Voltar para Notícias
Dentro da escola, editorial da Folha de São Paulo
10/02/2012
Dentro da escola, editorial da Folha de São Paulo
Nenhuma
nação, de que tamanho seja, pode conformar-se com 3,8 milhões de
crianças e jovens fora da escola. No Brasil isso representa menos de 2%
da população, mas é como se um Uruguai inteiro de 4 a 17 anos fosse
esquecido na margem da estrada.
Tal foi a cifra que mais chamou a atenção no
balanço periódico do ensino no Brasil feito pelo movimento Todos pela
Educação. O número absoluto assusta, mas oculta que o acesso à escola no
País vem melhorando: de 89,9% da população em idade escolar, em 2006,
chegamos a 91,5% em 2010.
Não deixa de ser um progresso, mas lento. Nesse ritmo, será difícil
atingir a primeira de cinco metas fixadas pelo movimento para 2022: toda
criança e jovem na escola. O objetivo intermediário para 2010 era 93,4%
- e ficamos aquém. Na avaliação da segunda meta (toda criança
alfabetizada até os oito anos de idade), generalizou-se a nota vermelha.
O desejado era chegar a 80% do total em 2010. Nem o Sudeste, com o
melhor desempenho do País, chegou a 70% de alunos com domínio de
leitura, escrita e contas básicas.
O monitoramento do terceiro objetivo (todo aluno com aprendizado
adequado à sua série) revela um desastre: nenhum nível de ensino, em
nenhuma região País, obteve mais que 46% de alunos com rendimento
satisfatório em português ou matemática, em 2009 (último dado a ser
colhido).
O acúmulo de problemas e deficiências alcança o paroxismo no ensino
médio, fulcro da quarta meta (todo jovem com esse diploma até os 19
anos). Pouco mais da metade (50,2%) chegou lá em 2009. Mais que a cifra
determinada para aquele ano (46,5%), é verdade, mas com desempenho
pavoroso em matemática - só 11% dos formandos aprendem o que deveriam
dessa matéria essencial para usar produtivamente os conhecimentos e as
ferramentas da ciência e da tecnologia.
O quadro é acabrunhante e não pode ser explicado apenas por falta de
verbas, justificativa tradicional de quem só consegue ver a questão pelo
ângulo material (prédios, tecnologia) ou corporativista (salários). Já
se gastam 4,3% do PIB no Brasil com educação, perto dos 5% estipulados
na quinta meta, sem que isso se traduza na revolução de que o país
necessita.
Trata-se de um dever nacional resgatar aqueles 3,8 milhões de jovens e
crianças que estão fora da escola. É dentro dela, porém, que falta dar
os passos cruciais: qualificar melhor o corpo docente, remunerá-lo de
forma condizente, atrair os melhores profissionais e dotá-los com os
conteúdos e métodos para que ensinem o que os alunos precisam aprender.
nação, de que tamanho seja, pode conformar-se com 3,8 milhões de
crianças e jovens fora da escola. No Brasil isso representa menos de 2%
da população, mas é como se um Uruguai inteiro de 4 a 17 anos fosse
esquecido na margem da estrada.
Tal foi a cifra que mais chamou a atenção no
balanço periódico do ensino no Brasil feito pelo movimento Todos pela
Educação. O número absoluto assusta, mas oculta que o acesso à escola no
País vem melhorando: de 89,9% da população em idade escolar, em 2006,
chegamos a 91,5% em 2010.
Não deixa de ser um progresso, mas lento. Nesse ritmo, será difícil
atingir a primeira de cinco metas fixadas pelo movimento para 2022: toda
criança e jovem na escola. O objetivo intermediário para 2010 era 93,4%
- e ficamos aquém. Na avaliação da segunda meta (toda criança
alfabetizada até os oito anos de idade), generalizou-se a nota vermelha.
O desejado era chegar a 80% do total em 2010. Nem o Sudeste, com o
melhor desempenho do País, chegou a 70% de alunos com domínio de
leitura, escrita e contas básicas.
O monitoramento do terceiro objetivo (todo aluno com aprendizado
adequado à sua série) revela um desastre: nenhum nível de ensino, em
nenhuma região País, obteve mais que 46% de alunos com rendimento
satisfatório em português ou matemática, em 2009 (último dado a ser
colhido).
O acúmulo de problemas e deficiências alcança o paroxismo no ensino
médio, fulcro da quarta meta (todo jovem com esse diploma até os 19
anos). Pouco mais da metade (50,2%) chegou lá em 2009. Mais que a cifra
determinada para aquele ano (46,5%), é verdade, mas com desempenho
pavoroso em matemática - só 11% dos formandos aprendem o que deveriam
dessa matéria essencial para usar produtivamente os conhecimentos e as
ferramentas da ciência e da tecnologia.
O quadro é acabrunhante e não pode ser explicado apenas por falta de
verbas, justificativa tradicional de quem só consegue ver a questão pelo
ângulo material (prédios, tecnologia) ou corporativista (salários). Já
se gastam 4,3% do PIB no Brasil com educação, perto dos 5% estipulados
na quinta meta, sem que isso se traduza na revolução de que o país
necessita.
Trata-se de um dever nacional resgatar aqueles 3,8 milhões de jovens e
crianças que estão fora da escola. É dentro dela, porém, que falta dar
os passos cruciais: qualificar melhor o corpo docente, remunerá-lo de
forma condizente, atrair os melhores profissionais e dotá-los com os
conteúdos e métodos para que ensinem o que os alunos precisam aprender.