-nos pensar sobre o papel das universidades, especialmente as públicas, e refletir sobre como enfrentar os desafios trazidos pelo produtivismo que assola a ciência em todo o mundo. Foi com esse espírito que me encontrei, mais uma vez, com o colega professor António Nóvoa, emérito da Universidade de Lisboa, da qual foi reitor.
Na longa conversa, realizada no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Nóvoa declarou seu amor pelo Brasil e pela Bahia, falou da sua verdadeira paixão pela educação e pelos enormes desafios colocados à formação dos professores no contexto contemporâneo.
Vivemos, em todo o mundo, uma crise universitária, com muitos apontando o esgotamento do modelo humboldtiano de universidade, pressionado pelo produtivismo acadêmico, pela mercantilização da educação e, agora, pela inteligência artificial. Para Nóvoa, “se a universidade está a fazer a mesma coisa que a inteligência artificial pode fazer, não vale a pena”.
O que precisamos fazer diante desses desafios? Confira a entrevista abaixo.
Você sempre foi um estudioso da profissão docente. Como ela está se transformando ao longo dos tempos?
Julgo que o problema principal hoje da profissão docente é um conjunto de discursos e políticas bastante delirantes, na minha opinião, da ideia de que o futuro vai ser uma educação sem escolas, sem professores, aprendizagem online, tudo personalizado, tudo flexível, que os tutores vão ser motores de inteligência artificial. Há todo um discurso muito forte sobre isso no mundo inteiro, que obviamente traz um desgaste muito grande à profissão docente, uma espécie de receio sobre o futuro.
Portanto, eu creio que é muito importante nós hoje voltarmos à ideia de que, se queremos a escola como bem público, como um bem comum, nós precisamos de professores e precisamos dessa relação humana que existe ao nível dos professores. E creio que isso coloca os professores num lugar muito duro e muito difícil.
Você já se referiu à presença do setor empresarial na educação. Como está isso no mundo e no Brasil?
Essa presença do mercado, através de empresas, através de fundações, que muitas vezes não são verdadeiras fundações, são empresas escondidas, são interesses de mercado etc., está muito forte em todo o mundo. De 30 anos para cá, sobretudo a partir da grande ascensão do movimento neoliberal, o problema é que o privado quer tomar conta da escola pública, quer gerir o espaço público. Já não se trata de ser uma alternativa ao público; trata-se de tomar conta, de governar o público, de influenciar e gerir o público.
Ora, este movimento existe em todo o lado, mas, que eu conheça, não há nenhum lugar do mundo onde ele tenha uma expressão tão forte como no Brasil. Nenhum. E creio que isso é muito preocupante.
Veja o texto na integra: A Tarde