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Professor da PUC deve respeitar doutrinas da Igreja, afirma bispo

14/03/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81530
Para d. Bergonzini, docentes a favor da descriminalização do aborto não deveriam lecionar na instituição.
O bispo emérito de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga
Bergonzini, de 75 anos, defendeu que professores que tenham ideias
contrárias às da Igreja Católica não devem lecionar na Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para ele, docentes
favoráveis à descriminalização de aborto, eutanásia, maconha e mantêm
"ideologia homossexual" ou são "comunistas" deveriam procurar outra
instituição.
 
D. Luiz é conhecido por opiniões conservadoras em relação a esses
temas. Na eleição presidencial passada, foi ele quem "recomendou" a
eleitores que não votassem em Dilma Rousseff (PT) porque ela seria
favorável à descriminalização do aborto.
 
As declarações sobre os professores foram feitas no blog do bispo no
dia 3. Sob o título "Graças a Deus, a PUC não é uma 'progressista
universidade comunista'!", o clérigo defende que a instituição siga os
mandamentos religiosos. "Se a PUC é da Igreja Católica, deve seguir o
Evangelho e a moral cristã. Não pode ter em seu corpo docente
professores contrariando os ensinamentos da Igreja Católica." Ele cobra
que a direção da PUC tome "providências" para que os "princípios
cristãos e o catolicismo sejam respeitados".
 
Liberdade - O bispo cita o jornalista e professor
Leonardo Sakamoto e o acusa de propagar "a liberação do aborto".
Sakamoto conta que foram os alunos que lhe mostraram as críticas. "Eu
achei até muito divertido", diz ele. "Quando se defende direitos
humanos, liberdade de expressão, acabamos criticados. Eu defendo que ele
continue com o direito de defender sua opinião, mas essa posição mostra
que ele quer evitar que o outro continue falando", completa. Em
resposta no seu blog, Sakamoto convoca o bispo para um debate sobre o
tema. Segundo ele, a PUC-SP sempre respeitou suas posições e a liberdade
de ele continuar a expressá-la.
 
A presidente da Associação dos Docentes da PUC-SP (Apro-PUC), Maria
Beatriz Costa Abramides, ressalta que nunca houve represálias da
universidade em relação a esses temas. "Sempre lutamos por uma
universidade laica e plural. Temos de defender pesquisa, investigação e
conhecimento voltados para os interesses da população, não ligados a uma
religião."
 
Estudantes não são poupados pelo bispo. "Os alunos que prestam
vestibular para a PUC já sabem que ela obedece aos princípios do
catolicismo. (...) Eles estão obrigados a cumprir as regras", afirmou o
clérigo no texto, que gerou polêmica. "Antes de servir à Igreja, a PUC
tem de servir à sociedade e privilegiar os debates e a formação de
cidadãos", disse o vice-presidente do Centro Acadêmico de Economia,
Guilherme Bertoldi.
 
Procurada para comentar, a PUC informou que o reitor, Dirceu de Melo,
estava fora da universidade. A reportagem não conseguiu falar com d.
Luiz, que não atendeu às ligações e não respondeu ao e-mail.
(O Estado de São Paulo)
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