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Brasil é país-modelo em PSA, mas precisa intensificar atuação

26/10/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79811
Ainda sem regulamentação nacional, o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) se expande no Brasil, mas a passos lentos.
O estudo Pagamento por Serviços Ambientais na Mata
Atlântica, feito pela Agência de Cooperação Internacional Alemã (GIZ),
levantou quase 80 programas de PSA na região. São 40 projetos de PSA de
água, 33 de carbono e 5 em biodiversidade. "As iniciativas aqui estão se
proliferando rapidamente. Mas ainda são projetos isolados, que precisam
ganhar escala", afirma Susan Seehusen, assessora técnica em Economia de
Meio Ambiente da GIZ. Com 22% de sua área original, a Mata Atlântica
fornece serviços ambientais para comunidades tradicionais e rurais de
seu entorno e a comunidade global.
 
De maior abrangência, os projetos de água contam com fontes de
recursos de orçamentos públicos e verba do Comitê de Bacias
Hidrográficas lideradas por prefeituras municipais e empresas do setor. O
programa Produtor de Água, da Agência Nacional de Água (ANA), remunera
produtores rurais e impulsiona o desenvolvimento do setor. Com o
pagamento desses recursos humanos mais ações de restauração e
conservação florestal, o custo anual dos projetos vai de R$ 200 mil a R$
2,5 milhões por ano. Hoje, programas em fase inicial envolvem cerca de
350 produtores e beneficiam 22,2 milhões de pessoas.
 
Ligados a projetos de neutralização de CO2, os PSA de carbono se
concentram na região do Pontal de Paranapanema, na tríplice fronteira
São Paulo, Paraná e Minas Gerais, em terras de 10 hectares e 50
hectares. Já proprietários de áreas de mais de 100 hectares aderem aos
programas a fim de atrair investidores.
 
Já atividades de proteção à biodiversidade são as menos apoiadas.
"Nessa área, há baixa disposição para pagar. As pessoas se aproveitam do
serviço mas não pagam por eles, são os chamados caronistas", ressalta
Susan.
 
A ampliação dos programas de PSA esbarra em problemas de governança,
nos altos investimentos e na falta de regulamentação - tramita no
Congresso o projeto de lei nº 792/2007, que visa instituir uma política
nacional e criar um programa nacional e um fundo de PSA. Restaurar 1
hectare de terra custa de R$ 10 mil a R$ 20 mil. Então, ganham pontos
ações que visam diminuir a pobreza e melhorar a distribuição de renda,
como o ICMS-Ecológico, em regiões do Paraná.
 
Ainda assim, o Brasil é um dos países mais avançados em PSA e serve
como modelo para outros países, de acordo com Peter May, professor de
pós-graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Membro da International
Society for Ecological Economics (ISEE), May faz estudo comparativo
global sobre Redução das Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal
(Redd) e divulga dados estratégicos para formuladores de políticas
públicas. "Em relação a outros países, temos um mercado agropecuário
maduro sem ilegalidades e donos de terras mais instruídos. Estados como
Espírito Santo, São Paulo, Amazonas e Acre criaram leis próprias", diz.
Segundo ele, a Costa Rica é modelo clássico com legislação e PSA
desenvolvidos. Já Colômbia, Peru, México e Equador têm políticas
próprias, mas se espelham nos nossos moldes.
 
Para May, além de quadro regulatório, a política de PSA deve ser
incorporada pelo Código Florestal. Ele alerta ainda que o Brasil carece
de experiências mais concretas e resultados práticos. O que, no entanto,
exige pesquisa e monitoramento que podem sair mais caros que o projeto.
(Valor Econômico)
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