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Cursinhos já se adaptam e trocam vestibular por Enem

14/04/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=62799
Nova seleção também exigirá preparo, preveem especialistas <BR><BR>Adauri Antunes Barbosa escreve para “O Globo”:<BR><BR>Saem os cursinhos pré-vestibular, entram os cursinhos pré-Enem. A mudança é a primeira consequência direta da proposta do Ministério da Educação (MEC) de substituir o vestibular pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Alguns cursinhos que preparam alunos para o vestibular tradicional já têm um “departamento” especializado em Enem, já que ir bem no Exame interessa a todos, independentemente das alterações sugeridas.<BR><BR>Para os estudantes, nota boa é passaporte para o Universidade para Todos, o ProUni, programa do governo que financia os estudos. E as escolas também têm interesse no bom desempenho dos alunos, principalmente os colégios privados, já que é por meio do Enem que o MEC faz o ranking das instituições de ensino.<BR><BR>— Muda o foco. Se o aluno era preparado para um tipo de prova, o vestibular, agora vai passar por um outro tipo de preparação — afirmou o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro da Silva.<BR><BR>Com 14 anos de experiência na Cooperativa do Saber, tradicional cursinho pré-vestibular de Campinas (SP), o coordenador pedagógico André Ricardo Bellinati diz que a mudança para o pré-Enem será natural, porque os alunos continuarão sendo selecionados: — A troca do vestibular pelo Enem vai fazer com que os cursinhos saiam em busca de alunos, porque vai continuar havendo a seleção.<BR><BR>Em Itapetininga, interior de São Paulo, a Itapecursos já dá cursinho pré-Enem. O curso de ensino à distância tem sete CDs com conteúdo pedagógico e custa R$ 39,90. Em um dos CDs há um link para o site da empresa, através do qual os alunos podem interagir com os professores.<BR><BR>Também há aulas presenciais em Itapetininga, a cerca de 170 quilômetros de São Paulo.<BR><BR>— O mercado está crescendo. Com o Enem, e depois o ProUni, tem muita vaga e tem muita gente conseguindo entrar na universidade. Agora, os cursinhos vão trocar de nome. Em vez de pré-vestibular vão se chamar pré-Enem, como a gente já faz — conta o vendedor Luciano Lima da Costa, da Itapecursos.<BR><BR>Conforme avaliação do professor Benjamin da Silva, os cursinhos já não são tão rentáveis quanto no passado. Além disso, observa, muitas escolas privadas já se adaptaram para que o aluno não precise fazer um cursinho pré-vestibular: — Praticamente toda escola tem seu terceirão, o terceiro ano do ensino médio em período integral, com o conteúdo regular e o conteúdo do vestibular.<BR><BR>Dados sobre cursinhos são escassos. A concorrência acirrada faz com que os empresários do setor não revelem números.<BR><BR>No Sieeesp estão filiados apenas 90 desses estabelecimentos.<BR><BR>— Ainda temos um problema sério, a falta de regulamentação. Um pré-vestibular não é uma escola de ensino fundamental nem de ensino médio, não tem padrão — reclama Bellinati.<BR><BR>As mudanças no ingresso na universidade são classificadas como “interessantes” pelo diretor de graduação do Ibmec São Paulo, Sérgio Lazzarini. Ele aponta algumas preocupações. Afirma que o novo Enem deve ser uma prova que separe os alunos com diferentes habilidades. E propõe que o resultado esteja disponível em tempo hábil para não atrapalhar o processo de seleção das universidades: — No Ibmec São Paulo o processo de seleção começa em novembro.<BR><BR>Nesse mês já teríamos de ter o resultado do Enem.<BR><BR>O professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro, que integrou a comissão de avaliação de provas do vestibular da UFRJ, prevê mais problemas que avanços: — O Enem poderia ser um exame para também levantar questões e avaliar o ensino para fazer políticas públicas.<BR><FONT size=1>(O Globo, 12/4)</FONT><BR>
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