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Ocupe o digital
07/11/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79975
Artigo de Gilson Schwartz e Guilherme Ary Plonski na Folha de São Paulo de hoje (4).
Aprofunda-se a crise global, mas continua o
crescimento digital. No Brasil e no mundo. A internet 3.0 desponta, o
desenvolvimento é cada vez mais fruto de uma inteligência individual e
coletiva que rompe fronteiras nacionais, territoriais e até emocionais.
Essa internet "do futuro" já está chegando nas escolas, nas empresas,
governos e sociedade civil.
Cidades inteligentes e criativas, redes sociais e desafios aos
padrões de propriedade intelectual, geração de lucro e governança ocupam
nosso cotidiano. Estamos nos transformando em seres sociais, semicorpos
tecnológicos que se alimentam da imersão audiovisual na vida digital. A
crise selou o destino do jogo financeiro. Na sociedade em rede, a saída
da crise é digital.
É fato que o pânico muitas vezes vira resistência ao próprio digital.
Muitos se apegam à ocupação do espaço físico, do local, do que parece
ainda ser "real". Mas até a ocupação física da praça só funciona se
virar imagem, notícia, informação digital circulando em rede a ponto de
gerar valor a partir do "mix" entre a praça real e a virtual, midiática.
Seja pela ampliação do acesso a informação, comunicação e
conhecimento, seja pelas inúmeras novas formas (positivas e negativas)
de colonizar o espaço virtual ou transformá-lo em campo de batalha pela
transformação do mundo, ocupar o digital é hoje condição de
sobrevivência para indivíduos, grupos, empresas e governos.
No horizonte dessa sociedade global digital, três vetores
estruturantes integram a agenda do Fórum TICs (tecnologias de informação
e comunicação), que hoje é instalado pelo consórcio Pro-Ideal na Escola
de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O primeiro vetor é
o da saúde, individual e pública, vista como ação prioritária para
traduzir o poder de aceleração das TICs em melhorias mais rápidas dos
indicadores de desenvolvimento humano.
O segundo eixo é o da cultura digital, esse processo em que se
combinam o digital e o real para redefinir as fronteiras entre educação e
brincadeira, conhecimento ou tecnologia e geração de emprego, renda e
riqueza. É o cenário em que se expande uma "economia criativa", que em
muitos países já se apresenta como "tábua de salvação". Vale aqui um
alerta: o que faremos com a Copa e com os Jogos Olímpicos, não em termos
de estádios, estradas e aeroportos, mas na educação e na cultura?
Finalmente, as TICs sempre foram e continuam a ser fator determinante
no design e na reconstrução de redes de débito e crédito, de meios de
pagamento e financiamento, com a emergência de moedas sociais e
criativas, que podem mudar a velocidade e dar mais sentido a políticas
de desenvolvimento local.
Promover a digitalização da saúde, da cultura e da economia criativa é
o desafio central que nossas autoridades, lideranças sociais e
empresariais e inteligências acadêmicas e culturais precisam enfrentar.
Ocupar o digital é ir além do choro e do ranger de dentes que
massacram as populações de todo o mundo, vítimas do "meltdown" da
globalização financeira. No entanto, para construir a sociedade em rede,
não basta comprar máquinas ou estender cabos e redes sem fio. É preciso
saber o que fazer para bem ocupá-las. Queremos mudar o mundo? Ocupemos o
digital, já.
Gilson Schwartz, economista e sociólogo, é professor da ECA-USP , líder do grupo de pesquisa "Cidade do Conhecimento" (www.cidade.usp.br), coordenador no Brasil do consórcio "Promoting an ICT Dialogue between Europe and América Latina" (www.pro-ideal.eu) e diretor para América Latina da rede internacional "Games for Change" (www.gamesforchange.org.br).
Guilherme Ary Plonski é presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (www.anprotec.org.br) e professor da USP, onde coordena o Núcleo de Pesquisa em Política e Gestão Tecnológica (http.www.usp.br/pgt).
Aprofunda-se a crise global, mas continua o
crescimento digital. No Brasil e no mundo. A internet 3.0 desponta, o
desenvolvimento é cada vez mais fruto de uma inteligência individual e
coletiva que rompe fronteiras nacionais, territoriais e até emocionais.
Essa internet "do futuro" já está chegando nas escolas, nas empresas,
governos e sociedade civil.
Cidades inteligentes e criativas, redes sociais e desafios aos
padrões de propriedade intelectual, geração de lucro e governança ocupam
nosso cotidiano. Estamos nos transformando em seres sociais, semicorpos
tecnológicos que se alimentam da imersão audiovisual na vida digital. A
crise selou o destino do jogo financeiro. Na sociedade em rede, a saída
da crise é digital.
É fato que o pânico muitas vezes vira resistência ao próprio digital.
Muitos se apegam à ocupação do espaço físico, do local, do que parece
ainda ser "real". Mas até a ocupação física da praça só funciona se
virar imagem, notícia, informação digital circulando em rede a ponto de
gerar valor a partir do "mix" entre a praça real e a virtual, midiática.
Seja pela ampliação do acesso a informação, comunicação e
conhecimento, seja pelas inúmeras novas formas (positivas e negativas)
de colonizar o espaço virtual ou transformá-lo em campo de batalha pela
transformação do mundo, ocupar o digital é hoje condição de
sobrevivência para indivíduos, grupos, empresas e governos.
No horizonte dessa sociedade global digital, três vetores
estruturantes integram a agenda do Fórum TICs (tecnologias de informação
e comunicação), que hoje é instalado pelo consórcio Pro-Ideal na Escola
de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O primeiro vetor é
o da saúde, individual e pública, vista como ação prioritária para
traduzir o poder de aceleração das TICs em melhorias mais rápidas dos
indicadores de desenvolvimento humano.
O segundo eixo é o da cultura digital, esse processo em que se
combinam o digital e o real para redefinir as fronteiras entre educação e
brincadeira, conhecimento ou tecnologia e geração de emprego, renda e
riqueza. É o cenário em que se expande uma "economia criativa", que em
muitos países já se apresenta como "tábua de salvação". Vale aqui um
alerta: o que faremos com a Copa e com os Jogos Olímpicos, não em termos
de estádios, estradas e aeroportos, mas na educação e na cultura?
Finalmente, as TICs sempre foram e continuam a ser fator determinante
no design e na reconstrução de redes de débito e crédito, de meios de
pagamento e financiamento, com a emergência de moedas sociais e
criativas, que podem mudar a velocidade e dar mais sentido a políticas
de desenvolvimento local.
Promover a digitalização da saúde, da cultura e da economia criativa é
o desafio central que nossas autoridades, lideranças sociais e
empresariais e inteligências acadêmicas e culturais precisam enfrentar.
Ocupar o digital é ir além do choro e do ranger de dentes que
massacram as populações de todo o mundo, vítimas do "meltdown" da
globalização financeira. No entanto, para construir a sociedade em rede,
não basta comprar máquinas ou estender cabos e redes sem fio. É preciso
saber o que fazer para bem ocupá-las. Queremos mudar o mundo? Ocupemos o
digital, já.
Gilson Schwartz, economista e sociólogo, é professor da ECA-USP , líder do grupo de pesquisa "Cidade do Conhecimento" (www.cidade.usp.br), coordenador no Brasil do consórcio "Promoting an ICT Dialogue between Europe and América Latina" (www.pro-ideal.eu) e diretor para América Latina da rede internacional "Games for Change" (www.gamesforchange.org.br).
Guilherme Ary Plonski é presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (www.anprotec.org.br) e professor da USP, onde coordena o Núcleo de Pesquisa em Política e Gestão Tecnológica (http.www.usp.br/pgt).