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A crise e os compromissos com a educação, artigo de Maria Alice Setubal

13/01/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=60999
<P>Parece óbvio que, numa situação de crise, o foco deve ser a equidade e os direitos do ser humano; assim, áreas sociais devem ser priorizadas<BR><BR>Maria Alice Setubal, socióloga, mestre em ciências políticas pela USP e doutora em psicologia da educação pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), é diretora-presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e presidente da Fundação Tide Setubal. Artigo publicado na “Folha de SP”: <BR><BR>Nos últimos anos, um número crescente de governos estaduais e municipais, assim como empresas do setor privado, buscaram implementar ações com o objetivo de promover a redução das desigualdades sociais. <BR><BR>No entanto, 2009 começa invadido por perspectivas pessimistas geradas pelas consequências da crise financeira que assolou o mundo no segundo semestre de 2008. <BR><BR>Prefeitos de todo o país tomaram posse discursando sobre cortes nos orçamentos municipais, embora a maioria deles tenha ressaltado que o social não sofrerá alterações. <BR><BR>Neste ano, teremos a chance de pôr a prova nossa capacidade de maior coerência entre o discurso e a prática, algo que parece óbvio, mas tão difícil de realizar não só nas políticas públicas mas também nas ações empresariais, como mostram inúmeros exemplos da nossa história. <BR><BR>Temos a chance de cumprir compromissos de campanhas políticas e de balanços empresariais, de modo a incluir novos segmentos sociais nas diferentes instâncias de participação da sociedade. <BR><BR>Temos muito a aprender em termos de justiça social e democracia, como construir fortes instituições da sociedade civil, monitorar as políticas do Executivo e do Legislativo e, especialmente, acompanhar os orçamentos públicos. <BR><BR>Nesse sentido, o Movimento Nossa São Paulo tem dado um exemplo de que é possível mobilizar os diferentes segmentos da sociedade paulistana para construir e se comprometer com uma agenda e um conjunto de metas que visem tornar São Paulo uma cidade mais justa e sustentável. <BR><BR>Para que isso se torne uma realidade no curto prazo, é fundamental o esforço de cada um para propor, acompanhar e cobrar as promessas e propostas governamentais, assim como os planos de responsabilidade social das empresas, que não podem apenas cortar investimentos sociais como primeira medida para se proteger da crise. <BR><BR>Parece óbvio que, numa situação de crise, o foco deve ser a equidade e os direitos do ser humano e, portanto, as áreas sociais devem ser priorizadas para não aumentarmos o fosso existente entre as diferentes camadas da sociedade. <BR><BR>No processo de construção de uma sociedade mais justa, chegamos ao consenso de que o investimento em educação é o maior impulsionador da diminuição das desigualdades sociais. <BR><BR>A divulgação de diversas avaliações nacionais e regionais demonstrou que, se há alguma melhora nos nossos indicadores educacionais, eles ainda estão longe de alcançar as metas de qualidade propostas pela sociedade -governo e sociedade civil- como condição necessária para a formação dos cidadãos brasileiros capazes de se integrarem no mundo do século 21. <BR><BR>Esses resultados tornam a cada dia mais urgente a implementação de uma série de medidas que invertam esse quadro. <BR><BR>Nesse contexto, inserem-se várias políticas educacionais, como o cumprimento de uma das metas do Todos pela Educação de aumentar para 5% do PIB os recursos para a educação, assim como, em São Paulo, voltarmos a destinar os 30% dos recursos para a educação, transferindo, por exemplo, para a assistência programas como o Leve Leite, que consome em torno de R$ 200 milhões. <BR><BR>Não podemos deixar que, mais uma vez, programas sociais de sucesso -tanto os coordenados pelo setor público quanto aqueles coordenados por institutos ou fundações do terceiro setor- sejam descontinuados. <BR><BR>As populações que vivem em situação de alta vulnerabilidade começaram a confiar na atuação e na efetividade desses programas. Não temos o direito de frustrá-los novamente e continuarmos apresentando um dos maiores índices de desigualdade social do mundo. "Tinha medo não. Tinha era cansaço de esperança", como disse Riobaldo em "Grande Sertão: Veredas".<BR><BR>A construção da cidadania para alcançar uma sociedade mais justa e com equidade passa pelo reconhecimento do outro em sua dignidade pessoal como sujeito de direitos, de modo que todos tenham condições de participar do desenvolvimento econômico, social e político da sociedade. <BR><FONT size=1>(Folha de SP, 12/1)</FONT> </P>
<P><A href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=60999"><FONT size=1>http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=60999</FONT></A><BR></P>
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