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Estímulo à inovação

23/11/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80194
Editorial da Folha de São Paulo de hoje (22).
A criação de novos produtos e processos de produção
nunca foi a marca das empresas brasileiras - salvo poucas exceções,
como Embraer, Embrapa ou Petrobras. No entanto vem crescendo a percepção
de que a capacidade das empresas de competir, tanto no exterior como no
mercado interno, vai depender cada vez mais de ganhos de produtividade -
até porque o paliativo fácil da desvalorização da moeda para ajudar
exportadores não estará no horizonte dos próximos anos.
 
Um sintoma importante dessa nova atitude foi o lançamento, em 2009,
da Mobilização Empresarial pela Inovação, iniciativa capitaneada pela
Confederação Nacional da Indústria. Também pelo lado do poder público
aparecem novas providências, mas ainda tímidas.
O BNDES, por exemplo, apenas a partir de 2004 passou a oferecer
linhas de financiamento voltadas para a atividade inovadora -que, embora
possa propiciar retorno alto, opera com elevado grau de incerteza. A
pesquisa nem sempre atinge os resultados esperados.
 
O volume de crédito subsidiado oferecido pelo setor público às
empresas engajadas no esforço de inovar tem aumentado nos últimos anos. O
mesmo tem ocorrido com a concessão de incentivos fiscais a empresas e
instituições de pesquisa. A mudança no ambiente econômico no país, com
estabilidade nos preços, crescimento e relativa solidez nas finanças do
setor público, repercute bem no exterior.
 
Anthony Knopp, responsável pela interface entre empresas brasileiras e
um dos principais centros de pesquisa dos EUA, o Massachusetts
Institute of Technology (MIT), destacou, em entrevista recente à Folha,
que o Brasil acorda para a inovação. De fato, mas ainda é débil a
articulação entre a pesquisa desenvolvida nas universidades e o esforço
inovador do setor produtivo.
 
A quantidade de artigos científicos realizados por acadêmicos
brasileiros tem crescido muito nos últimos anos. Mas pouco desse esforço
traduz-se em avanço tecnológico. O descompasso reflete, em parte, a
distância que ainda separa universidades e empresas brasileiras. Outro
fator é o número baixo, na comparação com países mais profícuos no
desenvolvimento de tecnologias de produção, de estudantes e
pesquisadores em áreas como engenharia, biologia, química e física.
 
É preciso, portanto, avançar na adequação do perfil das atividades
universitárias ao imperativo da inovação. Cabe ao setor público
fortalecer os mecanismos de fomento à inovação, tornando-os mais
seletivos. A definição de setores prioritários permitiria maior
concentração de esforços e tenderia a trazer resultados mais
significativos.
 
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