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A energia e a exaustão do Velho Chico

24/01/2014 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=91341
Artigo de Maris Menezes e Gauss Cordeiro para o Jornal da Ciência O consumo de eletricidade per capita no Brasil cresceu muito nos últimos 20 anos, de cerca de 1500 para 2300 KWh/ano. Do total da energia gerada, 84% é de origem hidrelétrica, 3,5% de gás, 4% de biomassa, 5,5% de carvão e óleo e somente e 3% (12,4 milhões de KWh) nuclear. Essa última forma de energia é produzida pelos dois reatores Angra 1 e Angra 2, com capacidades de geração de 630 e 1300 MW, respectivamente. Em termos econômicos, o custo de geração nuclear é quase 60% maior que o da geração hidroelétrica. No início deste ano, a Eletronuclear propôs construir duas novas usinas nucleares: uma entre Pernambuco e Bahia, com capacidade de geração de 6600 MW, e a outra no norte de Minas Gerais, com capacidade entre 4000 e 6000 MW, com previsão de operação para o ano de 2020. Vale salientar que a maior parte das usinas nucleares americanas foi construída nos anos 70. De lá para cá, nenhuma nova usina nuclear foi implantada nos EUA. É muito difícil estimar os riscos associados a um acidente numa usina nuclear. Os riscos, mesmo sendo reduzidos, não são desprezíveis e têm consequências catastróficas. Depois do acidente de Fukushima, a próxima usina nuclear americana também tem previsão de operação para 2020. Convém ressaltar que a radiação liberada por esse acidente continua sendo conduzida para o oceano até os dias atuais. Tem-se observado um processo de exaustão do Rio São Francisco. Há muitos anos, quando se decidiu explorar o rio para fins de geração elétrica, trabalhou-se com uma vazão média anual regularizada na casa dos 2300 m3/seg. Estudos feitos depois indicaram que haveria, com uma periodicidade de sete anos, repetição de ciclos de seca. Com a instalação da usina de Xingó, no início dos anos 90, praticamente se encerrou o processo exploratório do rio. A partir ainda dos anos 80, o sistema elétrico da Chesf interligou-se ao do Norte do País, primeiro suprindo o Pará e depois passando a beneficiar-se da abundância das águas do Rio Tocantins, onde se instalou a usina de Tucuruí. Hoje, aproximando-se dos 30 anos da interligação Norte-Nordeste, temos, também, conexão com o sistema do Centro-Oeste e, com isto, o sistema elétrico brasileiro está todo interconectado. Ocorre, entretanto, que o Rio São Francisco não é suficiente para o atendimento de toda a carga da região e as interligações têm-se apresentado como salvação da lavoura: o fluxo energético é sempre no sentido do Norte e do Centro-Oeste para o Nordeste. A evolução tecnológica obtida com as fontes alternativas de energia elétrica fez com que se instalassem parques eólicos na região, ampliando-se o potencial dos ventos e o aproveitamento solar. A energia eólica não pode ser comparada com a perenidade da energia de caráter hidráulico e o seu aproveitamento global não chega a 50% do instalado, tornando relativamente caro o seu custo, impulsionando a tarifa a ser cobrada pelo serviço. As usinas fora da região Nordeste, que têm participação ou não da CHESF, demandarão investimentos elevados na transmissão para seu aproveitamento e estarão submissas a intempéries até de natureza ecológico-humana. Diante deste cenário, o Governo Federal apresenta como alternativa a instalação das usinas nucleares. O Japão, a Rússia, os Estados Unidos e a Alemanha estão aptos para exportar essa tecnologia. Entretanto, os países desenvolvidos, após os incidentes já conhecidos, estão por abandonar tal tipo de iniciativa. Desenvolveram-se com ela e agora pretendem desfazer da mesma procurando outras modalidades de produção com menos impacto ambiental e muito mais segurança. Enquanto isto, por razões de segurança elétrica, teremos mesmo que utilizar as já tão inaceitáveis usinas termoelétricas. Felizmente, temos esforços mais recentes no sentido de um uso mais efetivo da radiação solar no País. Mariz Menezes é engenheiro eletricistaGauss Cordeiro é professor titular da UFPE
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