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MEC e universidades estudam planos para combater evasão

15/02/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81168
Pesquisas mostram que, mais do que por escolha errada, estudantes largam cursos por dificuldades de rendimento.
Combater os altos índices de abandono dos cursos
superiores é meta de instituições públicas e privadas. Para evitar que
vagas financiadas pelo dinheiro público fiquem ociosas ou faculdades
privadas deixem de receber, iniciativas pontuais ganharão apoio do
Ministério da Educação (MEC), que ao mesmo tempo discute um plano para
diminuir os índices de evasão no ensino superior brasileiro.
 
Independentemente do tipo de universidade, os números são
considerados altos pela pasta. Em 2010, último dado do MEC, o índice de
evasão nas universidades públicas era de 13,2%. Nas privadas, 15,6%.
 
Uma das medidas, consideradas das mais importantes, é oferecer apoio
aos estudantes no início dos cursos. Mais do que simples decepção com a
carreira escolhida, a falta de condições - financeiras ou acadêmicas -
para acompanhar o ritmo das aulas leva os universitários a desistirem do
ensino superior.
 
"As causas são múltiplas. O importante é não deixar que um aluno pare
de estudar por falta de condições. Precisamos ampliar a assistência e
também criar programas de monitoria, especialmente no primeiro ano,
quando muitos têm dificuldades nas disciplinas básicas", afirma o
ex-secretário de Educação Superior, Luiz Cláudio Costa, que recém
assumiu a presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep).
 
O projeto está em discussão com pró-reitores de universidades
públicas e privadas, segundo Costa. A expectativa é que seja concluído
até abril e apresentado às instituições até julho. As medidas definidas -
como bolsas de assistência e monitorias - começariam a partir do
segundo semestre.
 
Para o pesquisador Roberto Leal Lobo, do Instituto Lobo, as
instituições têm de lembrar que se um aluno deixa de estudar é porque
está insatisfeito ou com o curso ou com a instituição. Além de apoiar
mais os estudantes, ele acredita que elas deveriam dar mais liberdade
para que os universitários troquem de curso, por exemplo. "É preciso
fazer com o aluno o que gostaríamos que fizessem com nossos filhos.
Acompanhar o aluno no primeiro ano; dar aula de reforço, se preciso, e
garantir bom atendimento sempre", comenta Lobo.
 
Apoio em disciplinas básicas - Na Universidade de
Brasília (UnB), o acordo feito com o MEC para garantir a expansão da
instituição pelo Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (Reuni) incluiu a realização de um estudo minucioso sobre
evasão. O pacto estabelecido com o ministério é ousado, como ressalta a
diretora de Acompanhamento e Integração Acadêmica, Cláudia Garcia. Até
2017, a taxa de conclusão de cursos tem de chegar a 90%.
 
Cláudia liderou uma análise cuidadosa dos dados que mostram as causas
dos "desligamentos" dos universitários. A repetência em uma mesma
disciplina ou a falta de bom rendimento de modo geral foram as maiores
responsáveis pela desistência dos alunos que ingressaram nesse período
na universidade (cerca de 36% dos casos).
 
Nos casos dos cursos de Engenharia e licenciaturas, a média supera os
40%. Os altos índices e a percepção das causas levou a diretoria
chefiada por Cláudia a montar um modelo de análise curso a curso. Sem a
ideia de criar "rankings" internos, eles não foram divulgados, mas devem
servir de apoio para medidas específicas.
 
Ela conta que no curso de Agronomia, por exemplo, o desempenho em
Química foi percebido como determinante. É uma disciplina na qual os
alunos são reprovados muitas vezes e é pré-requisito para quase todo o
restante da grade curricular. "Será que um candidato tem essa noção
quando se inscreve no vestibular? Acredito que não e é o que queremos
mudar", diz.
 
Falta de informação - João Nascimento Neto
contribuiu, diversas vezes, para que os índices de evasão no País
crescessem. Ele não abandonou a ideia de fazer uma faculdade, mas trocou
de curso algumas vezes. Ainda na metade do 3º ano do ensino médio, João
passou no vestibular da UnB para Relações Internacionais, curso
bastante disputado.
 
"Eu adoro viajar. Tinha feito um teste vocacional que não surtiu
nenhum efeito. Apontou que poderia ser um curso de exatas, humanas ou
biológicas", diverte-se. Depois de cinco semestres de curso, ele criou
coragem para abandonar a graduação. Na época, já cursava Direito ao
mesmo tempo em uma instituição privada.
 
Na opinião dele, é muito difícil escolher uma profissão tão cedo.
"Ninguém está preparado quando sai do ensino médio. A gente escolhe
muito cedo e falta orientação sobre cursos e trabalho também", pondera.
Do Direito, João pulou para Jornalismo, também na UnB. Um ano e meio
depois, percebeu que o sonho de se tornar jornalista esportivo não iria
adiante.
 
História e Medicina foram os próximos cursos "experimentados" por
João, que, no final, voltou para o Direito e se formou em 2009. Os pais,
mesmo preocupados com as mudanças, não criaram conflitos com João
durante esse período de dúvidas. Ele conta que os processos de
transferência entre cursos na UnB eram tão difíceis que ele fazia novo
vestibular a cada troca.
 
Índices mais altos - Até pouco tempo atrás, os
números eram ainda mais inflados. De acordo com Costa, havia duplicação
no censo. "Antes, um estudante que trocava de curso era considerado
evadido. Agora, a análise é feita por CPF. A evasão não é o que se
achava, mas é maior do que deveria ser", admite.
 
O pesquisador ressalta que, no ensino privado, é preciso cuidar para
não misturar a quantidade de vagas não-preenchidas todos os semestres
com a evasão. "As duas são altas, mas a ociosidade é maior ainda", diz.
Ele acredita que é preciso investir ainda mais em financiamentos
estudantis para mudar o cenário.
(Portal IG)
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