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Universidades devem preparar estudantes para tempos de incerteza

28/10/2016 jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/11-universidades-devem-preparar-estudantes-para-tempos-de-incerteza/
Avaliação
foi feita por Felipe González, primeiro-ministro da Espanha entre 1982 e
1996 e titular da cátedra José Bonifácio da USP, na abertura da
conferência comemorativa do 28º aniversário da Magna Charta
Universitatum
Além da missão de educar e de capacitar os milhares de estudantes que
forma anualmente para transformar o que aprenderam em algo de valor
para a sociedade, as universidades devem prepará-los para enfrentar as
incertezas do mundo globalizado.
As instituições universitárias, contudo, ainda não estão
suficientemente preparadas para enfrentar esse desafio, avaliou Felipe
González, primeiro-ministro da Espanha entre 1982 e 1996 e titular este
ano da cátedra José Bonifácio do Centro Ibero-Americano (Ciba) da
Universidade de São Paulo (USP), durante palestra na abertura da
conferência comemorativa do aniversário da Magna Charta Universitatum,
no dia 20/10, em São Paulo.
Realizado pela primeira vez fora da Europa, o evento que ocorre
anualmente tem o objetivo de discutir os atuais desafios para as
universidades preservarem os valores e princípios fundamentais
estabelecidos na Magna Charta Universitarium.
Lançado em setembro de 1988, no aniversário de 900 anos de fundação
da Università di Bologna, na Itália – considerada a universidade mais
antiga do mundo ocidental, fundada em 1088 –, o documento foi assinado
naquela ocasião por 388 reitores. Dentre eles, José Goldemberg, então
reitor da USP e atual presidente da FAPESP.
Atualmente, 805 reitores de universidades situadas em 85 países
subscrevem o documento. Os três últimos foram os reitores das
Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Minas Gerais
(UFMG) e da Universidade do Minho, em Portugal, que assinaram a Magna
Charta durante uma cerimônia realizada no dia 21/10 na Sala do Conselho
Universitário da USP.
Um dos princípios fundamentais estabelecidos pelo documento é que a
universidade é uma instituição autônoma que, de modo crítico, produz e
transmite conhecimento através da pesquisa e do ensino. E que, nas
universidades, a atividade didática é indissociável da pesquisa.
Essa missão de produzir e transmitir conhecimento por meio da
pesquisa e do ensino tem sido cumprida diligentemente pelas melhores
universidades no mundo, como a USP, avaliou González. “O cumprimento
dessa missão, inclusive, é usado como critério de qualificação das
universidades nos rankings internacionais”, ressaltou.
As universidades, contudo, não têm dado muita atenção para capacitar
os estudantes que coloca no mercado para transformar o conhecimento em
algo de valor para a sociedade – por meio do estímulo ao
empreendedorismo e à inovação, por exemplo –, e ainda não estão prontas
para prepará-los para as incertezas do mundo globalizado, ponderou.
“Vivemos uma revolução tecnológica que rompeu a barreira do tempo e
do espaço da comunicação, aumentou a velocidade de circulação do capital
e colocou em crise nossa ideia do Estado-Nação como o âmbito de
realização da soberania, da identidade da moeda e do mercado, entre
outros impactos, que têm tornado o presente e o futuro cada vez mais
incertos”, avaliou González.
“As universidades não estão preparadas para ajudar os estudantes a lidar com essas incertezas”, apontou.
Uma das razões para essa falta de preparo das universidades, na
opinião dele, é que o pensamento dos educadores, a exemplo dos pais,
está mais voltado para garantir aos jovens um futuro próspero, de plena
realização pessoal e profissional, sem levar em conta o imponderável.
“Como dizer ao jovem que estamos educando que a maior certeza que
temos hoje é que temos que prepará-los para incertezas causadas por
mudanças abruptas, que exigem flexibilização e conhecimento contínuo?”,
questionou González.
O advogado e político espanhol tem se dedicado a estudar e discutir
com outros pesquisadores no âmbito da cátedra José Bonifácio os desafios
da governança na democracia representativa e os impactos da
globalização na soberania dos países.
Na avaliação de González , a globalização tem gerado uma desigualdade
insustentável na distribuição de riqueza no mundo e no ingresso às
universidades.
“Mesmo em países que experimentaram um crescimento econômico
acelerado nos últimos anos, como a China, além de outros, como a
Dinamarca, Estados Unidos, Espanha e países da América Latina, como o
Brasil, o acesso à universidade ainda é muito desigual”, afirmou.
A ampliação do acesso ao sistema de educação e de formação
profissional é um componente fundamental para enfrentar a desigualdade
na distribuição de riqueza no mundo, avaliou.
“O acesso ao sistema educacional e de formação profissional
representa um dos mecanismos mais eficazes de distribuição de renda
porque permite a igualdade de oportunidades de melhores salários”
avaliou.
Ação conjunta
Na avaliação de Sijbolt Noorda, presidente da Magna Charta
Observatory – uma associação criada em 2000 com o objetivo de monitorar a
situação da liberdade acadêmica e autonomia institucional das
universidades signatárias do documento –, os desafios impostos pela
revolução na informação terão que ser atacados de forma conjunta pelas
instituições de pesquisa e ensino superior no mundo.
“Os desafios não serão solucionados localmente e atacados
integralmente. As universidades estão sendo pressionadas a unir suas
forças para buscar soluções conjuntas. Por isso, viemos pela primeira
vez à América Latina e nos próximos anos devemos ir para África e Ásia”,
afirmou.
O próximo encontro anual da entidade será realizado na University of Pécs, na Hungria.
A edição do evento no Brasil teve como principais palestrantes, além
de González, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e a
embaixadora do México no Brasil, Beatriz Paredes Rangel.
Mais informações sobre a Magna Charta Universitatum podem ser obtidas em www.magna-charta.org/.
Agência Fapesp













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