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Brasileira recebe o International Impact Award da Universidade de Iowa
14/01/2015
http://www.jornaldaciencia.org.br/brasileira-recebe-o-international-impact-award-da-universidade-de-iowa/
Selma Maria Bezerra Jeronimo é professora do Departamento de Bioquímica e diretora do Instituto de Medicina Tropical do Rio Grande do Norte, que é uma unidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Formada em Medicina e com Pós-Graduação em Biologia Molecular pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Ela fez também um “fellowship” sobre doenças infecciosas na Universidade de Virgínia, em Charlottesville, nos EUA.No final de novembro, a professora Selma recebeu o International Impact Award, concedido pela Universidade de Iowa que reconhece alunos ilustres e outros indivíduos com laços significativos com a instituição, que contribuíram de maneira importante em nível internacional ou, no caso de alunos internacionais, no exterior em seus países de origem.O prêmio foi criado em 2010 por programas internacionais da Universidade de Iowa, a fim de homenagear pessoas excepcionais em qualquer campo, que contribuíram de forma contínua e profunda em nível internacional para promover a compreensão global.A professora Selma Jeronimo falou ao Jornal da Ciência sobre a premiação e seu trabalho:Jornal da Ciência – Como foi receber esse prêmio internacional?Selma Jeronimo - No meu caso a universidade visualizou como sendo uma contribuição na área do ensino, pois recebemos alunos de medicina da Universidade de Iowa aqui na UFRN. Eles me agraciaram, mas na verdade é um reconhecimento à UFRN pela criação do Instituto de Medicina Tropical e todo trabalho que este Instituto está se propondo a realizar no estado do Rio Grande do Norte.JC – Que trabalho é esse?SJ – O Instituto foi criado visando, entre outros aspectos, auxiliar o estado na resolução de alguns problemas de saúde importantes. Nossa meta é tentar controlar e erradicar algumas doenças cuja existência é inaceitável nos dias de hoje como por exemplo a hanseníase, esquistossomose, tuberculose. Então, tentamos implantar estratégias macro para trabalhar essas doenças. Ao mesmo tempo também trabalhamos outras doenças que são emergentes devido ao processo de modificação social que o País vive, os aspectos das doenças que vem com esse adensamento populacional.JC – Sua atuação é mais em sala de aula ou como pesquisadora?SJ - Ministro aulas no Departamento de Bioquímica para a graduação em Medicina e também para alunos de pós-graduação em Bioquímica e em Saúde da UFRN. Mas também faço pesquisa de campo e laboratorial com ênfase principalmente em leshimaniose, hanseníase e pré-eclampsia. Faço tanto a parte laboratorial, quanto a parte epidemiológica de campo do estudo clínico dessas doenças.JC – Como é sua pesquisa?SJ - Um dos trabalhos importantes que o Instituto está realizando é sobre o empoderamento da população. O que a gente tem visto é que grande parte dos agravos relacionados à saúde, muitas vezes são decorrentes do desconhecimento do processo de adoecer, de como você se contamina e tudo mais. Por isso estamos trabalhando também o aspecto da educação em ciência, e educação em saúde. Estamos com um projeto piloto no município de Pureza, uma cidade que fica cerca de uma hora de Natal. Lá, em colaboração com a Prefeitura e com a Secretaria de Saúde e de Educação, os alunos e professores do Instituto de Medicina Tropical vão trabalhar nos próximos cinco anos numa capacitação e compartilhamento de informação com a população. Esse é um trabalho que nós consideramos extremamente importante para tentar quebrar esse ciclo de adoecimento através do empoderamento da educação.JC – E quanto ao atendimento clínico?SJ - O nosso Instituto é formado por vários médicos que são do Departamento de Infectologia. Nós fazemos atendimento clínico nas nossas pesquisas. Nossa proposta é que o Instituto tenha um ambulatório e a estimativa que esse ambulatório vá atender em média de 60 a 80 mil pessoas por ano em Natal. A construção deve começar em janeiro de 2015, com previsão de ficar pronto em dois anos e é onde será o atendimento a população.Edna Ferreira / Jornal da Ciência