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Desmatamento na Amazônia cai 11% e atinge menor taxa em 24 anos

07/12/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80398
Com desmatamento em queda, governo quer investir na recuperação de áreas degradadas na Amazônia.
Entre agosto de 2010 e julho de 2011, a Amazônia
perdeu 6.238 quilômetros quadrados (km²) de floresta. É a menor taxa
anual de desmate registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento, em 1988. O número é
calculado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia
Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que
sofreram desmatamento total, o chamando corte raso.
 
A taxa de 2011 é 11% menor que a devastação registrada pelo Inpe em
2010, de 7 mil km². Apesar da queda, a área desmatada na Amazônia Legal
em um ano ainda é maior que o Distrito Federal ou quatro vezes o tamanho
da cidade de São Paulo.
 
De acordo com o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, quase todos os
estados da Amazônia registraram queda no desmatamento entre 2010 e 2011.
Apenas em Mato Grosso e Rondônia os satélites verificaram aumento das
derrubadas. Mato Grosso desmatou 1.126 km² no período, aumento de 20% em
relação a 2010. Em Rondônia, o Inpe registrou 869 km² de novos desmates
em um ano, área o dobro da desmatada no período anterior.
 
No Pará, houve queda de 15% em relação a 2010, mas o estado ainda
lidera o ranking anual de desmatamento, com 2.870 km² de florestas a
menos entre agosto de 2010 e julho de 2011.
 
O governo atribui à queda do desmatamento anual às ações de
fiscalização e combate, reforçadas a partir de abril, quando o sistema
de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe,
mostrou aumento significativo do desmatamento, principalmente em Mato
Grosso e Rondônia.
 
"Os alertas do Deter desencadearam operações significativas que
reduziram muito a incidência do desmatamento em Mato Grosso. Por causa
dessa ação, verificamos que o desmatamento que em abril tinha indícios
de que iria crescer, manteve-se por mais um ano em queda", avaliou o
diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
 
De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Curt Trennepohl, somente em
Mato Grosso, as operações resultaram no embargo de 38,5 mil hectares de
áreas desmatadas irregularmente. Em toda a Amazônia Legal, o número
chega a 79 mil hectares embargados, além de 8 mil autos de infração
aplicados, 350 caminhões apreendidos e 42 mil metros cúbicos de madeira
em tora apreendidos.
 
Recuperação de áreas degradadas na Amazônia - A taxa
anual de desmatamento da Amazônia divulgada mantém a tendência de queda
da derrubada e é a menor desde o início do levantamento, em 1988. Com a
devastação em queda, o governo quer agora investir na recuperação de
áreas do bioma que já foram desmatadas e estão abandonadas.
 
"O que está em debate hoje não é só coibir o desmatamento, temos que
avançar em relação ao que está em regeneração na Amazônia. É preciso
avançar no monitoramento dessas áreas em regeneração", disse a ministra
do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante a apresentação dos dados.
 
Cerca de 20% de toda a área já desmatada na Amazônia são ocupadas por
vegetação secundária, áreas que se encontram em processo de regeneração
avançado ou que tiveram florestas plantadas com espécies exóticas, de
acordo com levantamento feito pelo Inpe e pela Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
 
De acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio
Mercadante, essas áreas poderão ser utilizadas como sumidouros de
carbono, porque funcionam como absorvedoras de dióxido de carbono,
principal gás de efeito estufa.
 
"Se aumentarmos a fiscalização, e aumentarmos a produtividade da
pecuária - que ocupa 62% das áreas desmatadas - poderíamos, sem desmatar
mais, transformar a Amazônia em um grande instrumento de sequestro de
carbono, mudando totalmente o balanço brasileiro de emissões", avaliou.
 
O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, calcula que essa mudança do papel
da Amazônia no cenário brasileiro de emissões de gases de efeito estufa
deve ocorrer nos próximos anos. "A recomposição da floresta, junto com
as medidas do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que prevê meta
contínua de redução do desmatamento, vai fazer com que a Amazônia, a
partir de 2015, possa se transformar em um centro de absorção de
carbono", disse ele.
(Agência Brasil)
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