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IBGE aponta diferença de 25% no número da população indígena no Brasil

30/07/2014 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=94581
Número chegou a quase 1 milhão de indígenas em 2010. Dado diverge de números apresentados por estudiosos da área indígena, em 900 mil Rio Branco - O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a população indígena no Brasil, em três décadas, mostra diferença de 25% superior à sondagem de estudiosos da área indígena. Os dados analisados no período de 1991 a 2010 reflete o uso de metodologias diferentes e podem interferir na adoção de políticas públicas para as etnias. Enquanto o IBGE diz que o maior número de indígenas está nas cidades, estudiosos apontam que a maioria vive no campo, em suas etnias. O cenário foi apresentado em debate neste domingo, 27, na 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, Acre. A mesa-redonda reuniu o diretor de Geociência do IBGE, José Sena do Nascimento, o historiador Edmundo Cunha Monte Bezerra, professor da UFAC, e o demógrafo Pery Teixeira, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFAM), que mediou o debate. Conforme o diretor do IBGE, os números dos sensos demográficos do Instituto mostram que em 1991 existiam 700 mil indígenas, alocados em aldeias e em cidades. O número subiu para 900 mil em 2000. E em 2010 chegou a quase 1 milhão. Aliás, disse Nascimento, a taxa de crescimento dos povos indígenas supera em 20% o crescimento da população brasileira, no período analisado. Nascimento explicou que a metodologia usada de 1991 a 2000 se baseava na autodeclaração - se a pessoa era ou não indígena. O modelo foi alterado a partir de 2010 quando o IBGE começou a especificar a linguagem e a etnia do contingente indígena, disse. "O aumento do número de indígenas reflete a conscientização maior das pessoas sobre sua condição étnica, e que passam a se declarar indígenas. É um processo natural que ocorre também em outros países", atestou Nascimento. No que se refere a políticas públicas, o diretor do IBGE reconhece que o levantamento dos estudiosos da área indígena é melhor. "Mas para efeito de ações afirmativas o número obtido por autodeclaração talvez seja melhor." Dados de estudiososPor outro lado, a metodologia aplicada pelos estudiosos em área indígena utilizam as características desses povos. Ou seja, se a pessoa se considera indígena. Conforme citou o estudioso da UFMA, Pery Teixeira, com base em dados de antropólogos, existem 900 mil indígenas no Brasil. Desse total, 315 mil vivem na área urbana, enquanto 685 mil no campo. Ao contrário disso, ele disse que os dados do IBGE apontam que a maioria desses povos vive nas cidades, onde as pessoas vem se autodeclarando indígenas. "Existem muitos problemas nos dados, até porque a população indígena urbana decresceu na última década. Depois de subir 450% de 1991 para 2000, a taxa diminuiu 20% de 2000 a 2010", analisou. Pery Teixeira insistiu em dizer que a população indígena urbana em 1991 somava 750 mil. Tal número caiu para 370 mil em 2000,e para 315 mil em 2010. Para o demógrafo, a diferença de números entre as partes pode atrapalhar as políticas públicas, principalmente, para os indígenas que moram nas cidades. Já aqueles que moram no campo acabam sendo prejudicados pelas políticas de demarcação de terras. Carência de políticas públicas"O Brasil sempre está carente de políticas públicas. A situação do indígena não é pior porque esses povos estão mais organizados e politizados." Com a mesma opinião, o historiador Monte Bezerra, da Ufac, que estuda indígenas da região Nordeste, especificamente os povos Xukuru do Ororubá, disse que essa etnia enfrenta dificuldade para colocar no mercado produtos agrícolas produzidos em suas terras, estimadas em 27,5 mil hectares no total. Tais como, alimentos orgânicos, hortaliças, frutas e gado leiteiro. "Essas culturas agrícolas são aproveitadas nas próprias escolas indígenas. A intenção deles é colocar os produtos nas mesas dos cidadãos, via Estado, mas a burocracia é grande." (Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência)
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