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Mais 30 universidades são suspeitas de terem "inflado" as notas do Enade

26/03/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81696
Ministério da Educação observou grandes disparidades nas notas das instituições.
Além da Universidade Paulista (Unip), outras 30
instituições são suspeitas de fraudes para inflar as notas no Exame
Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), uma das ferramentas de
avaliação do ensino superior. O Ministério da Educação (MEC) descobriu
grandes disparidades nas notas dessas universidades de um ano para o
outro.
 
Questionado, o MEC não revelou a lista das instituições. Também não
há definição sobre quais serão as providências em relação a esses casos,
mas o ministério afirmou que vai "agir com o mesmo rigor" que
demonstrou com a Unip. De acordo com matéria publicada no jornal O
Estado de São Paulo, o assunto tem sido tratado com cautela, porque a
pasta não teria estrutura para uma intervenção mais decisiva em todas
essas instituições.
 
Os casos não foram descobertos agora pelo MEC. Já eram conhecidos
pela pasta ainda na gestão do ministro Fernando Haddad, que deixou o
cargo em janeiro. A pasta não informou exatamente quando apurou as
possíveis irregularidades e por que não tomou providências até agora ou
se já pediu esclarecimentos às instituições.
 
As suspeitas recaíram sobre as universidades porque elas apresentaram
melhoras consideradas incoerentes nos índices do exame. Esse salto nos
índices foi o que ocorreu com a Unip.
 
Inflar - No início do mês, a Unip apresentou grandes
saltos nas notas de alguns cursos. No curso de Nutrição, por exemplo, a
nota subiu 207% do Enade de 2007 para o de 2010, muito acima da melhora
na média nacional, de 25%. Segundo especialistas, seria impossível
transformar e melhorar um curso superior em um prazo tão curto.
 
Para inflar as notas no exame, a Unip é acusada de lançar mão de um
esquema para que apenas os melhores alunos façam a prova. Quanto menor o
número de inscritos, melhor é o resultado da instituição. Estudantes de
desempenho acadêmico médio para baixo ficam com notas em aberto na
época em que as instituições devem fazer as inscrições dos alunos para o
Enade.
 
Em 2010, estavam aptos a fazer o exame alunos do último ano que
tivessem completado pelo menos 80% da carga horária do curso até o dia 2
de agosto. Com as notas em aberto, os piores não completam 80% da carga
horária e só os melhores da classe fazem o exame.
 
A Unip nega selecionar os melhores alunos para os exames. Atribui a
melhora no Enade à criação de uma comissão para analisar os cursos.
 
O MEC não sabe se as outras 30 instituições usaram a mesma estratégia
da Unip, mas as suspeitas vão nessa direção. O Enade é feito pelos
calouros e formandos do ensino superior para avaliar os estudantes. O
exame também compõe o conceito de qualidade das graduações. Grande parte
das universidades do País usam o desempenho no Enade em peças
publicitárias para atrair novos alunos.
 
Mudanças - Após as denúncias, o ministro da
Educação, Aloizio Mercadante, alterou as regras do próximo Enade para
tentar conter tentativas de fraudes. Além dos alunos que se formarem em
dezembro de 2012, como previa a norma atual, terão de fazer a prova, em
novembro, estudantes que concluírem o curso seis meses depois, em agosto
de 2013. Isso resolveria o problema de postergar a formatura de um
grupo de alunos por um semestre para fazer com que só os melhores façam o
exame.
 
O MEC também estuda medida que diz respeito a alunos transferidos de
uma universidade a outra no último ano da graduação. A ideia é fazer com
que a nota do estudante seja atribuída à instituição onde ele estava
originalmente matriculado. A medida visa a evitar que universidades
reprovem em massa estudantes de baixo desempenho antes do Enade.
(O Estado de São Paulo)
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