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Governo anuncia investimento de R$ 450 milhões em nanotecnologia
21/08/2013
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=88812
Ministério
também anunciou os 26 laboratórios selecionados que irá compor o SisNano, uma
das principais ações da INB
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp,
lançou ontem, em São Paulo, a Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia (IBN), que
teráinvestimentos de R$ 450,7 milhões em um período de dois anos.O objetivo é
fortalecer e integrar ações governamentais com empresas da área de
nanotecnologia,para promover o desenvolvimento científico e tecnológico do
setor, com foco na inovação.Além de Raupp, participaram do evento, que aconteceu
no hotel Macksoud Plaza, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
do MCTI, Alvaro Prata, e de diversos representantes da área cientifica, entre
eles, a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC),
Helena Nader, que também representou a Academia Brasileira da Ciências
(ABC).
Do total dos investimentos,R$ 150,7 milhões serão aplicados ainda neste ano,
dos quais R$ 38,7 milhões no Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias
(SisNano), conjunto de laboratórios multiusuários direcionados à pesquisa,
desenvolvimento e inovação (PD&I) em nanociências e nanotecnologias, um dos
alicerces do programa. Em 2014, a iniciativa contará com R$ 300 milhões, sendo
R$ 148 milhões direcionados ao SisNano.A Financiadora de Estudos e Projetos
(Finep) receberá R$ 30 milhões, e o restante será distribuído entre entidades
diversas. Em 2014, a Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação Industrial
(Embrapii) deve receber R$ 30 milhões.
Segundo Raupp, o novo programa priorizará áreas estratégicas que serão
combinados em uma estrutura para obter vantagens e melhorias que nenhuma delas
poderia fornecer isoladamente. Entre as áreas prioritárias estãotecnologia da
informação, aeronáutica, agronegócios, saúde e cosméticos, energia e óleo e gás.
Para o ministro, além dos impactos científicos e econômicos, a nanotecnologia
pode trazer inúmeros benefícios à sociedade.
Durante o evento, Raupp frisou a tradição legal do Brasil em separar o
público, no caso as universidades, do privado/empresa, para explicar a
dificuldade entre aproximar os dois setores. "A tradição legal brasileira é
separar o privado do público, mas isso tem que mudar", disse. "Este programa
existe para criar parcerias entre as universidades e as empresas. Dessa forma, a
relação não se baseara na compra de um produto. E sim, algo que deverá ser
desenvolvido." O ministro também observou que as leis que existem hoje não são
adequadas e ajudam a barrar essas parcerias.
Para diminuir essas barreiras, Raupp lembrou que esforços têm sido feitos ao
longo do tempo para superar isso. "Há muitas regulamentações que engessam e
dificultam essas operações", disse. "A SBPC e a ABC, representada aqui pela
HelenaNader, historicamente tem combatido isso. As Sociedades têmfeito propostas
para mudar essas legislações." Ele lembrou que a SBPC e a ABC têm trabalhado
para definir um novo marco legal para as atividades de C&T. "Precisamos de
leis adequadas que dê segurançainstitucional e política entre uma instituição e
outra", declarou.
Tarik Della Santina Mohallem, diretor de P&D da empresaNanum - que criou
um novo tipo de tinta de impressão magnética-, concorda que a burocracia é o
grande entrave para o crescimento do Brasil no mercado de nanotecnologia. "Além
da disso, os pesquisadores que optam pela área industrial em vez da acadêmica,
sofrem preconceito", afirmou. "Isso precisa mudar."
Na opinião de Mohallem, se os investimentos na área continuarem, dentro de
cinco anos a realidade do setor poderá ser outra. "Mantendo essa política de
investimento em nanotecnologia é possível que se consiga uma relação
universidade-empresa igual as que existem em outros países desenvolvidos",
afirma. "E ainda mais, temos a matéria-prima e o material humano, tudo para
despontarmos nesse segmento."SisNano
Durante o evento, foram anunciadas as unidades que irão compor o SisNano,
sistema instituído pela Portaria 245, de 5 de abril de 2012. Das 50 propostas
apresentadas em chamada pública realizada em agosto do ano passado, 26
laboratórios foram selecionados para integrar a rede, sendo oito estratégicos,
ligados ao MCTI e aos órgãos públicos, e 18 laboratórios associados, localizados
em universidades e institutos de pesquisa. As atividades realizadas nos locais
seguirão diretrizes do Comitê Interministerial de Nanotecnologia (CIN), criado
para gerir e acompanhar o desenvolvimento das ações.
De acordo com Prata, a intenção é estruturar e ampliar o acesso à
infraestrutura laboratorial brasileira. "Essas unidades são laboratórios já
consolidados, cada qual com sua característica particular e especialidade em
determinada área da nano, e que agora vão ganhar caráter nacional", explicou. "A
ideia é que, à semelhança dos Estados Unidos e alguns países da Europa, essas
unidades funcionem como estruturas abertas e ofereçam um cardápio de nanociência
e nanotecnologia para atender projetos de empresas e pesquisadores que precisem
ter acesso a estruturas muito complexas."
Segundo Raupp, este programa tem a intenção de melhorar a infraestrutura e
manter os laboratórios competitivos, permitir a incorporação, fixação e
manutenção do corpo técnico-científico de alta qualificação, adequado ao
desenvolvimento das missões desses laboratórios, além de permitir que eles
funcionem de forma aberta, atendendo usuários e instituições dos setores público
e privado.
Outras iniciativas
O ministro também destacou que, além da nanotecnologia, os projetos da pasta
estão focados atualmente em duas outras áreas: biotecnologia e tecnologia da
informação. O ministro aproveitou a oportunidade para fazer um balanço de outra
iniciativa do MCTI a fim de promover o estímulo à inovação no país,
especificamente no setor de software, o TI Maior.
Ele destacou que, depois de um ano do lançamento do programa, as expectativas
com o sucesso da ação têm se consolidado. Algumas metas, segundo ele, já foram
alcançadas como é o caso da fixação de centros globais de pesquisa e
desenvolvimento (P&D) no Brasil em parceria com a EMC e Microsoft, bem como
a conclusão da seleção de 56 startups para a primeira fase do programa Startup
Brasil. "O programa TI Maior está cumprindo rigor sua proposta de posicionar o
Brasil competitivamente no setor de software", garantiu.
Outro assunto discutido no evento é a demora da Finep em dar resposta a
pedidos de financiamento, mas Raupp disse que o prazo para retorno, a partir
deste ano, não deverá superar 30 dias. "Se a Finep não cumprir o prazo, irei
cobrar", prometeu.
(Vivian Costa)
também anunciou os 26 laboratórios selecionados que irá compor o SisNano, uma
das principais ações da INB
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp,
lançou ontem, em São Paulo, a Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia (IBN), que
teráinvestimentos de R$ 450,7 milhões em um período de dois anos.O objetivo é
fortalecer e integrar ações governamentais com empresas da área de
nanotecnologia,para promover o desenvolvimento científico e tecnológico do
setor, com foco na inovação.Além de Raupp, participaram do evento, que aconteceu
no hotel Macksoud Plaza, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
do MCTI, Alvaro Prata, e de diversos representantes da área cientifica, entre
eles, a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC),
Helena Nader, que também representou a Academia Brasileira da Ciências
(ABC).
Do total dos investimentos,R$ 150,7 milhões serão aplicados ainda neste ano,
dos quais R$ 38,7 milhões no Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias
(SisNano), conjunto de laboratórios multiusuários direcionados à pesquisa,
desenvolvimento e inovação (PD&I) em nanociências e nanotecnologias, um dos
alicerces do programa. Em 2014, a iniciativa contará com R$ 300 milhões, sendo
R$ 148 milhões direcionados ao SisNano.A Financiadora de Estudos e Projetos
(Finep) receberá R$ 30 milhões, e o restante será distribuído entre entidades
diversas. Em 2014, a Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação Industrial
(Embrapii) deve receber R$ 30 milhões.
Segundo Raupp, o novo programa priorizará áreas estratégicas que serão
combinados em uma estrutura para obter vantagens e melhorias que nenhuma delas
poderia fornecer isoladamente. Entre as áreas prioritárias estãotecnologia da
informação, aeronáutica, agronegócios, saúde e cosméticos, energia e óleo e gás.
Para o ministro, além dos impactos científicos e econômicos, a nanotecnologia
pode trazer inúmeros benefícios à sociedade.
Durante o evento, Raupp frisou a tradição legal do Brasil em separar o
público, no caso as universidades, do privado/empresa, para explicar a
dificuldade entre aproximar os dois setores. "A tradição legal brasileira é
separar o privado do público, mas isso tem que mudar", disse. "Este programa
existe para criar parcerias entre as universidades e as empresas. Dessa forma, a
relação não se baseara na compra de um produto. E sim, algo que deverá ser
desenvolvido." O ministro também observou que as leis que existem hoje não são
adequadas e ajudam a barrar essas parcerias.
Para diminuir essas barreiras, Raupp lembrou que esforços têm sido feitos ao
longo do tempo para superar isso. "Há muitas regulamentações que engessam e
dificultam essas operações", disse. "A SBPC e a ABC, representada aqui pela
HelenaNader, historicamente tem combatido isso. As Sociedades têmfeito propostas
para mudar essas legislações." Ele lembrou que a SBPC e a ABC têm trabalhado
para definir um novo marco legal para as atividades de C&T. "Precisamos de
leis adequadas que dê segurançainstitucional e política entre uma instituição e
outra", declarou.
Tarik Della Santina Mohallem, diretor de P&D da empresaNanum - que criou
um novo tipo de tinta de impressão magnética-, concorda que a burocracia é o
grande entrave para o crescimento do Brasil no mercado de nanotecnologia. "Além
da disso, os pesquisadores que optam pela área industrial em vez da acadêmica,
sofrem preconceito", afirmou. "Isso precisa mudar."
Na opinião de Mohallem, se os investimentos na área continuarem, dentro de
cinco anos a realidade do setor poderá ser outra. "Mantendo essa política de
investimento em nanotecnologia é possível que se consiga uma relação
universidade-empresa igual as que existem em outros países desenvolvidos",
afirma. "E ainda mais, temos a matéria-prima e o material humano, tudo para
despontarmos nesse segmento."SisNano
Durante o evento, foram anunciadas as unidades que irão compor o SisNano,
sistema instituído pela Portaria 245, de 5 de abril de 2012. Das 50 propostas
apresentadas em chamada pública realizada em agosto do ano passado, 26
laboratórios foram selecionados para integrar a rede, sendo oito estratégicos,
ligados ao MCTI e aos órgãos públicos, e 18 laboratórios associados, localizados
em universidades e institutos de pesquisa. As atividades realizadas nos locais
seguirão diretrizes do Comitê Interministerial de Nanotecnologia (CIN), criado
para gerir e acompanhar o desenvolvimento das ações.
De acordo com Prata, a intenção é estruturar e ampliar o acesso à
infraestrutura laboratorial brasileira. "Essas unidades são laboratórios já
consolidados, cada qual com sua característica particular e especialidade em
determinada área da nano, e que agora vão ganhar caráter nacional", explicou. "A
ideia é que, à semelhança dos Estados Unidos e alguns países da Europa, essas
unidades funcionem como estruturas abertas e ofereçam um cardápio de nanociência
e nanotecnologia para atender projetos de empresas e pesquisadores que precisem
ter acesso a estruturas muito complexas."
Segundo Raupp, este programa tem a intenção de melhorar a infraestrutura e
manter os laboratórios competitivos, permitir a incorporação, fixação e
manutenção do corpo técnico-científico de alta qualificação, adequado ao
desenvolvimento das missões desses laboratórios, além de permitir que eles
funcionem de forma aberta, atendendo usuários e instituições dos setores público
e privado.
Outras iniciativas
O ministro também destacou que, além da nanotecnologia, os projetos da pasta
estão focados atualmente em duas outras áreas: biotecnologia e tecnologia da
informação. O ministro aproveitou a oportunidade para fazer um balanço de outra
iniciativa do MCTI a fim de promover o estímulo à inovação no país,
especificamente no setor de software, o TI Maior.
Ele destacou que, depois de um ano do lançamento do programa, as expectativas
com o sucesso da ação têm se consolidado. Algumas metas, segundo ele, já foram
alcançadas como é o caso da fixação de centros globais de pesquisa e
desenvolvimento (P&D) no Brasil em parceria com a EMC e Microsoft, bem como
a conclusão da seleção de 56 startups para a primeira fase do programa Startup
Brasil. "O programa TI Maior está cumprindo rigor sua proposta de posicionar o
Brasil competitivamente no setor de software", garantiu.
Outro assunto discutido no evento é a demora da Finep em dar resposta a
pedidos de financiamento, mas Raupp disse que o prazo para retorno, a partir
deste ano, não deverá superar 30 dias. "Se a Finep não cumprir o prazo, irei
cobrar", prometeu.
(Vivian Costa)