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Em vigor, nova ortografia ainda causa dúvidas
05/01/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=60838
<P>Imprecisão no texto do acordo faz com que especialistas aguardem ABL para decidir sobre utilização do hífen<BR><BR>Miguel Conde escreve para “O Globo”: <BR><BR>Entrou oficialmente em vigor ontem o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Ratificado em setembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele institui diversas mudanças na ortografia do português, entre elas a extinção do trema, a incorporação das letras “k”, “w” e “y” ao alfabeto e novas regras de acentuação e uso do hífen – estas últimas, motivo de dúvidas mesmo entre os especialistas. <BR><BR>O prazo oficial dado pelo governo para que os brasileiros se adaptem às mudanças é 31 de dezembro de 2012. Em Portugal, o prazo oficial se estende até 2014. <BR><BR>Alguns dicionários já estão atualizados<BR><BR>Algumas editoras já mandaram para as livrarias dicionários atualizados, entre eles o “Houaiss” (Objetiva), o “Aurélio” (Positivo) e o “Dicionário Escolar da Língua Portuguesa” (Companhia Editora Nacional), este feito pela Academia Brasileira de Letras (ABL). <BR><BR>Todos eles, porém, em versão míni, com cerca de 30 mil verbetes, os mais usados em sala de aula. O único dicionário completo que diz estar totalmente atualizado, no momento, é o Caldas Aulete, oferecido de graça em versão digital na internet, no site www.auletedigital.com.br. <BR><BR>Como o acordo não fornece uma lista de palavras a serem alteradas, mas novas regras que devem ser aplicadas no vocabulário existente, as editoras precisaram reforçar o quadro de lexicógrafos e revisores para fazerem as mudanças. <BR><BR>Ainda assim, casos controversos permanecem, em especial em relação ao hífen. O acordo é criticado por deixar margem à interpretação na decisão sobre que palavras devem ganhar ou perder hífen. <BR><BR>O texto diz que devem perder o hífen, por exemplo, os termos compostos “em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição”. Como exemplos de palavras a serem mudadas, são dados apenas pára-quedas e pára-quedista, que passam a ser grafadas como paraquedas e paraquedista. Como não há jeito objetivo de se dizer em que palavras a “noção de composição” se perdeu ou não, o texto ficou impreciso<BR><BR>Por isso, as editoras aguardam a publicação do “Vocabulário ortográfico da língua portuguesa”, da ABL, elaborado por uma equipe chefiada por Evanildo Bechara, para adotarem soluções de consenso onde ainda existem dúvidas. <BR><BR>Até o governo adiou a compra de dicionários para a rede pública de ensino à espera do Vocabulário Ortográfico. <BR><BR>O objetivo do acordo é simplificar as regras de escrita e acabar com as diferenças entre a ortografia do Brasil e a dos demais países que têm o português como língua oficial. As diferenças remontam a 1911, quando o governo português fez, à revelia do Brasil, a primeira normatização oficial da língua portuguesa. Desde então, os dois países tentam reaproximar suas grafias, reduzindo progressivamente as diferenças entre elas. O acordo acaba com 98% das divergências ainda existentes.<BR><FONT size=1>(O Globo, 2/1)</FONT> </P>
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