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Roitman cobra luta unificada pela melhoria da qualidade da educação do Brasil
29/12/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80644
Intelectuais
e sociedade civil precisam se envolver na luta pela conquista da
qualidade da educação para que essa se torne uma política de Estado e
não se altere conforme o partido político no governo. A opinião é de
Isaac Roitman, autor do livro 'A Urgência da Educação', lançado este ano
em parceria com Mozart Neves Ramos, fruto de seus artigos publicados no
Correio Braziliense.
Em uma alusão ao título de sua obra, Roitman vê
necessidade de, pelo menos, começar a melhorar a qualidade da educação,
principalmente a do ensino básico, considerado precário e onde reside o
gargalo educacional do Brasil. "Se não começarmos, é possível chegarmos a
uma situação irreversível", declara o autor, também coordenador do
Grupo de Trabalho da Educação da SBPC, criado em 2008, com o objetivo de
estimular a instituição de uma política contínua e de aprimoramento da
educação.
Com longa experiência na área acadêmica, Roitman diz notar
deficiência de estudantes do ensino médio que entram nas universidades
"tolhidos" das suas principais vocações intelectuais. "Toda vontade
criativa que tem em uma criança é bloqueada no ensino básico", disse o
professor aposentado que lecionou nas universidades federais do Rio de
Janeiro e de Brasília, em entrevista ao Programa Tirando de Letra da
UnBTV. Dentre outras ocupações, Roitman foi reitor da Universidade de
Mogi das Cruzes e diretor de avaliação de cursos da Capes.
Efeitos automáticos nas universidades - Conforme
entende Roitman, se começar a melhorar o ensino base certamente haverá
efeitos positivos no ensino superior. "Não haverá bons pesquisadores sem
uma formação excelente básica e uma excelente formação do ensino
superior", avalia.
Para Roitman, essa é uma necessidade que precisa ser colocada na
pauta de prioridades do Brasil. "Se não fizermos isso, o nosso futuro
será comprometido", declara ele.
Problemas crônicos - Segundo ele recorda, o problema
da baixa qualidade da educação brasileira é histórico, embora planos de
educação a cada ano são criados, recriados e reelaborados.
Nesse caso, Roitman disse que na década de 1930 já havia um grupo de
21 intelectuais preocupados com a qualidade da educação brasileira,
dentre os quais Cecília Meireles (1901-1964) e Fernando Azevedo
(1894-1974), que fundaram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. O
mesmo ocorreu três décadas depois, quando em 1959 um universo de 200
intelectuais, dentre eles Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do
Brasil, e Anísio Spínola Teixeira (1900-1971), foram à luta pela
melhoria da educação nacional. Em nenhum dos casos, ele lamenta, houve
sucesso.
"Se lermos o primeiro manifesto de 1932 e o de 1959, parece que foram
escritos na semana passada. Todos os problemas estão colocados, os
diagnósticos são muito bem feitos e (igualmente) as soluções. Ai vem a
pergunta. Por que nada acontece?", questiona.
"Vou falar algo que, talvez, intelectuais não gostem: nada aconteceu
porque intelectual não faz revolução; intelectuais pensam, fazem
diagnósticos e preposições que vão ficar nas prateleiras. É preciso que
os intelectuais, juntamente com outros setores da sociedade, pressionem
para que a educação seja uma política de Estado", destaca.
Participação da sociedade civil - Roitman destaca a
necessidade da participação da sociedade civil nessa luta. "Não adianta
os intelectuais e acadêmicos discutirem as coisas com eles mesmos, pois
nada vai mudar", diz.
Segundo recomenda Roitman, o Brasil precisa implementar uma meta de
qualidade da educação de forma permanente. Ou seja, invariavelmente às
mudanças do partido político que assume o governo. "A educação não deve
ser um tema partidário. Só assim conseguiremos atingir uma meta de ter
uma boa educação, uma base para um povo feliz. Creio que isso é
possível, se não acreditasse nisso iria me recolher aos meus próprios
pensamentos", filosofa o autor.
Na entrevista à UnBTV, Roitman destaca, ainda, o papel da SBPC na
luta pela educação e pela defesa de investimentos em ciência e
tecnologia para o desenvolvimento do Brasil em curto e longo prazos.
(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)
e sociedade civil precisam se envolver na luta pela conquista da
qualidade da educação para que essa se torne uma política de Estado e
não se altere conforme o partido político no governo. A opinião é de
Isaac Roitman, autor do livro 'A Urgência da Educação', lançado este ano
em parceria com Mozart Neves Ramos, fruto de seus artigos publicados no
Correio Braziliense.
Em uma alusão ao título de sua obra, Roitman vê
necessidade de, pelo menos, começar a melhorar a qualidade da educação,
principalmente a do ensino básico, considerado precário e onde reside o
gargalo educacional do Brasil. "Se não começarmos, é possível chegarmos a
uma situação irreversível", declara o autor, também coordenador do
Grupo de Trabalho da Educação da SBPC, criado em 2008, com o objetivo de
estimular a instituição de uma política contínua e de aprimoramento da
educação.
Com longa experiência na área acadêmica, Roitman diz notar
deficiência de estudantes do ensino médio que entram nas universidades
"tolhidos" das suas principais vocações intelectuais. "Toda vontade
criativa que tem em uma criança é bloqueada no ensino básico", disse o
professor aposentado que lecionou nas universidades federais do Rio de
Janeiro e de Brasília, em entrevista ao Programa Tirando de Letra da
UnBTV. Dentre outras ocupações, Roitman foi reitor da Universidade de
Mogi das Cruzes e diretor de avaliação de cursos da Capes.
Efeitos automáticos nas universidades - Conforme
entende Roitman, se começar a melhorar o ensino base certamente haverá
efeitos positivos no ensino superior. "Não haverá bons pesquisadores sem
uma formação excelente básica e uma excelente formação do ensino
superior", avalia.
Para Roitman, essa é uma necessidade que precisa ser colocada na
pauta de prioridades do Brasil. "Se não fizermos isso, o nosso futuro
será comprometido", declara ele.
Problemas crônicos - Segundo ele recorda, o problema
da baixa qualidade da educação brasileira é histórico, embora planos de
educação a cada ano são criados, recriados e reelaborados.
Nesse caso, Roitman disse que na década de 1930 já havia um grupo de
21 intelectuais preocupados com a qualidade da educação brasileira,
dentre os quais Cecília Meireles (1901-1964) e Fernando Azevedo
(1894-1974), que fundaram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. O
mesmo ocorreu três décadas depois, quando em 1959 um universo de 200
intelectuais, dentre eles Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do
Brasil, e Anísio Spínola Teixeira (1900-1971), foram à luta pela
melhoria da educação nacional. Em nenhum dos casos, ele lamenta, houve
sucesso.
"Se lermos o primeiro manifesto de 1932 e o de 1959, parece que foram
escritos na semana passada. Todos os problemas estão colocados, os
diagnósticos são muito bem feitos e (igualmente) as soluções. Ai vem a
pergunta. Por que nada acontece?", questiona.
"Vou falar algo que, talvez, intelectuais não gostem: nada aconteceu
porque intelectual não faz revolução; intelectuais pensam, fazem
diagnósticos e preposições que vão ficar nas prateleiras. É preciso que
os intelectuais, juntamente com outros setores da sociedade, pressionem
para que a educação seja uma política de Estado", destaca.
Participação da sociedade civil - Roitman destaca a
necessidade da participação da sociedade civil nessa luta. "Não adianta
os intelectuais e acadêmicos discutirem as coisas com eles mesmos, pois
nada vai mudar", diz.
Segundo recomenda Roitman, o Brasil precisa implementar uma meta de
qualidade da educação de forma permanente. Ou seja, invariavelmente às
mudanças do partido político que assume o governo. "A educação não deve
ser um tema partidário. Só assim conseguiremos atingir uma meta de ter
uma boa educação, uma base para um povo feliz. Creio que isso é
possível, se não acreditasse nisso iria me recolher aos meus próprios
pensamentos", filosofa o autor.
Na entrevista à UnBTV, Roitman destaca, ainda, o papel da SBPC na
luta pela educação e pela defesa de investimentos em ciência e
tecnologia para o desenvolvimento do Brasil em curto e longo prazos.
(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)