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Quadro preocupante da educação, artigo de Luciano Mendes
15/02/2012
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81169
Luciano
Mendes de Faria Filho é professor da UFMG e coordenador do projeto
"Pensar a educação, pensar o Brasil". Artigo publicado no jornal Estado
de Minas de segunda-feira (13).
Notícias publicadas quarta-feira (Gerais, 8/2/2012)
no Estado de Minas sobre a educação no Brasil são desconcertantes e
preocupantes para todos nós que militamos por uma educação pública de
qualidade no Brasil. Por um lado, informam que há um contingente
expressivo de crianças e adolescentes fora da escola, e isso justamente
quando os governos da União, estados e municípios teimam em afirmar o
contrário e informar continuamente que "já há escola para todos". De
outra parte, em outro caderno, o jornal traz, também, uma matéria muito
interessante sobre os gastos das famílias com educação nos dois últimos
anos. Eles reafirmam o que outras pesquisam já demonstraram: nossas
camadas trabalhadoras e médias gastam muito com educação, além, é claro,
do que já pagam por meio de impostos pelos serviços públicos, entre
eles a educação.
Os dados colididos por pesquisadores do insuspeito Movimento Todos
pela Educação demonstram que há, sim, que continuar fazendo um esforço
para colocar todas as nossas crianças e adolescentes na escola. A
publicação desses dados é importante para tornar patente uma realidade
que é vivida no cotidiano por muitas famílias: a falta de vagas nas
escolas públicas. Isso é importante, inclusive, para analisarmos os
passos muitas vezes dados em falso pelos governos da federação e de
muitos entes federados, que insistem em investir em factoides. Alguém aí
sabe qual é a proposta pedagógica sob o manto do projeto de dar um
tablet para cada professor? E quanto às propostas que contrariam os
estudiosos da área, como a lei que torna obrigatória a educação a partir
dos quatro anos de idade? Não bastasse a falta de escola, as notícias
trazidas pelo EM nos mostraram outra realidade não menos preocupante: o
fato de que as famílias trabalhadoras, tão logo podem, retiram seus
filhos da escola pública e os colocam na escola privada. Isso significa
que, infelizmente, essas famílias, estão seguindo o caminho trilhado
pelas classes médias nas últimas décadas. Ou seja, estão abrindo mão do
direito à educação pública, mesmo que isto lhes custe muito dinheiro.
É evidente que, do ponto de vista de cada família isoladamente, nada
mais justo e positivo que buscar uma escola melhor para seus filhos.
Aliás, esse fato demonstra, contra o que muito se diz, inclusive na
mídia, o quanto as famílias se preocupam com a educação de seus filhos.
No entanto, do ponto de vista coletivo ou político-cultural de um
projeto de nação, o fato de as camadas médias e, agora, as camadas
trabalhadoras com maior escolaridade e melhores salários estarem saindo
da escola pública é um desastre.
Ao abrir mão do direito à educação pública, ao abandonar a luta por
uma escola pública de qualidade, esses grupos não apenas estão gastando
recursos financeiros que poderiam suportar o usufruto de outros bens
culturais - como livros, teatros, cinemas, viagens etc. -, mas também
estão relegando a um segundo plano uma das dimensões fundadoras das
democracias modernas: o direito de todos os cidadãos a uma mesma
educação pública de qualidade. Contra esse fato, de nada valem as
pirotecnias oficiais no campo da educação e, muito menos, a passividade
do conjunto da sociedade brasileira.
Mendes de Faria Filho é professor da UFMG e coordenador do projeto
"Pensar a educação, pensar o Brasil". Artigo publicado no jornal Estado
de Minas de segunda-feira (13).
Notícias publicadas quarta-feira (Gerais, 8/2/2012)
no Estado de Minas sobre a educação no Brasil são desconcertantes e
preocupantes para todos nós que militamos por uma educação pública de
qualidade no Brasil. Por um lado, informam que há um contingente
expressivo de crianças e adolescentes fora da escola, e isso justamente
quando os governos da União, estados e municípios teimam em afirmar o
contrário e informar continuamente que "já há escola para todos". De
outra parte, em outro caderno, o jornal traz, também, uma matéria muito
interessante sobre os gastos das famílias com educação nos dois últimos
anos. Eles reafirmam o que outras pesquisam já demonstraram: nossas
camadas trabalhadoras e médias gastam muito com educação, além, é claro,
do que já pagam por meio de impostos pelos serviços públicos, entre
eles a educação.
Os dados colididos por pesquisadores do insuspeito Movimento Todos
pela Educação demonstram que há, sim, que continuar fazendo um esforço
para colocar todas as nossas crianças e adolescentes na escola. A
publicação desses dados é importante para tornar patente uma realidade
que é vivida no cotidiano por muitas famílias: a falta de vagas nas
escolas públicas. Isso é importante, inclusive, para analisarmos os
passos muitas vezes dados em falso pelos governos da federação e de
muitos entes federados, que insistem em investir em factoides. Alguém aí
sabe qual é a proposta pedagógica sob o manto do projeto de dar um
tablet para cada professor? E quanto às propostas que contrariam os
estudiosos da área, como a lei que torna obrigatória a educação a partir
dos quatro anos de idade? Não bastasse a falta de escola, as notícias
trazidas pelo EM nos mostraram outra realidade não menos preocupante: o
fato de que as famílias trabalhadoras, tão logo podem, retiram seus
filhos da escola pública e os colocam na escola privada. Isso significa
que, infelizmente, essas famílias, estão seguindo o caminho trilhado
pelas classes médias nas últimas décadas. Ou seja, estão abrindo mão do
direito à educação pública, mesmo que isto lhes custe muito dinheiro.
É evidente que, do ponto de vista de cada família isoladamente, nada
mais justo e positivo que buscar uma escola melhor para seus filhos.
Aliás, esse fato demonstra, contra o que muito se diz, inclusive na
mídia, o quanto as famílias se preocupam com a educação de seus filhos.
No entanto, do ponto de vista coletivo ou político-cultural de um
projeto de nação, o fato de as camadas médias e, agora, as camadas
trabalhadoras com maior escolaridade e melhores salários estarem saindo
da escola pública é um desastre.
Ao abrir mão do direito à educação pública, ao abandonar a luta por
uma escola pública de qualidade, esses grupos não apenas estão gastando
recursos financeiros que poderiam suportar o usufruto de outros bens
culturais - como livros, teatros, cinemas, viagens etc. -, mas também
estão relegando a um segundo plano uma das dimensões fundadoras das
democracias modernas: o direito de todos os cidadãos a uma mesma
educação pública de qualidade. Contra esse fato, de nada valem as
pirotecnias oficiais no campo da educação e, muito menos, a passividade
do conjunto da sociedade brasileira.