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Inovação e empresas

26/10/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79833
Artigo de Eloi S. Garcia enviado ao JC Email pelo autor.
O setor produtivo brasileiro ainda está
engatinhando na cultura da inovação. Temos poucos exemplos de
Universidades e Institutos de Pesquisa que atraem o empresariado
nacional, em busca de pesquisa, processos e projetos inovadores e
rentáveis para o mercado. Nosso sistema de inovação é frágil por sua
estrutura empresarial e pela capacitação setorial, dominadas geralmente
por empresas grandes, que fazem o desenvolvimento tecnológico fora do
país. Sem empresas não há inovação.
 
Há muitas formas de considerar a inovação. Inovar não é somente
utilizar a alta tecnologia. Às vezes uma nova interpretação de algo
antigo ou o uso de um método velho de maneira inteligente são mais
inovadores que um novo material ou uma tecnologia sofisticada. Inovar é
também a capacidade de colocar um produto já conhecido, tornando-o de
qualidade melhor e mais barato do que o original e aceito pelo comercio.
Inovar é desenvolver novos produtos e processos a capacidade de chegar a
um futuro planejado de maneira clara e produtiva. Inovar não é uma
alternativa, é o caminho. Assim, o conceito de inovação deve ser
ampliado, utilizando-se tanto para a inovação empresarial como a
inovação social. Se mudar a cultura e desenvolver a criatividade
surgirão caminhos alternativos para a evolução do setor.
 
A inovação, medida pela passagem da invenção de certo produto, sua
inovação e utilização, tem sido cada dia mais rápida.  A bateria de
carro foi descoberta em 1780 e utilizada em 1859; a lâmpada foi
descoberta em 1802 e passou a ser útil para a humanidade em 1873; o
zíper (que usamos em nossas roupas) foi descoberto em 1891 e utilizado
em 1923; Santos Dumont voou pela primeira vez no 14 bis em 1906 e em
1969, Armstrong pisou na lua; a penicilina foi descoberta em 1922 e sua
utilização começou em 1941, durante a segunda guerra mundial; o
transistor for descoberto em 1940, e passou a ser um bem para a
humanidade em 1950; e agora, o coquetel para tratamento da AIDS que em
poucos meses passou a ser útil para a sociedade. Este é o mundo em que
vivemos, este é o planeta que temos que compreender.
 
O bom entendedor sabe que a inovação não é espontânea, não nasce do
nada. Somos um país rico em cérebros, mas que não tem a cultura e a
tradição de levar os descobrimentos ao mundo das empresas. Os temores e
suspeitas nos levam a pensar de que criar uma empresa inovadora é muito
difícil. Inovação também é risco. Mas algumas empresas de inovação
interpretam a crise como uma oportunidade. Para que nosso País tenha uma
economia sustentável e seja forte e internacionalizada, devemos
alcançar uma balança tecnológica positiva baseada na inovação e no
conhecimento e que seja capaz de atrair, reter talentos e gerar
empregados de alto valor agregado.
 
A inovação requer uma estratégia política de Estado, e não de
Governo. Esta política envolve a área de educação, a ciência e
tecnologia, a indústria e o comércio, a relação público-privado, um
forte planejamento que permita estabelecer as "regras do jogo" para os
anos vindouros e fomente a produtividade. Esta estratégia da inovação
deverá afetar numerosos elementos da sociedade entre os quais se podem
citar: a percepção social da inovação, a valorização do êxito
empresarial-tecnológico, a valorização do fracasso para não inibir as
novas ideias e os mecanismos de defesa da propriedade intelectual. Sem
estes pontos não haverá inovação.
 
Eloi S. Garcia, ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é
pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), assessor da Presidência
do Inmetro, e membro da Academia Brasileira de Ciências.
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