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Brasil testará vacina contra o câncer

05/03/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=61991
Nova forma de tratamento usa defesas do próprio organismo para impedir que tumor avance <BR><BR>Flávio Freire escreve para “O Globo”:<BR><BR>Lançada oficialmente ontem, a Rede Brasileira de Pesquisas sobre o Câncer começa a preparar os testes de uma vacina terapêutica para combater diferentes tipos da doença. Não se trata de uma vacina para evitar o surgimento do câncer, mas de um tratamento para fazer com que pacientes que tiveram a doença reforcem seu sistema imunológico para evitar novos tumores.<BR><BR>A vacina foi desenvolvida pelo instituto americano Ludwig, que cedeu o antígeno (substância que ativa o sistema imunológico) utilizado na medicação. Ele será associado a outras substâncias produzidas no Instituto Butantan, em São Paulo.<BR><BR>A partir dessa combinação, os pesquisadores vão analisar qual o tipo específico de câncer poderá ser combatido. Os primeiros testes com pacientes devem começar em cinco meses, avaliam os pesquisadores.<BR><BR>Confirmada a eficiência, a rede trabalhará junto ao governo, via ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, para que essas vacinas cheguem gratuitamente aos pacientes, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).<BR><BR>O genoma do tumor de mama em estudo Os antígenos utilizados pelo Instituto Ludwig foram descobertos em tumores de mama.<BR><BR>Eles foram estudados em testes clínicos realizados em três mil pacientes nos EUA. É por isso que pesquisadores da rede brasileira já trabalham no sequenciamento genético de células comprometidas pelo câncer de mama, como forma de acelerar o tratamento de vítimas da doença.<BR><BR>O tumor de mama é o de maior incidência em mulheres no Brasil.<BR><BR>— A célula cancerosa tem diferenças importantes em seu DNA. Se uma pessoa tem um câncer, o DNA da célula cancerosa é diferente do DNA da célula normal. Mas em que aspectos elas são diferentes? É isso que queremos descobrir. Vamos estudar o genoma completo, neste caso de um tumor de mama, e compará-lo com o genoma de uma célula normal — explicou o presidente da Conselho Nacional de de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marco Antônio Zago.<BR><BR>A vacina terapêutica, entretanto, poderá ser aplicada no tratamento de tumores de pele, ovário e pulmão.<BR><BR>— A vacina deve funcionar para os cânceres que apresentem o antígeno com o qual estamos trabalhando — disse Paulo Lee Hoo, pesquisador do Butantan.<BR><BR>Nessa mesma linha, o diretor do Instituto Ludwig, Andrew Simpson, especialista no estudo de câncer de mama, avalia que pacientes que lutam contra esse tipo específico da doença deverão ser beneficiados pela vacina.<BR><BR>— Essa é uma vacina molecular e, para funcionar, temos que verificar qual molécula está presente no tumor.<BR><BR>E a maneira de fazer isso é pelo sequenciamento. Vão existir várias vacinas baseadas em moléculas diferentes e temos que saber qual será útil em cada paciente — afirmou.<BR><BR>— Estamos produzindo uma vacina que provavelmente vai ser aplicada em 40% de melanomas, 30% de tumores de ovários e 5% em câncer de mama. Não dá para oferecer uma mesma coisa para todo mundo — disse Simpson.<BR><BR>Temor de entraves burocráticos na liberação Em paralelo às pesquisas, os integrantes da rede brasileira já fazem gestões junto ao governo para viabilizar o acesso da vacina terapêutica aos pacientes da rede pública de saúde. Um dos temores é que o processo esbarre na burocracia.<BR><BR>De acordo com o diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Luiz Eugênio de Souza, o bom andamento do processo dependerá de fatores como a comprovação da efetividade e a relação custo/ benefício: — Aí vai para uma decisão política — disse ele.<BR><FONT size=1>(O Globo, 4/3)</FONT><BR>
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