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Código Florestal flexível

09/03/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81468
Relator do
projeto na Câmara apresenta proposta com 28 alterações em relação ao
texto aprovado no Senado. Ministro da Agricultura admite que "correções"
serão necessárias.
Preocupado com o pesado clima político em torno da
votação do novo Código Florestal, o Palácio do Planalto enviou ontem (7)
à Câmara a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e o da
Agricultura, Mendes Ribeiro, para tentar costurar um acordo sobre o
texto que deve ir a votação no plenário da Casa na próxima semana. Sem
sucesso. Em meio à divisão entre partidos da base aliada, o relator na
Câmara do projeto que cria o novo Código Florestal, Paulo Piau
(PMDB-PR), apresentou um parecer "provisório", com itens em aberto para
negociação e pontuado por discordâncias entre ruralistas, ambientalistas
e governo.
 
De acordo com Piau, o texto preliminar traz 28 alterações em relação à
versão aprovada pelo Senado no ano passado. Entre as mudanças estão a
exclusão dos apicuns e salgados, que são áreas de mangue utilizadas para
a criação de camarões, da classificação de áreas de preservação
permanente (APPs) e a liberação de pastagens e plantios nas áreas entre
25 graus e 45 graus de inclinação. Até a última terça-feira, o governo
recusava qualquer tipo de mudança em relação ao texto aprovado no
Senado. Agora, mostra-se mais flexível. "Todo mundo sabe que a versão do
Senado avançou em relação à Câmara, mas existem falhas no texto que
precisam ser corrigidas", admitiu o ministro Mendes Ribeiro, depois de
participar de reunião com líderes governistas, na Câmara.
 
Multas - O governo tem pressa em aprovar o novo
código para evitar uma prorrogação do decreto presidencial que suspende a
aplicação de multas aos produtores rurais que descumpriram regras
ambientais estabelecidas em 2008 e para minimizar a pressão política da
realização da Rio+20 sobre a discussão do texto
 
Ontem (7), manifestantes de cerca de 250 entidades ambientais e
organizações de pescadores e camponeses se reuniram em frente ao
Congresso. Exibindo faixas defendendo a preservação dos mangues e
pedindo o veto presidencial ao novo código, eles protestaram contra a
proposta que tramita na Casa. "Não aprovar o código ou atrasar sua
votação é o pior dos cenários. Será muito mais complexo negociar acordos
com a proximidade da Rio+20", avalia Piau.
 
No momento, são as discórdias que marcam o texto do novo código. O
governo quer evitar a aprovação, por exemplo, de um artigo que obriga a
recomposição florestal nas áreas de expansão urbana na razão de 20
metros quadrados por habitante. A exigência tem impacto direto sobre
programas sociais de habitação, como o 'Minha Casa, Minha Vida', por
conta do encarecimento dos projetos. Os ambientalistas defendem o
artigo. "Pessoalmente, eu também concordo. Mas a pressão sobre o preço
do lote virá", reconhece Piau.
 
Contra o governo, os ruralistas defendem o retorno da Emenda nº 164,
que anistiava plantações e pastos feitos em APPs até 2008, e do texto da
Câmara na definição de regras para a recomposição florestal nas APPs em
margens de rios. A versão da Câmara determinava apenas uma metragem
mínima para a recomposição, de 15 metros, para rios de 10 metros de
largura. No caso de rios maiores, os limites ficariam a critério da
União e de legislações estaduais. O Senado definiu faixas de recuperação
entre 30 e 100 metros de vegetação para rios maiores de que 10 metros
de largura.
 
Principais polêmicas - Confira os entraves para a aprovação do Código Florestal:
- Obrigatoriedade de recomposição ambiental de 20 metros quadrados
para cada habitante, nas chamadas zonas de expansão urbana. O governo
quer retirar o item do código.
 
- Regras para recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs)
nas margens dos rios. Governo e ambientalistas concordam com a versão do
Senado, com metragens de recomposição variáveis segundo a extensão do
rio. Ruralistas querem de volta o texto da Câmara, que estabelece uma
metragem mínima para a recomposição, de 15m, e deixa limites maiores a
critério da União e dos estados.
 
- A bancada ruralista quer retomar a chamada Emenda nº 164, que
libera totalmente plantações e pastos feitos em APPs até 2008. O governo
é contra e quer liberar apenas atividades de utilidade pública,
interesse social ou baixo impacto ambiental.
(Correio Braziliense)
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