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Os desafios para o sequestro de carbono

25/06/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64267
Pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), Luiz Gylvan Meira Filho abordará o assunto na 61ª Reunião Anual da SBPC<BR><BR>Tecnologias de sequestro de carbono, como uma das soluções para a diminuição do aquecimento global, não faltam. O problema é que, no Brasil, elas ainda estão sendo desenvolvidas em escala de laboratório e restritas às universidades e aos centros de pesquisa.<BR><BR>Para viabilizá-las no país, será preciso conseguir reproduzi-las em maior escala e torná-las economicamente viáveis. “Isso dependerá de convencer grandes empresas, como as dos setores de petróleo, gás e mineração, a investir nelas”, afirma o pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), Luiz Gylvan Meira Filho.<BR><BR>“O que está faltando é grandes empresas se interessarem por esses experimentos, fazê-los em grande escala e baixarem o custo deles, pois essas tecnologias não serão desenvolvidas com recursos de agências de financiamento à pesquisa”, alerta ele, que abordará esse assunto em uma conferência que fará durante a 61ª Reunião Anual da SBPC - evento que a entidade realiza de 12 a 17 de julho em Manaus (AM).<BR><BR>Meira Filho, um astro-geofísico engajado na questão da mudança climática, sabe do que está falando. Foi vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, em inglês) e presidente dos grupos de negociação dos artigos 3 – sobre metas de redução de emissões dos países industrializados – e 12 – o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) –, do Protocolo de Quioto.<BR><BR>O especialista é um entusiasta das tecnologias para capturar por vias naturais ou artificiais o dióxido de carbono (o grande vilão do aquecimento global) da atmosfera terrestre e armazená-lo em um local seguro, onde ele permaneça “preso”. “Hoje, isso é possível fazer isso transferindo-o da atmosfera para a biosfera por sequestro por biomassa; para a hidrosfera, por sequestro oceânico, ou para a litosfera, por seqüestro geológico.”<BR><BR>Os desafios de cada uma<BR><BR>A via mais simples e tradicional, a da biomassa, que consiste no plantio de árvores para a criação de florestas, é limitada, na sua avaliação. Apesar de ser uma tecnologia interessante do ponto de vista ambiental, na medida em que o gás é capturado por meio da fotossíntese, ela depende da disponibilidade de terra, que não pode ser qualquer uma.<BR><BR>“Isso tem que ser feito em um lugar onde se tem chance das árvores permanecerem lá, como em áreas de preservação permanente ou plantações comerciais”, ressalva.<BR><BR>Outra alternativa é por intermédio do sequestro oceânico, que ocorre naturalmente nos oceanos, em que se transfere o dióxido de carbono para a hidrosfera. Pelo processo biológico tradicional, os fitoplânctons e outros organismos marinhos, da mesma forma que as árvores, realizam a fotossíntese e convertem o carbono em moléculas orgânicas e, eventualmente, em carbonato de cálcio – a calcária -, para formar seus esqueletos.<BR><BR>Mas, de acordo com o especialista, esse processo pode ser acelerado pela fertilização do oceano com sais de ferro, em que se adiciona sulfato ferroso nas águas para aumentar o crescimento de fitoplânctons e acelerar o mecanismo de fixação do dióxido de carbono nelas pela atividade fotossintética desses organismos.<BR><BR>“Atualmente estão tentando acelerar esse processo de fertilização de oceanos, que está em fase de testes. Mas tudo isso já foi feito em escala experimental. Agora, é necessário verificar se essa tecnologia pode ser utilizada em grande escala, acompanhar o destino do carbono e ter um custo possível de ser arcado”, pondera Filho.<BR><BR>Já por meio do armazenamento geológico o dióxido de carbono é enterrado em poços de petróleo, gás ou aquíferos salinos – reservatórios subterrâneos de alta salinidade - de forma a devolvê-lo para o subsolo terrestre.<BR><BR>Mas um dos maiores desafios para tornar o processo viável é diminuir os custos para separação do dióxido de carbono do restante do ar em terra, dado que injetá-lo em poços de petróleo ou gás é tecnicamente mais fácil. “O pessoal da Petrobras acha que isso não é muito difícil. Eles já fazem isso com facilidade e baixo custo”, afirma o pesquisador.<BR><BR>Para Meira Filho, os cientistas brasileiros ainda estão mais preocupados em medir o impacto do aquecimento global do que buscar soluções. “De qualquer forma, as soluções não serão alcançadas sem o esforço conjunto de cientistas e empresas”, finaliza ele.<BR><BR>A palestra do astro-geofísico será realizada no próximo dia 15 de julho, às 10h30, durante a 61ª Reunião Anual da SBPC.<BR><BR>O evento, cujo tema é “Amazônia: Ciência e Cultura”, será realizado a partir do dia 12 em Manaus (AM), no campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Contará com 175 atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos. Veja a programação em http://www.sbpcnet.org.br/manaus.<BR><FONT size=1>(Assessoria de Imprensa da SBPC)</FONT><BR>
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