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Lula agora admite que crise pode afetar arrecadação do governo e limitar verbas de ministérios
23/10/2008
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=59431
<P>“Não posso assumir o compromisso com vocês de que, se houver uma crise econômica que abale o Brasil, a gente vá manter todo o dinheiro dos ministérios”, disse Lula, na sede da SBPC <BR><BR>Soraya Aggege escreve para “O Globo”:<BR><BR>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que a crise financeira poderá afetar a arrecadação do governo e adiantou que, se isso ocorrer, as verbas dos ministérios serão contingenciadas.<BR><BR>Ao baixar o tom otimista que vinha usando ao falar da crise, Lula comentou que, embora tenha sido criticado pelo otimismo, precisa agir assim para não piorar a situação.<BR><BR>— Não posso assumir o compromisso com vocês de que, se houver uma crise econômica que abale o Brasil, a gente vá manter todo o dinheiro dos ministérios. Se a União arrecadar menos, vai haver menos dinheiro para todo mundo — disse Lula, em São Paulo, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). — Tem gente que fala que sou muito otimista, que deveria falar com menos otimismo. Não posso. Imagina você ir no hospital visitar um companheiro em fase terminal e dizer: ontem morreu um cara assim, igual a você.<BR><BR>Segundo o relator do Orçamento da União para 2009, senador Delcídio Amaral (PT-MS), há espaço para cortes de cerca de R$ 12 bilhões. Além dos R$ 8 bilhões em despesas de custeio, é possível cortar R$ 4 bilhões em investimentos.<BR><BR>Eles viriam de um total de R$ 39,4 bilhões nesta rubrica, e já preservadas as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).<BR><BR>Lula: há um 'gostinho pelo papel do Estado'<BR><BR>Lula disse que cuidará para manter as reservas cambiais e o potencial de consumo do mercado interno: — Por isso que não quero diminuir crédito e tenho dito que ninguém pare de comprar televisão, geladeira. Se não tiver as pessoas comprando não tem fábricas produzindo, comércio vendendo, e entramos mesmo em recessão.<BR><BR>Para Lula, o sistema financeiro nacional lembra a velha brincadeira das cadeiras: seis pessoas disputam cinco cadeiras e uma delas sobra: — Os banqueiros fizeram isso, porque, de repente, o dinheiro desapareceu.<BR><BR>Não tem mais crédito na Alemanha, na Inglaterra e no Brasil.<BR><BR>Lula elogiou a ação do presidente dos EUA, George W. Bush, por comprar ações de bancos privados, frisando que o controle maior do capital pelo Estado será positivo para o mundo: — Isso é muito importante, porque o coração do regime capitalista, começa a tomar gostinho pelo papel do Estado, desmoralizado nos últimos 30 anos.<BR><FONT size=1>(O Globo, 22/10)</FONT></P>
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