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Por que o Brasil não está no ranking das 100 cidades inovadoras

26/10/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79814
O gargalo,
segundo especialistas, está na falta de cultura das companhias nacionais
em investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o que seria
fortemente positivo para as próprias empresas.
O Brasil deixou a desejar e não figurou na lista
das 100 cidades mais inovadoras do mundo em 2011, segundo levantamento
realizado pela firma de pesquisa australiana 2thinknow. O gargalo,
segundo especialistas, está na falta de cultura das companhias nacionais
em investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o que seria
fortemente positivo para as próprias empresas.
 
A avaliação é de analistas consultados por EXAME.com. Para eles, a
ausência do Brasil no levantamento não é uma surpresa, mas sim
preocupante, principalmente levando em conta o fato de o país ser a 7ª
economia do mundo.
 
Boston, a cidade que foi eleita como a mais inovadora do mundo, é
reconhecida no ranking não apenas pelas grandes universidades que
possui, como Harvard e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts,
na sigla em inglês), mas também pela quantidade de companhias que
apostam em P&D para desenvolver novos produtos e lucrar com isso.
 
Na contramão, as cidades brasileiras ainda batalham neste sentido.
Embora muitas pesquisas sejam feitas atualmente e o registro de patentes
continue crescendo, ainda há muito esforço sendo feito para concluir
parcerias entre as empresas e as universidades.
 
"Falta entre os brasileiros um pouco de cultura de inovação,
inclusive entre o empresariado", explica Rogério Filgueiras,
coordenador-adjunto da Agência de Inovação da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ). "O empresário brasileiro é avesso ao risco,
principalmente levando em consideração o processo histórico do País."
 
Por conta disso, "grande parte dos estudos foi feita em
universidades, e não nas companhias, onde o produto é desenvolvido,
produzido e aperfeiçoado e, posteriormente, chega até os consumidores",
acrescenta.
De acordo com a Pintec (Pesquisa de Inovação Tecnológica, divulgada
pelo IBGE), a quantidade de companhias que declararam ter introduzido
pelo menos uma inovação em seus projetos aumentou apenas 5%, passando de
33,4% entre 2003 e 2005 para 38,4% entre 2006 e 2008, segundo o último
balanço.
 
Apenas 11,5% das empresas pesquisadas classificaram como importantes
as atividades internas de P&D, enquanto 78,1% consideraram inovadora
a compra ou a importação de máquinas e equipamentos, aponta o estudo.
 
Mudança de cenário - Para reverter o atraso
histórico, o Brasil tenta agora ampliar a quantidade de pesquisas
aplicadas, de olho nas necessidades do mercado, e não apenas realizar
estudos básicos, conforme ocorre atualmente na maioria dos casos. A
ideia é fechar novas parcerias entre universidade e empresas.
 
"Hoje em dia o pesquisador não quer apenas ter o registro de patente
do seu estudo, mas também quer saber como sua pesquisa será utilizada
pelas companhias, e como resultará na criação de um novo produto,
podendo gerar até novos empregos", diz Filgueiras.
 
O coordenador-adjunto da Agência de Inovação da UFRJ acredita que o
Brasil despertou nos últimos anos para os investimentos em inovação.
"Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, estamos recebendo fortes
investimentos de olho nos grandes eventos previstos para ocorrer na
cidade (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016). Isso tem colaborado
para ampliar as parcerias com o setor privado. Os resultados já estão
aparecendo, embora ainda estejamos longe do patamar que planejamos
conquistar", diz Filgueiras.
 
Patrícia de Toledo, da Inova da Unicamp, tem a mesma opinião. "O
cenário está mudando, mas ainda está devagar. A tecnologia que a
universidade desenvolve deve ser transferida para as empresas. Hoje
temos uma boa infraestrutura de pesquisa e estou otimista com o Brasil
sobre a possibilidade do país ter uma colocação melhor no ranking nos
próximos anos".
 
Para isso, Patricia ressalta que o governo deve continuar apoiando o
incentivo à pesquisa, ao mesmo tempo em que as empresas passem a se
interessar cada vez mais pelo desenvolvimento de seus produtos.
 
"Se as companhias percebessem a importância do quanto isso representa
para cada uma delas, com certeza muitas se engajariam nesse movimento
de inovação, ajudando o Brasil a ter uma melhor posição entre as cidades
mais inovadoras do mundo", conclui.
(Exame On Line)
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