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O Ensino Médio de Química: o que fazer para melhorá-lo?
26/06/2012
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=82968
Confira o editorial
publicado no Journal of the Brazilian Chemical Society do mês de junho. O texto
é de autoria de Angelo da Cunha Pinto, do Instituto de Química ­ Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A Sociedade Brasileira de Química ao completar 35 anos reafirma-se como uma
das principais sociedades científicas do País. A importância da SBQ para o alto
padrão alcançado pelo sistema universitário brasileiro, desde a sua criação em
1977, pode ser mensurada pelos vários reitores, vice-reitores e pró-reitores de
Universidades de todas as regiões do País que pertenceram às Diretorias e
Conselhos Consultivos, ou que foram Secretários Regionais da SBQ. Muitas destas
lideranças foram forjadas nas memoráveis assembleias-gerais das Reuniões Anuais
da SBQ.
Ao lançar os periódicos: Química Nova, Journal of the Brazilian Chemical
Society (JBCS), Química Nova na Escola e, recentemente, a Revista Virtual de
Química, a SBQ mostrou que é possível manter no Brasil revistas científicas com
padrão de qualidade internacional elevado. Não é por outra razão que alguns
artigos publicados no JBCS já ultrapassaram a centena e meia de citações nos
bancos de dados Web of Science e Scopus.1-5
A SBQ sempre manteve relacionamento de proximidade, mas digno, com os
governos brasileiros após as eleições de 1984. Procurou sempre ser
representativa deixando de lado o lobby e exercendo a crítica quando
necessária.
Com os Eixos Mobilizadores, sócios da SBQ fizeram propostas ousadas para a
pós-graduação e para a formação de recursos humanos qualificados. Graças à
iniciativa de reunir os coordenadores de pós-graduação, hoje diversas áreas do
conhecimento adotam essa pratica cuja finalidade principal é dar transparência
ao processo de avaliação dos programas de PG da Capes. Hoje a pós-graduação da
área de Química pode se orgulhar de ser uma das mais produtivas e qualificadas
na grande área de Ciências Exatas e da Terra.
Esses são exemplos que mostram que as sociedades científicas quando atuam com
dignidade e entusiasmo, longe das benesses que poluem a história do Brasil desde
à chegada dos portugueses, contribuem para o desenvolvimento científico e
tecnológico. Porém, se muito já foi feito pela SBQ, muito mais está por ser
feito. O Brasil apesar dos avanços que alcançou nos últimos 20 anos ainda é um
país injusto e assimétrico com grande parte da sua população. A injustiça e a
assimetria precisam ser equacionadas nos próximos anos e a solução desta equação
chama-se Educação. Enquanto os professores do Ensino Médio e Fundamental tiverem
os piores salários entre todos os profissionais com nível superior, o
desenvolvimento social e a democracia estarão comprometidos.
Essa é uma das bandeiras que a Diretoria e o Conselho Consultivo da SBQ devem
empunhar porque todas as conquistas alcançadas até aqui pela química brasileira
podem rolar ladeira abaixo se nada for feito para melhorar a formação dos
licenciados em Química. O aumento de salário não basta, é necessário que os
Programas de Pós-Graduação, as grandes Empresas de Química, os Diretores e
Chefes de Departamentos de Química façam a sua parte, que não é pequena. Os
coordenadores de Pós-graduação, por exemplo, podem começar a adotar uma Escola
de Ensino Médio estruturando laboratórios para aulas experimentais de Química.
Isso e pouco? É. Mas, pode ser apenas o começo de uma grande revolução do Ensino
Médio brasileiro.
publicado no Journal of the Brazilian Chemical Society do mês de junho. O texto
é de autoria de Angelo da Cunha Pinto, do Instituto de Química ­ Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A Sociedade Brasileira de Química ao completar 35 anos reafirma-se como uma
das principais sociedades científicas do País. A importância da SBQ para o alto
padrão alcançado pelo sistema universitário brasileiro, desde a sua criação em
1977, pode ser mensurada pelos vários reitores, vice-reitores e pró-reitores de
Universidades de todas as regiões do País que pertenceram às Diretorias e
Conselhos Consultivos, ou que foram Secretários Regionais da SBQ. Muitas destas
lideranças foram forjadas nas memoráveis assembleias-gerais das Reuniões Anuais
da SBQ.
Ao lançar os periódicos: Química Nova, Journal of the Brazilian Chemical
Society (JBCS), Química Nova na Escola e, recentemente, a Revista Virtual de
Química, a SBQ mostrou que é possível manter no Brasil revistas científicas com
padrão de qualidade internacional elevado. Não é por outra razão que alguns
artigos publicados no JBCS já ultrapassaram a centena e meia de citações nos
bancos de dados Web of Science e Scopus.1-5
A SBQ sempre manteve relacionamento de proximidade, mas digno, com os
governos brasileiros após as eleições de 1984. Procurou sempre ser
representativa deixando de lado o lobby e exercendo a crítica quando
necessária.
Com os Eixos Mobilizadores, sócios da SBQ fizeram propostas ousadas para a
pós-graduação e para a formação de recursos humanos qualificados. Graças à
iniciativa de reunir os coordenadores de pós-graduação, hoje diversas áreas do
conhecimento adotam essa pratica cuja finalidade principal é dar transparência
ao processo de avaliação dos programas de PG da Capes. Hoje a pós-graduação da
área de Química pode se orgulhar de ser uma das mais produtivas e qualificadas
na grande área de Ciências Exatas e da Terra.
Esses são exemplos que mostram que as sociedades científicas quando atuam com
dignidade e entusiasmo, longe das benesses que poluem a história do Brasil desde
à chegada dos portugueses, contribuem para o desenvolvimento científico e
tecnológico. Porém, se muito já foi feito pela SBQ, muito mais está por ser
feito. O Brasil apesar dos avanços que alcançou nos últimos 20 anos ainda é um
país injusto e assimétrico com grande parte da sua população. A injustiça e a
assimetria precisam ser equacionadas nos próximos anos e a solução desta equação
chama-se Educação. Enquanto os professores do Ensino Médio e Fundamental tiverem
os piores salários entre todos os profissionais com nível superior, o
desenvolvimento social e a democracia estarão comprometidos.
Essa é uma das bandeiras que a Diretoria e o Conselho Consultivo da SBQ devem
empunhar porque todas as conquistas alcançadas até aqui pela química brasileira
podem rolar ladeira abaixo se nada for feito para melhorar a formação dos
licenciados em Química. O aumento de salário não basta, é necessário que os
Programas de Pós-Graduação, as grandes Empresas de Química, os Diretores e
Chefes de Departamentos de Química façam a sua parte, que não é pequena. Os
coordenadores de Pós-graduação, por exemplo, podem começar a adotar uma Escola
de Ensino Médio estruturando laboratórios para aulas experimentais de Química.
Isso e pouco? É. Mas, pode ser apenas o começo de uma grande revolução do Ensino
Médio brasileiro.