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Salas de aula do século 21 ainda estão no passado, alertam especialistas
13/12/2016
http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/8-salas-de-aula-do-seculo-21-ainda-estao-no-passado-alertam-especialistas/
Mesa redonda “Educação, ciência e inovação do futuro” destacou o
papel das tecnologias, em especial a internet, na educação de jovens e
crianças, durante o 1º Congresso do Futuro: Democracia, Comunicação e
Progresso no Mundo Digital e Sustentável, no Senado
As salas de aula do início do século 21 ainda são muito parecidas com
as de cem anos antes, alertaram especialistas que participaram do
segundo dia de debates do 1º Congresso do Futuro, realizado nesta
sexta-feira (9) no auditório Petrônio Portella. Esse descompasso com a
realidade do lado de fora das janelas das escolas, advertiram, desmotiva
as crianças, afasta os jovens e evita o crescimento da produtividade do
País.
Nas escolas do começo do século 20, recordou o jornalista Marcelo
Tas, as crianças tinham como única fonte de informação, o professor, que
por sua vez se baseava em um livro texto. O ambiente físico de hoje é
parecido, observou, mas as meninas e os meninos que entram em sala de
aula já contam com múltiplas fontes de informação na internet, rede que
os jovens brasileiros usam com muita frequência.
— Os brasileiros são abertos às transformações e às novidades. Somos
os maiores usuários das redes sociais, o que tem chamado a atenção de
especialistas estrangeiros — disse Tas.
Os temas das duas mesas redondas desta sexta-feira — educação,
ciência e inovação e o futuro da comunicação — acabaram se mesclando nas
palestras dos convidados. O coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro
da Universidade de Brasília, Isaac Roitman, previu que as escolas
deverão “gradativamente” eliminar as aulas expositivas, uma vez que os
estudantes — como havia ressaltado Tas — “têm o conhecimento no bolso”.
Escola “chata”
Quase todas as escolas brasileiras já dispõem de equipamentos de
informática, informou o diretor-geral do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi. Mas apenas 5% usam
computadores em salas de aula. Ele disse que o Brasil já gaste o
equivalente a 6,5% de seu produto interno bruto (PIB) em educação, mais
ou menos o que os países desenvolvidos também investem, a educação não
mudou.
— A juventude brasileira acha a escola chata — afirmou.
Rafael Lucchesi lembrou que 80 milhões de adultos no País não têm o
ensino médio completo, o que mantém muito baixa a produtividade da mão
de obra no País. São necessários quatro brasileiros, comparou, para
alcançar a produção de um alemão. Enquanto na Áustria 77% dos jovens
recebem educação profissional, no Brasil atualmente esse índice é de
11%.
O indiano Kishore Singh, relator especial das Nações Unidas para o
Direito à Educação, também ressaltou os fortes vínculos entre a
indústria e a escola em países como a Alemanha. Ele relatou ter ouvido
de empregadores em diversos países que eles precisam de jovens “com
habilidades para o século 21”. Se os jovens decidem abandonas as aulas,
refletiu, é porque “a educação não é o que eles esperavam”.
Tempo de perguntas
Jornalista especializada em Novas Mídias pela Universidade de
Stanford, nos Estados Unidos, Gabriela Mafort citou quatro fatores que
estão mudando a comunicação no mundo: inteligência artificial, realidade
virtual, análise preditiva e conteúdo personalizado. Para dar um
exemplo de tudo isso, ela convidou uma estudante da plateia a entrar,
com sua conta no Tweeter, em um aplicativo americano criado para indicar
se a pessoa votaria no republicano Donald Trump ou na democrata Hillary
Clinton, nas eleições presidenciais deste ano. Com base no histórico de
tweets, o aplicativo acertou a predileção da estudante por Hillary.
Em sua palestra, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) ressaltou que
as grandes mudanças ocorridas nos últimos anos motivam a formulação de
muitas perguntas sobre o que ainda está por vir. A educação, a seu ver,
deve seguir esse caminho. Na opinião do senador, a universidade atual
“não faz perguntas, só dá respostas”.
— Este é um tempo de dúvidas e de perguntas — disse Cristovam, ao
questionar, por exemplo, os atuais padrões de consumo e meios de aferir o
bem-estar das pessoas.
Ao final do evento, o diretor-executivo de Mobilidade e Ecofluig da
empresa Totvs, Mário Almeida, observou que, com o acesso imediato à
internet, “todo mundo é comunicador”. E, com acesso à informação mais
amplo do que em qualquer outra época, ressaltou, será cada vez mais
importante aprender a lidar com todos os dados que são consumidos.
— Saber fazer as perguntas certas passou a ser mais importante do que saber as respostas — afirmou.
Agência Senado
papel das tecnologias, em especial a internet, na educação de jovens e
crianças, durante o 1º Congresso do Futuro: Democracia, Comunicação e
Progresso no Mundo Digital e Sustentável, no Senado
As salas de aula do início do século 21 ainda são muito parecidas com
as de cem anos antes, alertaram especialistas que participaram do
segundo dia de debates do 1º Congresso do Futuro, realizado nesta
sexta-feira (9) no auditório Petrônio Portella. Esse descompasso com a
realidade do lado de fora das janelas das escolas, advertiram, desmotiva
as crianças, afasta os jovens e evita o crescimento da produtividade do
País.
Nas escolas do começo do século 20, recordou o jornalista Marcelo
Tas, as crianças tinham como única fonte de informação, o professor, que
por sua vez se baseava em um livro texto. O ambiente físico de hoje é
parecido, observou, mas as meninas e os meninos que entram em sala de
aula já contam com múltiplas fontes de informação na internet, rede que
os jovens brasileiros usam com muita frequência.
— Os brasileiros são abertos às transformações e às novidades. Somos
os maiores usuários das redes sociais, o que tem chamado a atenção de
especialistas estrangeiros — disse Tas.
Os temas das duas mesas redondas desta sexta-feira — educação,
ciência e inovação e o futuro da comunicação — acabaram se mesclando nas
palestras dos convidados. O coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro
da Universidade de Brasília, Isaac Roitman, previu que as escolas
deverão “gradativamente” eliminar as aulas expositivas, uma vez que os
estudantes — como havia ressaltado Tas — “têm o conhecimento no bolso”.
Escola “chata”
Quase todas as escolas brasileiras já dispõem de equipamentos de
informática, informou o diretor-geral do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi. Mas apenas 5% usam
computadores em salas de aula. Ele disse que o Brasil já gaste o
equivalente a 6,5% de seu produto interno bruto (PIB) em educação, mais
ou menos o que os países desenvolvidos também investem, a educação não
mudou.
— A juventude brasileira acha a escola chata — afirmou.
Rafael Lucchesi lembrou que 80 milhões de adultos no País não têm o
ensino médio completo, o que mantém muito baixa a produtividade da mão
de obra no País. São necessários quatro brasileiros, comparou, para
alcançar a produção de um alemão. Enquanto na Áustria 77% dos jovens
recebem educação profissional, no Brasil atualmente esse índice é de
11%.
O indiano Kishore Singh, relator especial das Nações Unidas para o
Direito à Educação, também ressaltou os fortes vínculos entre a
indústria e a escola em países como a Alemanha. Ele relatou ter ouvido
de empregadores em diversos países que eles precisam de jovens “com
habilidades para o século 21”. Se os jovens decidem abandonas as aulas,
refletiu, é porque “a educação não é o que eles esperavam”.
Tempo de perguntas
Jornalista especializada em Novas Mídias pela Universidade de
Stanford, nos Estados Unidos, Gabriela Mafort citou quatro fatores que
estão mudando a comunicação no mundo: inteligência artificial, realidade
virtual, análise preditiva e conteúdo personalizado. Para dar um
exemplo de tudo isso, ela convidou uma estudante da plateia a entrar,
com sua conta no Tweeter, em um aplicativo americano criado para indicar
se a pessoa votaria no republicano Donald Trump ou na democrata Hillary
Clinton, nas eleições presidenciais deste ano. Com base no histórico de
tweets, o aplicativo acertou a predileção da estudante por Hillary.
Em sua palestra, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) ressaltou que
as grandes mudanças ocorridas nos últimos anos motivam a formulação de
muitas perguntas sobre o que ainda está por vir. A educação, a seu ver,
deve seguir esse caminho. Na opinião do senador, a universidade atual
“não faz perguntas, só dá respostas”.
— Este é um tempo de dúvidas e de perguntas — disse Cristovam, ao
questionar, por exemplo, os atuais padrões de consumo e meios de aferir o
bem-estar das pessoas.
Ao final do evento, o diretor-executivo de Mobilidade e Ecofluig da
empresa Totvs, Mário Almeida, observou que, com o acesso imediato à
internet, “todo mundo é comunicador”. E, com acesso à informação mais
amplo do que em qualquer outra época, ressaltou, será cada vez mais
importante aprender a lidar com todos os dados que são consumidos.
— Saber fazer as perguntas certas passou a ser mais importante do que saber as respostas — afirmou.
Agência Senado