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Recursos em alta desafiam ciência
04/11/2008
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=59670
<P>Com mais financiamento disponível, agenda do setor se volta para busca de excelência e redução da burocracia <BR><BR>Herton Escobar escreve para “O Estado de SP”:<BR><BR>A desculpa de que “falta dinheiro” não está mais colando para justificar resultados insatisfatórios na ciência brasileira. Várias lideranças científicas consultadas pelo Estado consideram que os recursos disponíveis para ciência e tecnologia hoje são adequados para atender às necessidades de financiamento da pesquisa no País.<BR><BR>O novo desafio, dizem, é desenvolver bons projetos e desembaraçar a máquina burocrática para garantir que esses recursos sejam bem aproveitados - além de torcer para que a crise financeira internacional não ponha tudo a perder no ano que vem.<BR><BR>O tema é tratado com cautela pelos pesquisadores, que medem as palavras para não passar a idéia de que está “sobrando dinheiro” na ciência. E não está. Mas a responsabilidade parece ter passado, definitivamente, para o lado da gestão e da produção de resultados.<BR><BR>“Quem tem um bom projeto consegue dinheiro” é uma frase que se ouve com freqüência, principalmente nos Estados do Sul e do Sudeste, onde estão as melhores - e mais bem financiadas - instituições de ensino e pesquisa do País.<BR><BR>O montante de investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento (P&D), incluindo fontes federais, estaduais e do setor privado, aumentou de R$ 11 bilhões em 2000 para quase R$ 23,7 bilhões em 2006, segundo as estatísticas mais recentes compiladas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O orçamento da pasta aumentou de R$ 1,6 bilhão em 2000 para R$ 5,5 bilhões, este ano. A proposta para 2009 é de R$ 6 bilhões, sem contingenciamento.<BR><BR>No mesmo período, o número de doutores formados por ano no País aumentou de pouco mais de 5 mil para quase 10 mil. E a quantidade de trabalhos publicados em revistas internacionais por cientistas brasileiros subiu de 9.500 para 19.400, aproximadamente, o que representa 2% do conhecimento científico produzido no mundo.<BR><BR>Tudo muito positivo. Mas com o crescimento, surgem novos desafios. Entre eles, a redução da burocracia.<BR><BR>“À medida que os recursos começam a fluir em maior volume, isso cria um congestionamento”, disse ao Estado o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, fazendo uma analogia com o crescimento da frota de veículos nas ruas das grandes metrópoles. “O sistema está engarrafado porque a quantidade de dinheiro aumentou muito, mas os caminhos que ele precisa percorrer para chegar aos pesquisadores não foram desobstruídos.”<BR><BR>Segundo Rezende, as “leis de trânsito” do sistema de ciência e tecnologia foram escritas para uma realidade de poucos recursos, com uma lombada burocrática ao redor de cada esquina. Faltam guardas, vias expressas e semáforos inteligentes para acomodar o tráfego mais intenso de investimentos.<BR><BR>O orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) - principal fonte de recursos para pesquisa no País -, que era de R$ 350 milhões em 2002, aumentou para R$ 2 bilhões em 2008. Mas o número de funcionários nos órgãos federais responsáveis por fazer esse dinheiro fluir continua o mesmo, aponta Rezende.<BR><BR>“Estamos com dificuldade para executar o orçamento”, afirma o ministro. Até a semana passada, 75% do fundo havia sido executado. O restante - quase R$ 500 milhões - deverá ser injetado numa nova rede de institutos nacionais de pesquisa, cujo edital será concluído neste mês pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).<BR><BR>“O Brasil está deixando de ser uma empresa pequena para se tornar uma empresa média em ciência, e isso requer uma reorganização estrutural e operacional do sistema”, diz o cientista Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), que é um dos coordenadores de um grande projeto de pesquisa em bioenergia no Estado (Bioen).<BR><BR>Só assim, diz Buckeridge, o Brasil poderá ser competitivo no mercado global de ciência e tecnologia. “Nos Estados Unidos, o dinheiro chega para o pesquisador e é gasto rapidamente, o que dá uma dianteira muito grande. Aqui, quando a gente consegue começar a pesquisa, já estamos atrasados e corremos o risco de chegar a resultados que já serão obsoletos.”<BR><BR>“O nível de investimento está muito bom. Agora é hora de organizar o sistema para torná-lo mais eficiente”, diz o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp. O planejamento estratégico torna-se crucial, diz ele, para garantir que os recursos não sejam desperdiçados em projetos pouco produtivos nem fiquem parados no trânsito burocrático.<BR><BR>“Há uma série de mecanismos regulatórios que precisam ser repensados e atualizados”, reforça o presidente do CNPq, Marco Antônio Zago. Pelo menos um gargalo já foi atenuado: a demora para importação de materiais de pesquisa. Com base em um acordo com a Receita Federal e órgãos fiscalizadores, o tempo médio de espera para liberação de produtos neste ano foi reduzido de duas semanas para três dias, segundo Zago.<BR><FONT size=1>(O Estado de SP, 2/11)</FONT></P>
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