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Medicina na Bolívia tem mais brasileiros que curso da USP
05/11/2013
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=90397
Fábricas de médicos atraem 16 vezes mais que a principal universidade do país, diz reportagem da Folha de domingo Em 2010, quando era professor de medicina na Universidade Cristã da Bolívia (Ucebol), o médico Ruben (nome fictício) recebeu a carta de um aluno brasileiro conhecido pelo apelido de Psicopata. Ali estava escrito que o estudante havia tentado o suicídio no passado e que, caso Ruben o reprovasse pela terceira vez, seria o responsável pelo que viesse a ocorrer. A ameaça não evitou um novo fracasso, mas, no ano seguinte, para surpresa do professor, o Psicopata estava na cerimônia de graduação. "Não sei como se formou, mas é um perigo para quem cair em suas mãos", disse o médico à Folha. Cansado do baixo nível dos alunos brasileiros --a grande maioria nas faculdades privadas da cidade-- e de irregularidades, que incluem compra de notas, Ruben abandonou a sala de aula. Psicopata faz parte de uma verdadeira invasão de brasileiros nos cursos de medicina bolivianos. São cerca de 25 mil alunos em instituições do país vizinho, segundo a Embaixada da Bolívia no Brasil. Boa parte deles vem dos Estados próximos, como Acre e Mato Grosso, mas há alunos de quase todo o país. Esse contingente equivale a 23% dos estudantes de medicina matriculados no Brasil no ano passado -- 110.804 alunos, segundo censo do Ministério da Educação. O número de brasileiros estudando medicina na Bolívia é ainda 16 vezes maior do que os colegas que cursam na Universidade de São Paulo. Os brasileiros são atraídos para a Bolívia por dois grandes motivos: a ausência de vestibular --basta o diploma de ensino médio para fazer a matrícula-- e o custo baixíssimo das faculdades. Na Universidade de Aquino (Udabol), onde estudam cerca de 5.000 brasileiros, o estudante que pagar à vista desembolsará cerca de R$ 10.500 por cinco anos. Na Santa Casa de São Paulo, essa quantia não cobriria sequer três meses do curso --a mensalidade é R$ 3.940. Graduar-se, porém, não é simples. Formalmente, o processo dura ao menos sete anos. Inclui um ano de internato, três meses de trabalho obrigatório e aprovação no exame de graduação, feito fora da universidade. Depois, está a difícil volta ao Brasil: apenas 2,1% dos formados na Bolívia passaram, em 2012, no Revalida, exame federal para validar o diploma de medicina estrangeiro. "Aqui é o contrário, o vestibular fica pro final", compara a farmacêutica goiana Tatiane de Azevedo, 29, que no ano que vem estudará medicina na Udabol. (Fabiano Maisonnave/Folha de S.Paulo)http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/137197-medicina-na-bolivia-tem-mais-brasileiros-que-curso-da-usp.shtml