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Avaliação da Capes registra avanço em indicadores de qualidade dos cursos de mestrado e doutorado no Brasil

02/02/2023 http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br
Melhora se dá mesmo em um cenário de subfinanciamento da ciência, com cortes de recursos para pesquisas e corrosão do valor das bolsas

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência vinculada ao Ministério da Educação (MEC), divulgou em dezembro, um ano após o previsto, os resultados da avaliação quadrienal da pós-graduação no Brasil, usada desde a década de 1970 para aferir a qualidade dos cursos de mestrado e doutorado, acadêmicos e profissionais, e nortear a distribuição de bolsas e verbas. Mesmo em um cenário de subfinanciamento da ciência, com cortes de recursos para pesquisas e corrosão do valor das bolsas, muitos programas melhoraram seus indicadores. Dos 4.512 cursos avaliados entre 2017 e 2020, 34% aumentaram sua nota. O número de programas de nível internacional, aqueles que recebem as notas mais elevadas na escala da Capes (6 e 7), cresceu 37%, saltando de 490 para 671.

A maioria dos cursos concentra-se em estados do Sul e do Sudeste, principalmente São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Mas outras regiões também ganharam fôlego. No Nordeste, o número de programas de excelência passou de 37 para 60, um crescimento de 62%. A região Norte, que não tinha nenhum programa com nota 7 até a avaliação anterior, agora tem três nesse patamar, dois na Universidade Federal do Pará (UFPA) e um no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Tínhamos a expectativa de que a UFPA receberia notas melhores, mas os resultados foram além das expectativas, o que terá um impacto importante na nossa capacidade de captar recursos para o desenvolvimento da nossa pós-graduação”, destacou o psicólogo Emmanuel Zagury Tourinho, reitor da universidade, em vídeo divulgado pela UFPA nas redes sociais.

Os resultados reafirmam tendências já alcançadas em avaliações anteriores. A Universidade de São Paulo (USP) segue como a instituição brasileira com mais programas com notas 6 e 7. São 114 no total, sobretudo nas áreas de ciências biológicas, engenharia e medicina. Criada há apenas 17 anos, a Universidade Federal do ABC (UFABC) também comemorou os resultados. Dos 29 programas avaliados, 10 subiram de nota, sendo que dois obtiveram nota 6, o de nanociência e materiais avançados e o de ciência e tecnologia química, “um desempenho notável para uma instituição relativamente jovem”, avalia Charles Morphy, pró-reitor de pós-graduação da instituição. A pós-graduação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) passou a ter 10 programas com conceito 7, entre eles os de física, química e odontologia. “Isso se deve a uma política de pós-graduação baseada em metas e no acompanhamento dos programas ao longo de cada quadriênio”, diz a química Maria Valnice Boldrin, pró-reitora de pós-graduação da Unesp.

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 30 cursos aumentaram suas notas em relação ao ciclo anterior, sendo que 37 obtiveram nível de excelência, com destaque para as áreas de ciências humanas, de alimentos, engenharias, medicina e odontologia. A pró-reitoria de pós-graduação da universidade informou que irá se reunir com os coordenadores dos programas com notas 3 e 4 a fim de definir estratégias para melhorar o desempenho na próxima avaliação.

Veja o texto na íntegra: Pesquisa Fapesp
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