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Enem 2008: Na rede pública, escolas federais se mantêm como ilhas de excelência

30/04/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63129
Das 20 da rede oficial mais bem colocadas, 18 são do governo federal <BR><BR>Demétrio Weber escreve “O Globo”:<BR><BR>As escolas federais lideram o ranking das melhores da rede pública. Dos 20 estabelecimentos públicos com maiores notas no Enem 2008, nada menos do que 18 são mantidas pelo governo federal, incluindo o primeiro colocado (terceira no ranking geral), o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (MG).<BR><BR>O Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAP/UFRJ) é o quarto da lista nacional das escolas públicas e o primeiro no Rio. Em seguida vem o CAP da Uerj, no Rio, e o Colégio Naval, em Angra dos Reis.<BR><BR>Diferentemente do que ocorre na maior parte da rede pública, o acesso às escolas federais e a estabelecimentos de elite da rede estadual se dá mediante testes tão acirrados quanto um vestibular.<BR><BR>Daí serem chamados de vestibulinhos, com direito até a cursinhos preparatórios, como ocorre nos vestibulares para ingresso nas universidades.<BR><BR>— As escolas federais, as privadas e os colégios de aplicação, além do militares, têm desempenho melhor em todas as avaliações do Inep. Não é novidade — diz o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes.<BR><BR>Apesar da diferença de rendimento a favor dos alunos da rede federal, o projeto de lei do governo que cria cotas nas universidades federais não faz distinção entre o alunado de colégios federais, estaduais e municipais. O argumento é que já que se trata de estabelecimentos públicos, todos têm direito à reserva de vagas.<BR><BR>Inclusão em cota cria polêmica<BR><BR>Não é o que ocorre em universidades que mantêm ações afirmativas. É o caso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que dá bônus de 10% na nota do vestibular a quem cursou o ensino médio na rede pública. A UFPE, no entanto, deixa claro que os alunos de escolas federais não têm direito ao benefício.<BR><BR>— Não faria sentido dar bônus a estudantes de escolas federais — diz o reitor da UFPE, Amaro Lins, que é presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).<BR><BR>Das 165 notas recebidas pelas 161 escolas federais no Enem 2008 (quatro são casos de dupla contagem porque oferecem turmas de educação de jovens e adultos), apenas dez ficaram abaixo de 50 pontos. <BR><BR>O pior desempenho é da Escola Agrotécnica Federal de São Luís — Anexo Igarapé do Meio, no Maranhão, com 42,02 pontos. Desses dez estabelecimentos, nove são colégios agrícolas localizados em zonas rurais. A exceção é o Colégio de Aplicação de Rio Branco, no Acre, que ficou com média 49,54.<BR><BR>No topo do ranking, 20 federais tiraram médias acima de 70 pontos. Também participaram do Enem 398 colégios municipais de ensino médio. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação recomenda que esse nível de ensino fique sob a responsabilidade dos governos estaduais.<BR><BR>Rede estadual no fim da fila da educação<BR><BR>A falência das redes públicas estaduais de ensino é o resultado que emerge dos últimos números do Enem 2008. Entre as mil escolas do país com piores notas no último exame, realizado ano passado, 965 são das redes estaduais. Na ponta de cima do ranking ocorre o inverso: os colégios estaduais são apenas 36 entre os mil com melhor desempenho.<BR><BR>Ou seja, somente 3,6%, embora 85% dos estudantes de nível médio no país frequentem estabelecimentos mantidos por governos estaduais. O segmento privado domina o topo da lista, com 905 dos mil melhores resultados.<BR><BR>As notas do Enem por escola estão disponíveis, a partir de hoje, na página do MEC na internet (mediasenem.mec.gov.br). Elas retratam a crise nas redes estaduais de ensino, justamente a instância responsável pelo ensino médio. Isso tudo acontece no momento em que o MEC propõe a substituição dos vestibulares por um novo Enem.<BR><BR>No ano passado, fizeram o exame 2,9 milhões de candidatos, sendo 1,1 milhão de jovens que estavam no último ano do ensino médio. Eles frequentavam estabelecimentos de ensino regular, profissionalizante ou de educação de jovens e adultos, a chamada EJA (antigo supletivo).<BR><BR>Problemas também nas particulares<BR><BR>O Enem é voluntário e avaliou alunos de 20.174 escolas públicas e privadas (só entram no ranking escolas em que pelo menos dez alunos fizeram a prova). Dos mil colégios com piores notas, incluindo os de EJA, 993 são públicos (965 estaduais e 28 municipais) e sete particulares.<BR><BR>A situação da rede pública estadual fica ainda pior quando se comparam apenas os resultados de escolas regulares, isto é, sem considerar os estabelecimentos de EJA. Dos mil colégios com notas mais baixas, 996 são públicos (967 estaduais e 29 municipais) e apenas quatro particulares.<BR><BR>No ano passado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo exame, já havia divulgado as notas individuais da prova objetiva e da redação. Entre os concluintes, a média foi de 49,57 pontos, na escala até 100.<BR><BR>Das 16.696 escolas estaduais com turmas regulares, profissionalizantes ou de EJA, 84% (14.098) ficaram abaixo da média nacional. Essa estatística contém casos de dupla contagem, uma vez que considera separadamente as notas dos supletivos e das turmas regulares das mesmas escolas.<BR><BR>Segundo o Inep, foram avaliados alunos de 15.044 escolas estaduais.<BR><BR>Ainda que liderem o ranking, nem tudo é boa notícia para os estabelecimentos privados. Longe disso. De 4.475 escolas particulares de ensino regular e profissional, 60,8% (2.724) ficaram abaixo da média do setor privado, de 60,73 pontos. Entre as mil maiores notas, 58 são de escolas federais. Uma é municipal.<BR><BR>O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, diz que o fraco desempenho das escolas estaduais não é surpresa. Ele admitiu que as disparidades entre as redes de ensino não serão automaticamente alteradas pelo novo formato do teste, que será aplicado em 3 e 4 de outubro: <BR><BR>— É provável que permaneçam. Não é mudando a avaliação que se mudam os resultados, porque eles são estruturais. Dependem muito da escola, mas principalmente do perfil do aluno a que a escola serve — diz Reynaldo.<BR><BR>Para o presidente do Inep, a divulgação das notas do Enem por escola serve para orientar alunos e suas famílias na escolha dos estabelecimentos de ensino. Reynaldo considera inapropriado comparar colégios que atendem grupos socioeconômicos distintos, isto é, escolas públicas e privadas: <BR><BR>— O perfil do aluno na escola pública é muito diferente do da escola particular. A comparação correta é com escolas similares.<BR><BR>Um estudo do Inep comparou o desempenho no Enem 2008 de estudantes das redes públicas e privadas. De um lado, foram calculadas as médias de todos os 191 mil alunos de escolas particulares que participaram do exame. Do outro, foram selecionadas as 191 mil notas mais altas do total de 922 mil estudantes de escolas públicas.<BR><BR>Os alunos da rede privada tiveram desempenho ligeiramente maior: 63,04 a 62,53. No teste objetivo, os estudantes das particulares saíram-se melhor (60,73 a 54,01); na redação ocorreu o inverso (71,05 a 65,35 a favor das públicas).<BR><FONT size=1>(O Globo, 29/4)</FONT><BR>
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