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Acidente no Japão atrasa usinas no Brasil

10/02/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81109
Construção de usinas nucleares deve atrasar até um ano e meio, diz funcionário da Eletronuclear.
O plano do governo federal para a construção de
novas usinas nucleares no Brasil deve sofrer atraso de até um ano e meio
por causa do acidente de Fukushima, no Japão, em março de 2011. Ontem
(8), o assistente da presidência da Eletronuclear, Leonam Guimarães,
afirmou que a catástrofe japonesa ocorreu justamente no momento em que o
País se preparava para levar adiante os trabalhos de planejamento, o
que criou um ambiente desfavorável para a discussão do assunto.
 
"Poderíamos atribuir um atraso de um ano a um ano e meio para as
novas usinas", disse Guimarães, ressaltando, porém, que o último Plano
Plurianual do governo indica que a energia nuclear continua nos planos
do País. Um dos objetivos estabelecidos no documento é projetar quatro
novas usinas entre 2012 e 2015 e criar fundamentos para que elas possam
sair do papel no futuro, sem especificar prazo.
 
Em palestra no 3.º Fórum de Energia Nuclear, ontem (8) no Rio,
Guimarães avaliou que, logo após o acidente, o momento tornou-se
politicamente inadequado para levar as discussões à frente. Na época, a
Alemanha anunciou o abandono de seu programa nuclear, decisão
classificada de "irracional" pelo executivo.
 
Pressões - Para ele, a guinada mostra que a
chanceler Angela Merkel teve de ceder às pressões populares contra a
energia nuclear, que teriam fortalecido o Partido Verde alemão. Em 2011,
ano de eleições também no Brasil, a candidata do Partido Verde, Marina
Silva, surpreendeu ao ficar em terceiro lugar. Antes mesmo da campanha,
ela defendera a realização de um plebiscito sobre a necessidade de o
País utilizar energia nuclear.
 
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano
Pires, afirma que o País não foi o único a enfrentar adiamentos. "Isso
atrasou não só o programa nuclear brasileiro, mas também o de outros
países. Quando há um acidente desse tamanho, questionam-se os
procedimentos de segurança de uma usina nuclear", afirmou. Para ele,
ainda há espaço para o crescimento da participação da energia nuclear na
matriz brasileira.
 
Guimarães acredita que o Plano Nacional de Energia 2035, aguardado
ainda para o primeiro semestre deste ano, deva indicar a construção de
mais usinas nucleares no País. O plano anterior, cujo horizonte vai até
2030, previa no mínimo quatro. "Arrisco dizer que o plano de energia de
2035 deve ter mais unidades nucleares", previu.
 
O governo já tem um mapeamento de áreas potenciais para a construção
de plantas. Agora, espera-se a chancela do novo plano para que os
estudos sejam aprofundados. "Já temos a identificação de áreas
candidatas em todo o território nacional. Conforme o que orientar o
plano, vão ser selecionadas as áreas que serão submetidas a estudos mais
aprofundados", diz ele.
 
Enquanto não há definições sobre novos projetos, a Eletronuclear toca
as obras da Usina Angra 3, no litoral fluminense. O vencedor da
licitação do projeto de montagem eletromecânica da planta deve ser
anunciado em março, afirmou ontem o gerente de planejamento e orçamento
da Eletronuclear, Roberto Travassos. Os investimentos na usina devem
totalizar R$ 10 bilhões.
(O Estado de São Paulo)
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