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Setor privado tem quatro vezes mais médicos do que a rede pública
02/11/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80338
CFM e
Cremesp concluíram que não há falta de médicos no País, e sim de
políticas que levem a uma melhor distribuição dos profissionais.
A oferta de médicos por usuário na rede privada é
quatro vezes a oferta no Sistema Único de Saúde (SUS). A cada mil
usuários de planos de saúde há, em média, 7,6 postos de trabalho médico
ocupados. Na rede pública, essa relação cai para 1,95. A disparidade vai
a extremos em estados do Norte e Nordeste, segundo mapa feito pelo
Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do
Estado de São Paulo (Cremesp).
Considerando o número de pessoas atendidas em cada rede, o
abastecimento de médicos no setor privado é 12 vezes o da rede pública
na Bahia, 9,7 vezes no Acre e 9,6 vezes no Pará. Os dados consideram
oferta de postos de trabalho e não quantidade de médicos registrados.
Consultórios particulares não entraram na conta.
Os índices de disparidade refletem falta de investimento no SUS,
segundo análise do estudo. No Sudeste, a distribuição é mais homogênea e
chega a haver inversão nas ofertas. O SUS é mais bem abastecido de
médicos que a rede privada, em relação aos usuários, nas capitais Rio de
Janeiro, Vitória e São Paulo.
Segundo Mário Scheffer, coordenador do estudo, o Brasil tem diversas
taxas de densidade médica, desde as comparáveis às de países africanos
até às de europeus. "Mas é difícil relacionar o dado brasileiro a outros
países pela forma única do sistema no País", afirma Ligia Bahia,
professora de saúde coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na Inglaterra, o sistema é quase todo público; nos EUA e na França,
os hospitais são privados, mas podem receber financiamento do seguro de
saúde público. O Brasil é dividido em hospitais públicos e privados,
que, às vezes, atendem também ao SUS.
Não faltam médicos - CFM e Cremesp concluíram que
não há falta de médicos no País, e sim de políticas que levem a uma
melhor distribuição dos profissionais. Os conselhos criticaram a
abertura indiscriminada de novos cursos de medicina, que ampliam a
reserva de profissionais, e a falta de recursos para o setor.
"As oportunidades para os médicos na área privada são maiores por
causa de um certo protecionismo e imobilismo na esfera pública", diz o
oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita
Albert Einstein
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) disse que é prioridade do
governo formar médicos com qualidade e estabelecer mecanismos que
direcionem profissionais para o interior, para o SUS e para regiões
carentes. Padilha diz que já existe desconto na dívida do financiamento
estudantil para médicos que trabalhem no SUS em regiões desfavorecidas. O
estudo atestou que há menor proporção de médicos no interior do País.
O documento ainda mostrou maior atuação de mulheres na profissão -
são maioria na faixa até 29 anos - e a divisão de médicos em vários
empregos e longas jornadas. Em São Paulo, há jornadas de mais de 50
horas semanais
(Folha de São Paulo)
Cremesp concluíram que não há falta de médicos no País, e sim de
políticas que levem a uma melhor distribuição dos profissionais.
A oferta de médicos por usuário na rede privada é
quatro vezes a oferta no Sistema Único de Saúde (SUS). A cada mil
usuários de planos de saúde há, em média, 7,6 postos de trabalho médico
ocupados. Na rede pública, essa relação cai para 1,95. A disparidade vai
a extremos em estados do Norte e Nordeste, segundo mapa feito pelo
Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do
Estado de São Paulo (Cremesp).
Considerando o número de pessoas atendidas em cada rede, o
abastecimento de médicos no setor privado é 12 vezes o da rede pública
na Bahia, 9,7 vezes no Acre e 9,6 vezes no Pará. Os dados consideram
oferta de postos de trabalho e não quantidade de médicos registrados.
Consultórios particulares não entraram na conta.
Os índices de disparidade refletem falta de investimento no SUS,
segundo análise do estudo. No Sudeste, a distribuição é mais homogênea e
chega a haver inversão nas ofertas. O SUS é mais bem abastecido de
médicos que a rede privada, em relação aos usuários, nas capitais Rio de
Janeiro, Vitória e São Paulo.
Segundo Mário Scheffer, coordenador do estudo, o Brasil tem diversas
taxas de densidade médica, desde as comparáveis às de países africanos
até às de europeus. "Mas é difícil relacionar o dado brasileiro a outros
países pela forma única do sistema no País", afirma Ligia Bahia,
professora de saúde coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na Inglaterra, o sistema é quase todo público; nos EUA e na França,
os hospitais são privados, mas podem receber financiamento do seguro de
saúde público. O Brasil é dividido em hospitais públicos e privados,
que, às vezes, atendem também ao SUS.
Não faltam médicos - CFM e Cremesp concluíram que
não há falta de médicos no País, e sim de políticas que levem a uma
melhor distribuição dos profissionais. Os conselhos criticaram a
abertura indiscriminada de novos cursos de medicina, que ampliam a
reserva de profissionais, e a falta de recursos para o setor.
"As oportunidades para os médicos na área privada são maiores por
causa de um certo protecionismo e imobilismo na esfera pública", diz o
oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita
Albert Einstein
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) disse que é prioridade do
governo formar médicos com qualidade e estabelecer mecanismos que
direcionem profissionais para o interior, para o SUS e para regiões
carentes. Padilha diz que já existe desconto na dívida do financiamento
estudantil para médicos que trabalhem no SUS em regiões desfavorecidas. O
estudo atestou que há menor proporção de médicos no interior do País.
O documento ainda mostrou maior atuação de mulheres na profissão -
são maioria na faixa até 29 anos - e a divisão de médicos em vários
empregos e longas jornadas. Em São Paulo, há jornadas de mais de 50
horas semanais
(Folha de São Paulo)