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Aids ainda mata 12 mil por ano e só não sobe no Sudeste
30/11/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80293
Na semana do
Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro), o Ministério da
Saúde divulgou o Boletim Epidemiológico 2011. De 1998 a 2010, número de
novos casos subiu no país, atingindo mais jovens gays.
A Aids matou no ano passado 11.965 pessoas no
Brasil. O número de novos casos aumentou em todo o país entre 1998 e
2010, menos na região Sudeste. E a tendência de alta se manteve este ano
no Norte e no Nordeste. Há 12 anos, a quantidade de novos registros de
Aids no Norte foi de 729, uma taxa de 6,1 para cada 100 mil habitantes;
em 2010, o número subiu para 3.274, elevando a taxa para 20,6 para cada
100 mil habitantes. O Ministério da Saúde ainda não fechou a taxa deste
ano, mas já contabiliza 1.391 novos casos na região. No Nordeste, 3.020
novos casos foram registrados em 1998, e, no ano passado, o número mais
do que dobrou: 6.702. A taxa no período subiu de 6,6 por 100 mil
habitantes para 12,6.
Os dados divulgados ontem no novo Boletim Epidemiológico Aids/DST
mostram também que a incidência de infectados na população em geral se
manteve estável no período, registrando até uma pequena queda, de 18,7
pra 17,9 casos para cada 100 mil habitantes. A diminuição foi possível
graças à redução registrada no Sudeste, que concentra 56,4% de todos os
infectados pelo HIV no país. Na região, o número de casos caiu de 19.167
para 14.142 e a taxa, de 27,8 para 17,6 entre 1998 e 2010. O Sudeste
também foi a única região a registrar redução no número de mortos.
Segundo o ministério, no Brasil o vírus atinge 0,6% da população
entre 15 e 49 anos. De 1980 a junho de 2011, 608.230 pessoas foram
registradas com o vírus da Aids no país. O governo explica que o aumento
da doença no Norte e no Nordeste se explica porque mais testes passaram
a ser feitos em áreas onde antes não havia acesso ao diagnóstico e
também porque muitas pessoas só procuram o serviço de saúde para fazer o
exame quando começam a sentir os sintomas da doença, o que acontece em
média dez anos após a infecção.
O ministério está mais preocupado, no entanto, com o aumento da
contaminação entre rapazes gays de 15 a 24 anos. Embora o percentual de
casos em jovens desta faixa etária tenha diminuído em 12 anos, entre os
jovens homossexuais desta idade, o percentual aumentou 10,1%. No ano
passado, para cada 10 heterossexuais com esta idade contaminados, havia
16 homossexuais infectados pelo vírus da Aids. Para se ter uma ideia, em
1998, foram computados 364 casos de Aids entre jovens gays, o que
representava 20,5% do total. E no ano passado, os casos saltaram para
514, 27% do total.
Campanha vai focar em gays e travestis - Diante
desta nova realidade, o governo decidiu focar neste público a próxima
campanha, que terá início na próxima quinta-feira, Dia Mundial de Luta
contra a Aids. Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o problema
se intensificou entre os jovens gays porque a geração deles não
vivenciou o início da epidemia, nas décadas de 80 e 90, quando a face
mais cruel da doença foi revelada. O ministério vai usar as redes
sociais para divulgar os alertas.
- Existe uma geração jovem no Brasil que não viveu a luta contra a
Aids, 20 anos atrás. E por isso nós temos que ter cada vez mais
estratégias de comunicação, de mudanças de atitude, entender cada vez
melhor os meios onde esse setor se comunica para dialogar com esses
jovens. Noventa e cinco por cento da nossa população sabe que a melhor
forma de prevenir o HIV é o sexo seguro com o uso da camisinha, mas
precisamos mudar a atitude dos nossos jovens. Nossa próxima campanha vai
focar nos jovens gays e travestis - disse Padilha.
Para Mário Scheffer, presidente da Grupo Pela Vidda, a primeira
organização especializada no assunto fundada no Brasil, o fato de os
gays serem mais vulneráveis do que o restante da população não é
novidade. Ele acusa o governo de ter abandonado esse grupo, ao não
montar estratégias específicas para o público homossexual. Ele aponta
que os gays em geral têm 11 vezes mais chance de pegar a doença do que
os heterossexuais. Entretanto, nos locais de convivência não se veem
cartazes alertando para o problema do HIV.
- Independentemente de ser jovem, o homossexual é mais afetado por
conta de uma cultura própria de práticas específicas. Eles são mais
vulneráveis, nunca deixaram de ser. No momento que você fala que a Aids é
um problema de todo mundo, diminui um pouco o estigma, mas joga o
problema para debaixo do tapete - apontou Scheffer.
A boa notícia é que a transmissão vertical - quando a mãe passa a
doença para o bebê - diminuiu consideravelmente de 1998 a 2010. Entre
crianças com até cinco anos, o número de novos casos foi 40,7% menor. Há
12 anos eram 5,9 infecções para cada 100 mil crianças nessa faixa
etária, passando para 3,5 em 2010.
Para o ministro da Saúde, esse resultado se deve ao aumento de testes
rápidos feitos no país - modalidade de exame que pode ser realizada em
postos de saúde, nas áreas rurais e durante campanhas de prevenção. Com o
aumento do diagnóstico, as mães infectadas começaram a ter acesso ao
tratamento mais cedo, reduzindo a contaminação do bebê durante a
gravidez e no parto. O governo quer acabar com esse tipo de transmissão
nos próximos três anos.
- Queremos chegar até 2015 com a meta estabelecida pela Organização
Mundial da Saúde, que é menos de 1% de transmissão vertical - disse
Padilha.
(O Globo)
Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro), o Ministério da
Saúde divulgou o Boletim Epidemiológico 2011. De 1998 a 2010, número de
novos casos subiu no país, atingindo mais jovens gays.
A Aids matou no ano passado 11.965 pessoas no
Brasil. O número de novos casos aumentou em todo o país entre 1998 e
2010, menos na região Sudeste. E a tendência de alta se manteve este ano
no Norte e no Nordeste. Há 12 anos, a quantidade de novos registros de
Aids no Norte foi de 729, uma taxa de 6,1 para cada 100 mil habitantes;
em 2010, o número subiu para 3.274, elevando a taxa para 20,6 para cada
100 mil habitantes. O Ministério da Saúde ainda não fechou a taxa deste
ano, mas já contabiliza 1.391 novos casos na região. No Nordeste, 3.020
novos casos foram registrados em 1998, e, no ano passado, o número mais
do que dobrou: 6.702. A taxa no período subiu de 6,6 por 100 mil
habitantes para 12,6.
Os dados divulgados ontem no novo Boletim Epidemiológico Aids/DST
mostram também que a incidência de infectados na população em geral se
manteve estável no período, registrando até uma pequena queda, de 18,7
pra 17,9 casos para cada 100 mil habitantes. A diminuição foi possível
graças à redução registrada no Sudeste, que concentra 56,4% de todos os
infectados pelo HIV no país. Na região, o número de casos caiu de 19.167
para 14.142 e a taxa, de 27,8 para 17,6 entre 1998 e 2010. O Sudeste
também foi a única região a registrar redução no número de mortos.
Segundo o ministério, no Brasil o vírus atinge 0,6% da população
entre 15 e 49 anos. De 1980 a junho de 2011, 608.230 pessoas foram
registradas com o vírus da Aids no país. O governo explica que o aumento
da doença no Norte e no Nordeste se explica porque mais testes passaram
a ser feitos em áreas onde antes não havia acesso ao diagnóstico e
também porque muitas pessoas só procuram o serviço de saúde para fazer o
exame quando começam a sentir os sintomas da doença, o que acontece em
média dez anos após a infecção.
O ministério está mais preocupado, no entanto, com o aumento da
contaminação entre rapazes gays de 15 a 24 anos. Embora o percentual de
casos em jovens desta faixa etária tenha diminuído em 12 anos, entre os
jovens homossexuais desta idade, o percentual aumentou 10,1%. No ano
passado, para cada 10 heterossexuais com esta idade contaminados, havia
16 homossexuais infectados pelo vírus da Aids. Para se ter uma ideia, em
1998, foram computados 364 casos de Aids entre jovens gays, o que
representava 20,5% do total. E no ano passado, os casos saltaram para
514, 27% do total.
Campanha vai focar em gays e travestis - Diante
desta nova realidade, o governo decidiu focar neste público a próxima
campanha, que terá início na próxima quinta-feira, Dia Mundial de Luta
contra a Aids. Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o problema
se intensificou entre os jovens gays porque a geração deles não
vivenciou o início da epidemia, nas décadas de 80 e 90, quando a face
mais cruel da doença foi revelada. O ministério vai usar as redes
sociais para divulgar os alertas.
- Existe uma geração jovem no Brasil que não viveu a luta contra a
Aids, 20 anos atrás. E por isso nós temos que ter cada vez mais
estratégias de comunicação, de mudanças de atitude, entender cada vez
melhor os meios onde esse setor se comunica para dialogar com esses
jovens. Noventa e cinco por cento da nossa população sabe que a melhor
forma de prevenir o HIV é o sexo seguro com o uso da camisinha, mas
precisamos mudar a atitude dos nossos jovens. Nossa próxima campanha vai
focar nos jovens gays e travestis - disse Padilha.
Para Mário Scheffer, presidente da Grupo Pela Vidda, a primeira
organização especializada no assunto fundada no Brasil, o fato de os
gays serem mais vulneráveis do que o restante da população não é
novidade. Ele acusa o governo de ter abandonado esse grupo, ao não
montar estratégias específicas para o público homossexual. Ele aponta
que os gays em geral têm 11 vezes mais chance de pegar a doença do que
os heterossexuais. Entretanto, nos locais de convivência não se veem
cartazes alertando para o problema do HIV.
- Independentemente de ser jovem, o homossexual é mais afetado por
conta de uma cultura própria de práticas específicas. Eles são mais
vulneráveis, nunca deixaram de ser. No momento que você fala que a Aids é
um problema de todo mundo, diminui um pouco o estigma, mas joga o
problema para debaixo do tapete - apontou Scheffer.
A boa notícia é que a transmissão vertical - quando a mãe passa a
doença para o bebê - diminuiu consideravelmente de 1998 a 2010. Entre
crianças com até cinco anos, o número de novos casos foi 40,7% menor. Há
12 anos eram 5,9 infecções para cada 100 mil crianças nessa faixa
etária, passando para 3,5 em 2010.
Para o ministro da Saúde, esse resultado se deve ao aumento de testes
rápidos feitos no país - modalidade de exame que pode ser realizada em
postos de saúde, nas áreas rurais e durante campanhas de prevenção. Com o
aumento do diagnóstico, as mães infectadas começaram a ter acesso ao
tratamento mais cedo, reduzindo a contaminação do bebê durante a
gravidez e no parto. O governo quer acabar com esse tipo de transmissão
nos próximos três anos.
- Queremos chegar até 2015 com a meta estabelecida pela Organização
Mundial da Saúde, que é menos de 1% de transmissão vertical - disse
Padilha.
(O Globo)